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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Conversão de São Paulo, Papa: "A ressurreição de Cristo confirma que a bondade de Deus vence o mal"


Cidade do Vaticano (RV) – No final da tarde desta quarta-feira, o Papa presidiu a celebração das Segundas Vésperas da Conversão de São Paulo na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma. Presentes cardeais, bispos, religiosos e religiosas, além de expoentes de diversas Igrejas e Comunidades Eclesiais. Embalada por bonitos hinos e cânticos, o final da tarde deste 25 de janeiro decorreu em um clima de profunda espiritualidade, na solenidade que encerrou a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. 
 
A unidade dos cristãos, foi, portanto, o tema que inspirou grande parte da celebração, estando presente nas palavras de saudação dirigidas a Bento XVI pelo Presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, Cardeal Kurt Koch, e na homilia do Santo Padre. Em alusão ao tema dessa Semana “Todos seremos transformados pela vitória de Jesus Cristo, nosso Senhor”, disse o Pontífice: “Por experimentar, nos nossos dias, a situação dolorosa da divisão, nós cristãos podemos e devemos olhar o futuro com esperança, enquanto a vitória de Cristo significa a superação de tudo aquilo que nos distrai de compartilhar a plenitude de vida com Ele e com os outros. A ressurreição de Jesus Cristo confirma que a bondade de Deus vence o mal, o amor supera a morte.”

Bento XVI falou também sobre a vida e a transformação de São Paulo: “Em seguida ao evento extraordinário que aconteceu ao longo da estrada de Damasco, Saulo, que se distinguia pelo zelo com o qual perseguia a Igreja nascente, foi transformado em um incansável apóstolo do Evangelho de Jesus Cristo. Na façanha desse extraordinário evangelizador, aparece claro que tal transformação não é resultado de uma longa reflexão interior, nem mesmo fruto de um esforço pessoal. Ela é, primeiramente, obra da graça de Deus que agiu segundo as suas imperscrutáveis vias.”

“A experiência pessoal vivida por São Paulo – ressaltou o Papa - o permitiu esperar com fundamentada esperança o cumprimento desse mistério de transformação, que tocará a todos aqueles que acreditaram em Jesus Cristo e também toda a humanidade e a Criação inteira.”

Bento XVI relacionou tal espera com a espera pela unidade visível da Igreja, a qual ele afirmou que “deve ser paciente e confiante”. “Somente em tal disposição – disse o Pontífice - encontram o seu pleno significado a nossa oração e o nosso empenho cotidianos pela unidade dos cristãos.” Bento XVI advertiu, contudo, que “a postura de espera paciente não significa passividade ou resignação, mas resposta pronta e atenta a cada possibilidade de comunhão e fraternidade que o Senhor nos dá”.

Encerrando sua homilia, o Papa confiou à intercessão de São Paulo “todos aqueles que, com a sua oração e o seu empenho, trabalham para a causa da unidade dos cristãos”. “Mesmo se às vezes se pode ter a impressão que a estrada em direção ao pleno restabelecimento da comunhão seja ainda muito longa e cheia de obstáculos – concluiu o Santo Padre -, convido todos a renovarem a própria determinação de prosseguir, com coragem e generosidade, a unidade que é vontade de Deus, seguindo o exemplo de São Paulo, que, diante das dificuldades de cada tipo, conservou sempre firme a confiança em Deus, que leva ao cumprimento de sua obra.” (ED) 


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Capela em honra da Beata Chiara Luce no GPACI repercute em Roma


Pelo menos dois diários europeus editados em Roma destacaram, agora no início de janeiro, a inauguração, em Sorocaba, da primeira Capela do mundo dedicada à jovem Beata Chiara Luce Badano, que morreu vitimada por um terrível câncer nos ossos aos 18 anos de idade, em 1990, e menos de vinte anos depois teve suas virtudes heroicas e de santidade reconhecidas ao ser declarada canonicamente Beata pela Igreja a 25 de setembro de 2010, após um primeiro significativo milagre por sua intercessão ser comprovado pela Sagrada Congregação Pontifícia para o Culto dos Santos e aprovado pelo papa Bento XVI.

A inauguração dessa Capela, às vésperas do Natal, junto ao Hospital “Sarina Rolim Caracante”, do GPACI (Grupo de Pesquisa e Assistência Infantil), mereceu primeiramente destaque dentro da edição diária em língua italiana do jornal “L´Osservatore Romano”, órgão da Santa Sé e porta-voz oficial do Estado do Vaticano. 

