ROMA, 03 Mar. 15 / 09:00 am (ACI).- O Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, anunciou que os pais de Santa Teresinha do Menino Jesus, Louis e Zelie Martin, serão canonizados em outubro deste ano, mês em que acontecerá o Sínodo da Família no Vaticano.
O anúncio do Cardeal Amato ocorreu apenas alguns dias depois do anúncio feito pelo bispo de Bayeux-Lisieux (França) sobre a sua intenção de abrir a causa de beatificação da irmã “difícil” de Santa Teresa de Lisieux, Leonia Martin, a terceira dos nove filhos do casal Louis e Zelie.
“Graças a Deus em outubro os dois cônjuges serão canonizados, pais de Santa Teresa de Lisieux”, disse o Cardeal Amato durante um recente encontro organizado pela Livraria Editora Vaticano para falar sobre o tema “Para que servem os santos?”, ressaltando a importância da santidade da família, tema do Sínodo que reunirá cardeais, bispos e peritos de todo o mundo para refletir sobre o tema da família.
“Os santos não são somente os sacerdotes e as religiosas, mas também os leigos”, assegurou o Cardeal referindo-se ao casal francês.
Louis e Zelie foram beatificados em 19 de outubro de 2008 pelo então Papa Bento XVI e sua canonização seria a primeira na história deste tipo.
Seu caminho aos altares foi mais rápido que o dos cônjuges Luigi e Maria Beltrame Quattrochi, beatificados também simultaneamente em outubro do ano 2001.
Louis e Zelie Martin são os pais de Santa Teresinha do Menino Jesus, Padroeira das missões e uma das santas mais queridas pelo Papa Francisco, proclamada doutora da Igreja pelo Papa São João Paulo II em 1997.
Casados em 1858, Louis e Zelie tiveram nove filhos, dos quais quatro morreram na infância e cinco seguiram a vida religiosa.
sábado, 16 de maio de 2015
A Vida e Trajetória do Papa João Paulo I
Albino Luciani (nome de batismo) nasceu em 17 de outubro de 1912, em um povoado chamado Canal de Agordo, no vale do Cordevole, na província Belluno (Itália).
| Canal d'Agordo no vale do Cordevole. Província Belluno (Itália) |
| Albino Luciani, ainda criança, já inserido na vida cristã. |
Oriundo de família humilde, viu seu pai, Giovanni, inúmeras vezes forçado a buscar trabalho, como artesão, em outros países, em decorrência da Primeira Guerra Mundial.
Desde a infância, Albino possuía uma clareza de espírito e uma capacidade de reflexão interna, apoiados por uma inteligência
Tudo isso graças ao seu ambiente familiar (de uma pobreza cheia de dignidade) que lhe propiciou a prática da vida cristã.
Sua mãe, Bertola, católica fervorosa, incentivou-o a seguir a formação religiosa.
Entra para o pequeno seminário de Feltre e, em seguida, passa para o Seminário Gregoriano de Belluno.
Por fim, conclui sua grande trajetória de sucesso na Universidade Grégorienne como doutor em Teologia, onde apresenta uma brilhate tese sobre o Padre Antônio Rosmini Serbati (grande ícone da Igreja Católica).
- Os primeiros ministérios
| Albino Luciani como bispo de Vittorio Veneto |
Em 1937, volta ao seminário Gregoriano de Belluno, onde já estivera como estudante, mas desta vez, é acolhido como vice-diretor e o professor de Teologia dogmática.
Em 1947, continua com o ensino de Teologia, mas ao mesmo tempo, lessiona outras disciplinas: Letras, Moral e Ética, História da Arte e Direito Canônico.
Logo é chamado para preencher as funções de vice-Chanceler, em seguida se torna Vigário Geral da Diocese.
- A Trajetória e eleição para o papado
| A figura de João Paulo I na Igreja Católica sempre foi a de um papa afável, tendo, por isso, recebido a alcunha de "O Papa Sorriso". |
Embora não nutrisse maiores ambições, foi nomeado bispo por João XXIII e cardeal por Paulo VI. Esteve presente no Concílio Vaticano II, convocado em 1962 por João XXIII numa tentativa de aproximar a Igreja do mundo moderno. Albino Luciani era o Patriarca de Veneza quando, com 65 anos, foi eleito Papa em 26 de agosto de 1978, na terceira votação do conclave que se seguiu à morte do Papa Paulo VI, superando o cardeal ultraconservador Giuseppe Siri – favorito ao trono de São Pedro, de acordo com a imprensa – por 99 votos a 11.