Com texto preparado por uma de suas correspondentes no Brasil, a jornalista Carla Cotignoli, focolarina, também presente à cerimônia, inclusive reproduzindo palavras emocionantes do arcebispo metropolitano de Sorocaba, dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues, que na missa natalina que marcou o acontecimento manifestou firme esperança de que da Capela da Beata Chiara Luce Badano, implantada justamente ao lado do corredor de acesso ao novo centro cirúrgico do Hospital do GPACI possa sair o milagre ou os muitos milagres que motivarão, agora, a breve futura canonização da jovem italiana, a um passo de ser declarada Santa. 

“Fico até um pouco constrangido diante de Deus, mas peço que muitas curas de crianças com câncer possam ser operadas neste Hospital por intercessão da Beata Chiara Luce Badano, ela que morreu vitimada por um câncer terrível aos 18 anos de idade”, afirmou dom Eduardo Benes na oportunidade, levando às lágrimas os presentes, sobretudo dezenas de pais e familiares de crianças e adolescentes vitimados pelo câncer que são ali atendidos e aguardam a cura.

“La Beata Badano, luce per i bambini che soffrono” (“A Beata Badano, luz para as crianças que sofrem”) foi, por outro lado, o título de reportagem de página inteira estampada por outro significativo diário laico italiano, o “Avvenire”, em sua edição de 5 de janeiro, com o selo `Vangelo e Societá´, ou seja, `Evangelho e Sociedade´. 

Aqui, o texto é assinado pela jornalista Margherita Dassano, com base em informações também da colega Carla Cotignoli, há oito meses no Brasil, destacando como introdução: “In um ospedale pediátrico Del Brasile, l´arcivescovo de Sales Rodrigues há inaugurato uma cappella intitolata alla 18enne morta per um tumore ósseo. `Gioiosa anche nella malattia´”. Ou seja: “Em um hospital pediátrico do Brasil, o arcebispo Sales Rodrigues inaugurou uma capela dedicada à jovem que aos 18 anos morreu de câncer ósseo, em meio à alegria também na doença”.

Além de registrar o fato de sua nova Capela ser a primeira do mundo dedicada à Beata Chiara Luce Badano, a reportagem do “Avvenire” destaca a importância do Hospital “Sarina Rolim Caracante”, do GPACI de Sorocaba, na luta contra o câncer infantil no Brasil, mostrando toda sua caminhada de quase trinta anos e os avanços atuais, pelas palavras de seu presidente, professor Carlos Camargo Costa, da vice-presidente, a advogada Maria Lúcia Neiva de Lima,  e de seu diretor-clínico, o médico pediatra dr. Fábio Bernardes.

Na Capela do GPACI, uma frase junto ao quadro da Beata Chiara Luce resume sua proposta de vida: “Por ti, Jesus; se queres (o sofrimento, a dor), eu também quero!”

Foto Fernando Rezende; enviado por José Benedito

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Santos Inocentes

Somente a monstruosidade de uma mente assassina, cruel e desumana, poderia conceber o plano executado pelo sanguinário rei Herodes: eliminar todas os meninos nascidos no mesmo período do nascimento de Jesus para evitar que vivesse o rei dos judeus. Pois foi isso que esse tirano arquitetou e fez. 

Impossível calcular o número de crianças arrancadas dos braços maternos e depois trucidadas. Todos esses pequeninos se tornaram os "santos inocentes", cultuados e venerados pelo Povo de Deus. Eles tiveram seu sangue derramado em nome de Cristo, sem nem mesmo poderem "confessar" sua crença. 

Quem narrou para a história foi o apóstolo Mateus, em seu Evangelho. Os reis magos procuraram Herodes, perguntando onde poderiam encontrar o recém-nascido rei dos judeus para saudá-lo. O rei consultou, então, os sacerdotes e sábios do reino, obtendo a resposta de que ele teria nascido em Belém de Judá, Palestina. 

Herodes, fingindo apoiar os magos em sua missão, pediu-lhes que, depois de encontrarem o "tal rei dos judeus", voltassem e lhe dessem notícias confirmando o fato e o local onde poderia ser encontrado, pois "também queria adorá-lo". 

Claro que os reis do Oriente não traíram Jesus. Depois de visitá-lo na manjedoura, um anjo os visitou em sonho avisando que o Menino-Deus corria perigo de vida e que deveriam voltar para suas terras por outro caminho. O encontro com o rei Herodes devia ser evitado. 

Eles ouviram e obedeceram. Mas o tirano, ao perceber que havia sido enganado, decretou a morte de todos os meninos com menos de dois anos de idade nascidos na região. O decreto foi executado à risca pelos soldados do seu exército. 

A festa aos Santos Inocentes acontece desde o século IV. O culto foi confirmado pelo papa Pio V, agora santo, para marcar o cumprimento de uma das mais antigas profecias, revelada pelo profeta Jeremias: a de que "Raquel choraria a morte de seus filhos" quando o Messias chegasse. 

Esses pequeninos inocentes de tenra idade, de alma pura, escreveram a primeira página do álbum de ouro dos mártires cristãos e mereceram a glória eterna, segundo a promessa de Jesus. A Igreja preferiu indicar a festa dos Santos Inocentes para o dia 28 de dezembro por ser uma data próxima à Natividade de Jesus, uma vez que tudo aconteceu após a visita dos reis magos. A escolha foi proposital, pois quis que os Santinhos Inocentes alegrassem, com sua presença, a manjedoura do Menino Jesus.



Fonte: Paulinas

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

“O silêncio não vai ajudar a Igreja”, diz padre Paulo Ricardo


Entrevista ao "Jornal de Londrina"

Paulo Ricardo de Azevedo Júnior é um padre que não se furta a criticar outros sacerdotes 

Paulo Ricardo de Azevedo Júnior é um padre no sentido pleno da palavra. E não apenas por usar batina. Eis um padre que segue o catecismo, o missal e a Doutrina Católica. Um padre que defende a Igreja e o papa. Um padre estudioso e com grande domínio da palavra. Um padre que conhece profundamente as questões canônicas. Um padre que fala de vida espiritual. Um padre que não ignora este mundo, mas sem jamais esquecer o outro. 

Um padre que não se furta a criticar outros sacerdotes, sobretudo o chamado “clero progressista”, ligado à teologia da libertação. Um padre à maneira antiga – tão antiga quanto os 2 mil anos da Igreja Católica.


Com todas essas qualidades, o padre Paulo Ricardo está fazendo um grande sucesso com seu trabalho de evangelização na internet. Através do site padrepauloricardo.org, ele diz o que pensa para um público cada vez mais amplo – e constituído em grande parte por jovens.


Nascido em novembro de 1967, o padre Paulo Ricardo foi ordenado em 1992, pelo papa João Paulo II. É bacharel em Teologia e mestre em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma). Membro do Conselho Internacional de Catequese, nomeado pela Santa Sé, pertence à Arquidiocese de Cuiabá (Mato Grosso). É autor de diversos livros e apresenta o programa semanal “Oitavo Dia”, pela Rede Canção Nova de Televisão.

Durante uma visita do padre Paulo Ricardo por Londrina e região, em setembro, o JL realizou a seguinte entrevista. Entre os assuntos abordados, o papel dos cristãos na sociedade contemporânea e uma relação especial com a cidade de Londrina.

JL: Em 2005, o sr. passou por uma experiência pessoal muito importante em Londrina. O que aconteceu? E de que forma essa experiência o marcou? 
Padre Paulo Ricardo: Há seis anos, eu estava vindo de São Paulo e o avião fazia escala em Londrina, indo para Cuiabá. Aconteceu que o avião atrasou, tivemos que ir para o hotel. Depois voltamos para pegar o avião outra vez. Uns cinco minutos depois da decolagem, houve um estouro na turbina direita. Trinta segundos depois, um novo estouro. Ninguém sabia o que estava acontecendo. O pessoal ficou apavorado. O avião continua estável, o que se via claramente. Fiquei pensando: vou observar. Se eu notar que vai ocorrer o pior, dou a absolvição coletiva.

Enquanto eu não sabia o que estava acontecendo, fiz meu ato de contrição, pedi a Deus perdão do meu pecado – e esperei. Enquanto esperava, pensei que havia sido prudente inutilmente. Agora eu estaria me apresentando diante de Deus, Deus iria pedir conta do meu ministério, e eu fui prudente a vida inteira, porque queria ser bispo, queria fazer carreira, não queria me queimar. Dali para frente aquilo marcou. Dali para frente eu vi que era um homem morto. Deus me disse assim: “O que eu havia previsto para você eram somente estes anos de sacerdócio, agora você vai morrer, acabou, e você não deu conta do recado. Você escondeu seus talentos”.

Dali para frente resolvi me considerar um homem morto. Porque Deus estava me dando uma segunda chance. Eu não poderia mais me colocar numa situação de prudência, pensando no futuro. O bom soldado, quando vai para a guerra, não tem que se preocupar em voltar para casa. Ele tem que se preocupar em sobreviver o maior tempo possível para fazer o maior estrago para o inimigo. O soldado sabe que um dia vai levar um tiro e um dia vai sair de ação.