A princípio, um atônito Luciani teria declinado de aceitar o pontificado, mas fora persuadido do contrário pelo cardeal holandês Johan Willebrands, que estava sentado a seu lado na Capela Sistina. Para isso, teria lhe dito: "Coragem. O Senhor dá o fardo, mas também a força para carregá-lo".
Escolhera o nome de João Paulo (Ioannes Paulus, pela grafia em latim) para homenagear seus antecessores, João XXIII e Paulo VI. Morreu na madrugada de 28 de setembro de 1978, no Palácio Apostólico do Vaticano. Na época do conclave, o cardeal britânico Basil Hume, um de seus eleitores, chamou João Paulo I de "o candidato de Deus".
Reza uma lenda que João Paulo I teria feito uma premonição sobre sua morte, ao afirmar a conhecidos que "alguém mais forte que eu, e que merece estar neste lugar, estava sentado à minha frente durante o conclave". Um cardeal presente na ocasião – que preferiu escudar-se no anonimato – confirmou que esse homem era, de fato, o polaco Karol Wojtyla. "Ele virá, porque eu me vou", prosseguiu o "Papa Breve". Curiosamente, Wojtyla realmente votara em Luciani naquele conclave e logo depois veio a se tornar João Paulo II.
Brasão e Lema
- Descrição:
O escudo está assente em tarja branca. O conjunto pousado sobre duas chaves decussadas, a primeira de jalde e a segunda de argente, atadas por um cordão de goles, com seus pingentes. Timbre: a tiara papal de argente com três coroas de jalde. Sob o escudo, um listel de blau com o mote: HVMILITAS, em letras de jalde. Quando são postos suportes, estes são dois anjos de carnação, sustentando cada um, na mão livre, uma cruz trevolada tripla, de jalde.
- Interpretação:
Os elementos externos do brasão expressam a jurisdição suprema do papa. As duas chaves "decussadas", uma de jalde (ouro) e a outra de argente (prata) são símbolos do poder espiritual e do poder temporal. E são uma referência do poder máximo do Sucessor de Pedro, relatado no Evangelho de São Mateus, que narra que Nosso Senhor Jesus Cristo disse a Pedro: "Dar-te-ei as chaves do reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado no céu, e tudo o que desligares na terra, será desligado no céu" (Mt 16, 19).
Por conseguinte, as chaves são o símbolo típico do poder dado por Cristo a São Pedro e aos seus sucessores. A tiara papal usada como timbre, recorda, por sua simbologia, os três poderes papais: de Ordem, Jurisdição e Magistério, e sua unidade na mesma pessoa. No listel o lema HVMILITAS (Humildade), é uma expressão da personalidade do papa Luciani.
| Celebração da ascensão (3 de setembro 1978) |
quarta-feira, 5 de março de 2014
Papa destaca Quaresma como tempo forte para conversão
Na catequese desta quarta-feira, 5, Papa Francisco falou sobre
o Tempo da Quaresma que a Igreja inicia, hoje, com a Quarta-Feira de
Cinzas. Trata-se de um período de preparação para a Páscoa, um tempo,
segundo o Pontífice, para a conversão.
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal
Queridos irmãos e irmãs, bom dia
Fonte: Canção Nova
CATEQUESE
Praça São Pedro
Quarta-feira, 5 de março de 2014
Praça São Pedro
Quarta-feira, 5 de março de 2014
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal
Queridos irmãos e irmãs, bom dia
Começa hoje, Quarta-Feira de Cinzas, o itinerário quaresmal de quarenta dias que nos conduzirá ao Tríduo pascal, memória
da paixão, morte e ressurreição do Senhor, coração do mistério da nossa
salvação. A Quaresma nos prepara para este momento tão importante, por
isto é um tempo “forte”, um ponto de reviravolta que pode favorecer em
cada um de nós a mudança, a conversão. Todos nós temos necessidade de melhorar, de mudar
para melhor. A Quaresma nos ajuda e assim saímos dos hábitos cansados e
do preguiçoso costume ao mal que nos engana. No tempo quaresmal, a
Igreja nos dirige dois importantes convites: adotar uma consciência mais
viva da obra redentora de Cristo; viver com mais empenho o próprio Batismo.
A consciência das maravilhas que o Senhor fez para a nossa salvação
dispõe a nossa mente e o nosso coração a uma atitude de gratidão para
Deus, por quanto Ele nos deu, por tudo aquilo que realiza em favor do
seu povo e de toda a humanidade. Daqui parte a nossa conversão: essa é a resposta grata ao mistério maravilhoso do amor de Deus. Quando nós vemos este amor que Deus tem por nós, sentimos a vontade de nos aproximarmos Dele: esta é a conversão.
Viver a fundo o Batismo – eis o segundo
convite – significa também não se habituar às situações de degradação e
de miséria que encontramos caminhando pelos caminhos das nossas cidades
e dos nossos países. Há o risco de aceitar passivamente certos
comportamentos e de não se surpreender diante das tristes realidades que
nos cercam. Nós nos acostumamos com a violência, como se fosse uma
notícia cotidiana deduzida; habituamo-nos aos irmãos e irmãs que dormem
pelas ruas, que não têm um teto para abrigar-se. Habituamo-nos aos
refugiados em busca de liberdade e dignidade, que não são acolhidos como
se deveria. Habituamo-nos a viver em uma sociedade que pretende fazer
pouco de Deus, na qual os pais não ensinam mais aos filhos rezar nem
fazer o sinal da cruz.
Eu pergunto a vocês: os vossos filhos, as vossas crianças sabem fazer o
sinal da cruz? Pensem. Os vossos netos sabem fazer o sinal da cruz?
Vocês ensinaram a eles? Pensem e respondam no vosso coração. Sabem rezar
o Pai Nosso? Sabem rezar à Nossa Senhora com a Ave Maria? Pensem e
respondam. Este costume a comportamentos não cristãos e de comodismo
narcotiza o nosso coração!
A Quaresma vem a nós como tempo providencial para mudar a rota, para recuperar
a capacidade de reagir diante da realidade do mal que sempre nos
desafia. A Quaresma seja vivida como tempo de conversão, de renovação
pessoal e comunitária mediante a aproximação a Deus e a adesão confiante
ao Evangelho. Deste modo, permite-nos também olhar com
olhos novos para os irmãos e as suas necessidades. Por isto a Quaresma é
um momento favorável para se converter ao amor para com Deus e para com
o próximo; um amor que saiba fazer propriamente a atitude de gratuidade
e de misericórdia do Senhor, que “fez-se pobre para enriquecer-nos com a
sua pobreza” (cfr 2 Cor 8, 9). Meditando sobre os mistérios centrais da
fé, a paixão, a cruz e a ressurreição de Cristo, perceberemos que o dom
sem medida da Redenção nos foi dado por iniciativa gratuita de Deus.
Dar graças a Deus pelo mistério do seu
amor crucificado; fé autêntica, conversão e abertura de coração aos
irmãos: estes são elementos essenciais para viver o tempo da Quaresma.
Neste caminho, queremos invocar com particular confiança a proteção e a
ajuda da Virgem Maria: seja Ela, primeira crente em Cristo,
a nos acompanhar nos dias de oração intensa e de penitência, para
chegar a celebrar, purificados e renovados no espírito, o grande
mistério da Páscoa do seu Filho.
Fonte: Canção Nova
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Papa destaca postura dos cristãos para com os enfermos
Após o Angelus deste domingo, 9, o Papa Francisco recordou que nesta terça-feira, 11, Festa de Nossa Senhora de Lourdes, celebra-se o Dia Mundial do Doente.
De acordo com o Santo Padre, a data é uma
ocasião propícia para colocar as pessoas enfermas no centro da
comunidade e “rezar para elas e com elas, ficar perto delas”.
Francisco destacou ainda o “trabalho
precioso” dos agentes de saúde que diariamente encontram nos doentes
“não apenas corpos marcados pela fragilidade, mas pessoas”, a quem
“prestar atenção e dar respostas adequadas”.
“A dignidade da pessoa nunca se reduz às
suas faculdades ou capacidades, e não termina quando a própria pessoa é
fraca, deficiente e necessitada de ajuda”, disse.
O Santo Padre recordou a realidade de
muitas famílias, onde é normal cuidar de quem está doente, mas por vezes
as situações podem ser “pesadas”. Muitas pessoas que vivem esta
situação escrevem ao Papa, e por isso, ele fez questão de “assegurar uma
oração por todas estas famílias, e dizer-lhes: não tenhais medo da
fragilidade! Ajudai-vos uns aos outros com amor, e sentireis a presença
reconfortante de Deus”.
Francisco ressaltou que ter uma “atitude
generosa e cristã para com os doentes é sal da terra e luz do mundo” e,
conclui, pedindo à Virgem Maria “que nos ajude a praticá-lo, e obtenha a
paz e conforto para todos os que sofrem”.
Fonte: Canção Nova
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Santa Josefina Bakhita – A primeira santa africana
Santa irmã morena, como era conhecida, nasceu no Sudão, em 1869. Santa Josefina, como muitos naquele tempo, viveu a dureza da escravidão. Bakhita, que significa “afortunada”, não foi o nome dado a ela pelos pais, mas por uma das pessoas que, certa vez, a comprou.
Por intermédio de um cônsul italiano que a comprou, ela foi entregue a uma família amiga deste de Veneza. Ali, ela tornou-se amiga e também babá da filha mais nova deles que estava nascendo.
Em meio aos sofrimentos e a uma memória toda marcada pela dor e pelos medos, ela foi visitada pelo amor de Deus. Porque essa família de Veneza teve de voltar para a África, em vista de negócios, tanto a filha pequena quanto a babá foram entregues aos cuidados de irmãs religiosas de Santa Madalena de Canossa. Ali, Santa Bakhita conheceu o Evangelho; conhecendo a pessoa de Jesus, foi se apaixonando cada vez mais por Ele.
Com 21 anos, recebeu a graça do sacramento do batismo. Livremente, ela O acolheu e foi crescendo na vida de oração, experimentando o amor de Deus e se abrindo à ação do Espírito Santo.
Quando aqueles amigos voltaram para pegar Bakhita e a criança, foi o momento em que ela expressou o seu desejo de permanecer no local, porque queria ser religiosa. Passado o tempo de formação, recebeu a graça de ser acolhida como religiosa. Isso foi sinal de Deus para as irmãs e para o povo que rodeava aquela região.
Santa Josefina Bakhita, sempre com o sorriso nos lábios, foi uma mulher de trabalho. Exerceu várias atividades na congregação. Como porteira e bordadeira, ela serviu a Deus por intermédio dos irmãos. Carinhosamente, ela chamava a Deus como seu patrão, “o meu Patrão”, ela dizia.
Conhecida por muitos pela alegria e pela paz que comunicava, ela, com o passar dos anos, foi acometida por uma grave enfermidade. Sofreu por muito tempo, mas na sua devoção a Santíssima Virgem, na sua vida de oração, sacramental, de entrega total ao Senhor, ela pôde se deixar trabalhar por Deus, seu verdadeiro libertador. Ela partiu para a glória e foi canonizada pelo Papa João Paulo II no ano 2000.
Santa Bakhita, rogai por nós!
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Papa pede aos jovens a coragem e solidariedade
Mensagem do Papa para 29º Jornada Mundial da Juventude
MENSAGEM
Mensagem do Papa Francisco para a 29ª Jornada Mundial da Juventude (13 de abril de 2014)
Quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Boletim da Santa Sé
Confira a seguir a mensagem do Papa Francisco para a 29ª Jornada
Mundial da Juventude, que será realizada em 13 de abril de 2014, Domingo
de Ramos, em nível diocesano.
“Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu” (Mt 5, 3)
Queridos jovens,
Permanece gravado na minha memória o
encontro extraordinário que vivemos no Rio de Janeiro, na XXVIII Jornada
Mundial da Juventude: uma grande festa da fé e da fraternidade. A boa
gente brasileira acolheu-nos de braços escancarados, como a estátua de
Cristo Redentor que domina, do alto do Corcovado, o magnífico cenário da
praia de Copacabana. Nas margens do mar, Jesus fez ouvir de novo a sua
chamada para que cada um de nós se torne seu discípulo missionário, O
descubra como o tesouro mais precioso da própria vida e partilhe esta
riqueza com os outros, próximos e distantes, até às extremas periferias
geográficas e existenciais do nosso tempo.
A próxima etapa da peregrinação
intercontinental dos jovens será em Cracóvia, em 2016. Para cadenciar o
nosso caminho, gostaria nos próximos três anos de reflectir, juntamente
convosco, sobre as Bem-aventuranças que lemos no Evangelho de São Mateus
(5, 1-12). Começaremos este ano meditando sobre a primeira: «Felizes os
pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu» (Mt 5, 3); para
2015, proponho: «Felizes os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt
5, 8); e finalmente, em 2016, o tema será: «Felizes os misericordiosos,
porque alcançarão misericórdia» (Mt 5, 7).
1. A força revolucionária das Bem-aventuranças
É-nos sempre muito útil ler e meditar as
Bem-aventuranças! Jesus proclamou-as no seu primeiro grande sermão,
feito na margem do lago da Galileia. Havia uma multidão imensa e Ele,
para ensinar os seus discípulos, subiu a um monte; por isso é chamado o
«sermão da montanha». Na Bíblia, o monte é visto como lugar onde Deus Se
revela; pregando sobre o monte, Jesus apresenta-Se como mestre divino,
como novo Moisés. E que prega Ele? Jesus prega o caminho da vida; aquele
caminho que Ele mesmo percorre, ou melhor, que é Ele mesmo, e propõe-no
como caminho da verdadeira felicidade. Em toda a sua vida, desde o
nascimento na gruta de Belém até à morte na cruz e à ressurreição, Jesus
encarnou as Bem-aventuranças. Todas as promessas do Reino de Deus se
cumpriram n’Ele.
Ao proclamar as Bem-aventuranças, Jesus
convida-nos a segui-Lo, a percorrer com Ele o caminho do amor, o único
que conduz à vida eterna. Não é uma estrada fácil, mas o Senhor
assegura-nos a sua graça e nunca nos deixa sozinhos. Na nossa vida, há
pobreza, aflições, humilhações, luta pela justiça, esforço da conversão
quotidiana, combates para viver a vocação à santidade, perseguições e
muitos outros desafios. Mas, se abrirmos a porta a Jesus, se deixarmos
que Ele esteja dentro da nossa história, se partilharmos com Ele as
alegrias e os sofrimentos, experimentaremos uma paz e uma alegria que só
Deus, amor infinito, pode dar.
As Bem-aventuranças de Jesus são
portadoras duma novidade revolucionária, dum modelo de felicidade oposto
àquele que habitualmente é transmitido pelos mass media, pelo
pensamento dominante. Para a mentalidade do mundo, é um escândalo que
Deus tenha vindo para Se fazer um de nós, que tenha morrido numa cruz.
Na lógica deste mundo, aqueles que Jesus proclama felizes são
considerados «perdedores», fracos. Ao invés, exalta-se o sucesso a todo o
custo, o bem-estar, a arrogância do poder, a afirmação própria em
detrimento dos outros.
Queridos jovens, Jesus interpela-nos
para que respondamos à sua proposta de vida, para que decidamos qual
estrada queremos seguir a fim de chegar à verdadeira alegria. Trata-se
dum grande desafio de fé. Jesus não teve medo de perguntar aos seus
discípulos se verdadeiramente queriam segui-Lo ou preferiam ir por
outros caminhos (cf. Jo 6, 67). E Simão, denominado Pedro, teve a
coragem de responder: «A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de
vida eterna» (Jo 6, 68). Se souberdes, vós também, dizer «sim» a Jesus, a
vossa vida jovem encher-se-á de significado, e assim será fecunda.
2. A coragem da felicidade
O termo grego usado no Evangelho é
makarioi, «bem-aventurados». E «bem-aventurados» quer dizer felizes. Mas
dizei-me: vós aspirais deveras à felicidade? Num tempo em que se é
atraído por tantas aparências de felicidade, corre-se o risco de
contentar-se com pouco, com uma ideia «pequena» da vida. Vós, pelo
contrário, aspirai a coisas grandes! Ampliai os vossos corações! Como
dizia o Beato Pierjorge Frassati, «viver sem uma fé, sem um património a
defender, sem sustentar numa luta contínua a verdade, não é viver, mas
ir vivendo. Não devemos jamais ir vivendo, mas viver» (Carta a I.
Bonini, 27 de Fevereiro de 1925). Em 20 de Maio de 1990, no dia da sua
beatificação, João Paulo II chamou-lhe «homem das Bem-aventuranças»
(Homilia na Santa Missa: AAS 82 [1990], 1518).
Se verdadeiramente fizerdes emergir as
aspirações mais profundas do vosso coração, dar-vos-eis conta de que, em
vós, há um desejo inextinguível de felicidade, e isto permitir-vos-á
desmascarar e rejeitar as numerosas ofertas «a baixo preço» que
encontrais ao vosso redor. Quando procuramos o sucesso, o prazer, a
riqueza de modo egoísta e idolatrando-os, podemos experimentar também
momentos de inebriamento, uma falsa sensação de satisfação; mas, no fim
de contas, tornamo-nos escravos, nunca estamos satisfeitos, sentimo-nos
impelidos a buscar sempre mais. É muito triste ver uma juventude
«saciada», mas fraca.
Escrevendo aos jovens, São João dizia:
«Vós sois fortes, a palavra de Deus permanece em vós e vós vencestes o
Maligno» (1 Jo 2, 14). Os jovens que escolhem Cristo são fortes,
nutrem-se da sua Palavra e não se «empanturram» com outras coisas. Tende
a coragem de ir contra a corrente. Tende a coragem da verdadeira
felicidade! Dizei não à cultura do provisório, da superficialidade e do
descartável, que não vos considera capazes de assumir responsabilidades e
enfrentar os grandes desafios da vida.
3. Felizes os pobres em espírito…
A primeira Bem-aventurança, tema da
próxima Jornada Mundial da Juventude, declara felizes os pobres em
espírito, porque deles é o Reino do Céu. Num tempo em que muitas pessoas
penam por causa da crise económica, pode parecer inoportuno acostar
pobreza e felicidade. Em que sentido podemos conceber a pobreza como uma
bênção?
Em primeiro lugar, procuremos
compreender o que significa «pobres em espírito». Quando o Filho de Deus
Se fez homem, escolheu um caminho de pobreza, de despojamento. Como diz
São Paulo, na Carta aos Filipenses: «Tende entre vós os mesmos
sentimentos que estão em Cristo Jesus: Ele, que é de condição divina,
não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; no entanto,
esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a condição de servo e tornando-Se
semelhante aos homens» (2, 5-7). Jesus é Deus que Se despoja da sua
glória. Vemos aqui a escolha da pobreza feita por Deus: sendo rico,
fez-Se pobre para nos enriquecer com a sua pobreza (cf. 2 Cor 8, 9). É o
mistério que contemplamos no presépio, vendo o Filho de Deus numa
manjedoura; e mais tarde na cruz, onde o despojamento chega ao seu
ápice.
O adjectivo grego ptochós (pobre) não
tem um significado apenas material, mas quer dizer «mendigo». Há que o
ligar com o conceito hebraico de anawim (os «pobres de Iahweh»), que
evoca humildade, consciência dos próprios limites, da própria condição
existencial de pobreza. Os anawim confiam no Senhor, sabem que dependem
d’Ele.
Como justamente soube ver Santa Teresa
do Menino Jesus, Cristo na sua Encarnação apresenta-Se como um mendigo,
um necessitado em busca de amor. O Catecismo da Igreja Católica fala do
homem como dum «mendigo de Deus» (n. 2559) e diz-nos que a oração é o
encontro da sede de Deus com a nossa (n. 2560).
São Francisco de Assis compreendeu muito
bem o segredo da Bem-aventurança dos pobres em espírito. De facto,
quando Jesus lhe falou na pessoa do leproso e no Crucifixo, ele
reconheceu a grandeza de Deus e a própria condição de humildade. Na sua
oração, o Poverello passava horas e horas a perguntar ao Senhor: «Quem
és Tu? Quem sou eu?» Despojou-se duma vida abastada e leviana, para
desposar a «Senhora Pobreza», a fim de imitar Jesus e seguir o Evangelho
à letra. Francisco viveu a imitação de Cristo pobre e o amor pelos
pobres de modo indivisível, como as duas faces duma mesma moeda.
Posto isto, poder-me-íeis perguntar:
Mas, em concreto, como é possível fazer com que esta pobreza em espírito
se transforme em estilo de vida, incida concretamente na nossa
existência? Respondo-vos em três pontos.
Antes de mais nada, procurai ser livres
em relação às coisas. O Senhor chama-nos a um estilo de vida evangélico
caracterizado pela sobriedade, chama-nos a não ceder à cultura do
consumo. Trata-se de buscar a essencialidade, aprender a despojarmo-nos
de tantas coisas supérfluas e inúteis que nos sufocam. Desprendamo-nos
da ambição de possuir, do dinheiro idolatrado e depois esbanjado. No
primeiro lugar, coloquemos Jesus. Ele pode libertar-nos das idolatrias
que nos tornam escravos. Confiai em Deus, queridos jovens! Ele
conhece-nos, ama-nos e nunca se esquece de nós. Como provê aos lírios do
campo (cf. Mt 6, 28), também não deixará que nos falte nada! Mesmo para
superar a crise económica, é preciso estar prontos a mudar o estilo de
vida, a evitar tantos desperdícios. Como é necessária a coragem da
felicidade, também é precisa a coragem da sobriedade.
Em segundo lugar, para viver esta
Bem-aventurança todos necessitamos de conversão em relação aos pobres.
Devemos cuidar deles, ser sensíveis às suas carências espirituais e
materiais. A vós, jovens, confio de modo particular a tarefa de colocar a
solidariedade no centro da cultura humana. Perante antigas e novas
formas de pobreza – o desemprego, a emigração, muitas dependências dos
mais variados tipos –, temos o dever de permanecer vigilantes e
conscientes, vencendo a tentação da indiferença. Pensemos também
naqueles que não se sentem amados, não olham com esperança o futuro,
renunciam a comprometer-se na vida porque se sentem desanimados,
desiludidos, temerosos. Devemos aprender a estar com os pobres. Não nos
limitemos a pronunciar belas palavras sobre os pobres! Mas
encontremo-los, fixemo-los olhos nos olhos, ouçamo-los. Para nós, os
pobres são uma oportunidade concreta de encontrar o próprio Cristo, de
tocar a sua carne sofredora.
Mas – e chegamos ao terceiro ponto – os
pobres não são pessoas a quem podemos apenas dar qualquer coisa. Eles
têm tanto para nos oferecer, para nos ensinar. Muito temos nós a
aprender da sabedoria dos pobres! Pensai que um Santo do século XVIII,
Bento José Labre – dormia pelas ruas de Roma e vivia das esmolas da
gente –, tornara-se conselheiro espiritual de muitas pessoas, incluindo
nobres e prelados. De certo modo, os pobres são uma espécie de mestres
para nós. Ensinam-nos que uma pessoa não vale por aquilo que possui,
pelo montante que tem na conta bancária. Um pobre, uma pessoa sem bens
materiais, conserva sempre a sua dignidade. Os pobres podem ensinar-nos
muito também sobre a humildade e a confiança em Deus. Na parábola do
fariseu e do publicano (cf. Lc 18, 9-14), Jesus propõe este último como
modelo, porque é humilde e se reconhece pecador. E a própria viúva, que
lança duas moedinhas no tesouro do templo, é exemplo da generosidade de
quem, mesmo tendo pouco ou nada, dá tudo (Lc 21, 1-4).
4. … porque deles é o Reino do Céu
Tema central no Evangelho de Jesus é o
Reino de Deus. Jesus é o Reino de Deus em pessoa, é o Emanuel, Deus
connosco. E é no coração do homem que se estabelece e cresce o Reino, o
domínio de Deus. O Reino é, simultaneamente, dom e promessa. Já nos foi
dado em Jesus, mas deve ainda realizar-se em plenitude. Por isso rezamos
ao Pai cada dia: «Venha a nós o vosso Reino».
Há uma ligação profunda entre pobreza e
evangelização, entre o tema da última Jornada Mundial da Juventude –
«Ide e fazei discípulos entre todas as nações» (Mt 28, 19) – e o tema
deste ano: «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do
Céu» (Mt 5, 3). O Senhor quer uma Igreja pobre, que evangelize os
pobres. Jesus, quando enviou os Doze em missão, disse-lhes: «Não
possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos; nem alforge para o
caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado; pois o
trabalhador merece o seu sustento» (Mt 10, 9-10). A pobreza evangélica é
condição fundamental para que o Reino de Deus se estenda. As alegrias
mais belas e espontâneas que vi ao longo da minha vida eram de pessoas
pobres que tinham pouco a que se agarrar. A evangelização, no nosso
tempo, só será possível por contágio de alegria.
Como vimos, a Bem-aventurança dos pobres
em espírito orienta a nossa relação com Deus, com os bens materiais e
com os pobres. À vista do exemplo e das palavras de Jesus, damo-nos
conta da grande necessidade que temos de conversão, de fazer com que a
lógica do ser mais prevaleça sobre a lógica do ter mais. Os Santos são
quem mais nos pode ajudar a compreender o significado profundo das
Bem-aventuranças. Neste sentido, a canonização de João Paulo II, no
segundo domingo de Páscoa, é um acontecimento que enche o nosso coração
de alegria. Ele será o grande patrono das Jornadas Mundiais da
Juventude, de que foi o iniciador e impulsionador. E, na comunhão dos
Santos, continuará a ser, para todos vós, um pai e um amigo.
No próximo mês de Abril, tem lugar
também o trigésimo aniversário da entrega aos jovens da Cruz do Jubileu
da Redenção. Foi precisamente a partir daquele acto simbólico de João
Paulo II que principiou a grande peregrinação juvenil que, desde então,
continua a atravessar os cinco continentes. Muitos recordam as palavras
com que, no domingo de Páscoa do ano 1984, o Papa acompanhou o seu
gesto: «Caríssimos jovens, no termo do Ano Santo, confio-vos o próprio
sinal deste Ano Jubilar: a Cruz de Cristo! Levai-a ao mundo como sinal
do amor do Senhor Jesus pela humanidade, e anunciai a todos que só em
Cristo morto e ressuscitado há salvação e redenção».
Queridos jovens, o Magnificat, o cântico
de Maria, pobre em espírito, é também o canto de quem vive as
Bem-aventuranças. A alegria do Evangelho brota dum coração pobre, que
sabe exultar e maravilhar-se com as obras de Deus, como o coração da
Virgem, que todas as gerações chamam «bem-aventurada» (cf. Lc 1, 48).
Que Ela, a mãe dos pobres e a estrela da nova evangelização, nos ajude a
viver o Evangelho, a encarnar as Bem-aventuranças na nossa vida, a ter a
coragem da felicidade.
Vaticano, 21 de Janeiro – Memória de Santa Inês, virgem e mártir – de 2014.
Fonte: Canção Nova
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Santa Águeda – Virgem e mártir dos primeiros séculos
Virgem e mártir, Santa Águeda nasceu no século III numa família muito conhecida, em Catânia, na Sicília. Muito cedo, ela discerniu um chamado a Deus consagrando a sua virgindade ao Senhor, seu amado e esposo. A grande santa italiana foi uma jovem de muita coragem vivendo o Santo Evangelho na radicalidade num tempo em que o imperador Décio levantou contra o Cristianismo uma forte perseguição. Aqueles que não renunciassem ao senhorio de Cristo e não O desprezassem eram punidos com muitos sofrimentos até a morte.
Santa Águeda era consagrada ao Senhor, amava a Deus, mas foi pedida em casamento por um outro jovem. Claro, por coerência e por vocação, ela disse ‘não’. Esse jovem, que dizia amá-la, a denunciou às autoridades. Ela foi presa e injustamente condenada. Que terríveis sofrimentos e humilhações!
Ela sempre se expressava com muita transparência e dizia que pertencia a uma família nobre, rica, conhecida, mas tinha honra de servir a Nosso Senhor, o seu Deus. De fato, para os santos, a maior honra e a maior glória é servir ao Senhor.
Entregaram-na a uma mulher tomada pelo pecado, uma velha prostituta para pervertê-la, mas esta não conseguiu, pois o reinado de Cristo se dava no coração de Águeda antes de tudo. Então, novamente, como num gesto de falsa misericórdia, perguntaram-lhe: “Então, o que você escolheu, Águeda, para a salvação?”. “A minha salvação é Cristo”, ela respondeu.
Os santos passaram por muitas dificuldades, mas, em tudo, demonstraram para nós que é possível glorificar a Deus na alegria, na tristeza, na saúde, na dor.
Em 254 foi martirizada e se encontra na eternidade, com seu esposo, Jesus Cristo, a interceder por nós.
Santa Águeda, rogai por nós.
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