Esse foi meu exame de consciência: o sacerdócio é um dom, e um dom não é algo para ser guardado. Dali em diante, eu vi que a minha batina não é um enfeite, ela é uma mortalha. O sacerdote é um homem que deveria ter morrido para o mundo; se ele não morreu para o mundo, o que está fazendo aí? Afinal de contas, a Igreja e o sacerdócio ou servem para o Céu, ou não servem para nada, podem fechar as portas.

JL: E de que maneira a Igreja Católica pode assumir a sua verdadeira missão?

Padre Paulo Ricardo: A grande dificuldade é que a Igreja, nas últimas décadas, introjetou a acusação dos marxistas – de que “a religião é o ópio do povo”. Ela se sente culpada de falar do Céu, de salvação eterna, de felicidade futura. E tenta desconversar com uma suposta doutrina social. Você vai para a Igreja e dizem que a finalidade da religião é “fazer um mundo melhor”. Ora, mas essa não é a finalidade da Igreja! Bento XVI, na encíclica “Spe Salvi”, que houve uma imanentização da esperança cristã. A esperança cristã era voltada para o Céu, agora a gente espera a coisa aqui na Terra. A gente espera um mundo ideal, um mundo melhor, em desfavor da transcendência.

Paulo Briguet: Foi a partir desse episódio que o sr. iniciou o trabalho de evangelização na internet?
Padre Paulo Ricardo: Na verdade, a coisa foi gradual. O episódio do avião foi em 2005. Existem conversões fulminantes, como a de São Francisco – o homem que um dia era pecador, no outro era virtuoso. Comigo não foi assim. Ou melhor: comigo não está sendo assim – porque ainda não terminou. Sempre fui um menininho comportado, conservador, usava traje social, camisa de manga comprida... Quando entrei no seminário, logo veio a tentação da carreira. Eu me saía melhor nos estudos; era apreciado pela maneira como falava; comecei a pensar numa carreira dentro da Igreja. Fui para Roma, fiz Teologia lá. 

Vivia mais no Vaticano do que Universidade, sempre metido com cardeais e gente importante. Quando fui ordenado padre pelo papa João Paulo II, passei a desempenhar algumas funções menores na Santa Sé, nada muito importante. Minha pretensão era voltar ao Brasil, servir a diocese por um tempo e depois fazer carreira no Vaticano. Mas aconteceu que em 1997, tive uma experiência de conversão. Uma experiência com Santa Teresinha. Ali eu comecei a perceber que não poderia ser padre sem abraçar uma cruz. Não poderia transformar o sacerdócio numa carreira. Entendi que o sacerdócio não era um homem, mas o sacrifício de um homem. Passei a me voltar mais para Deus, para a espiritualidade. Eu já era padre há cinco anos. Em 2002, eu conheci pela internet o filósofo Olavo de Carvalho e comecei a ler tudo que ele escrevia. Foi como se escamas caíssem dos meus olhos. Você descobre por que apanhou a vida inteira: você descobre por que lutava numa argumentação, vencia os debates, mas nada mudava. 

A partir disso, passei a ver que as razões verdadeiras não eram as razões apresentadas em discussões. Tem sempre algo debaixo da mesa. Tem sempre a má intenção por trás – o que é típico da mentalidade revolucionária. Em 2005, houve o episódio do avião. De 2005 para frente, eu passei a ser muito mais claro no que dizia. A partir daí comecei a realizar uma pregação mais clara contra a corrente geral.


JL: Como o sr. definiria hoje o seu papel na Igreja? 
Padre Paulo Ricardo: Hoje eu vejo que não nasci para ser bispo. Que nasci para ser pai de bispo, ou seja, formar uma geração de novos padres – e, um dia, um deles será bispo. Um dia algum deles vai ajudar a Igreja no episcopado. Para mim, o importante é saber agora que o silêncio não vai ajudar a Igreja. A gente vê no jovem a gratidão imensa quando você fala.

O filósofo Eugen Rosenstock-Huessy, pouco conhecido no Brasil, analisa as doenças da linguagem. Uma delas é a guerra; outra é a crise. O que caracteriza a guerra? A guerra é quando eu não quero ouvir o meu inimigo. Já a crise é o contrário: é não falar ao amigo. Meu amigo precisa de minha ajuda, eu sei onde está a solução, mas por conveniência eu calo. Assim a sociedade entra em crise. 

A sociedade está em crise porque os líderes morais que poderiam dar uma orientação às pessoas estão calados. Alguém tem de pagar o preço de falar. Mesmo sabendo que, ao falar, a pessoa vai sofrer o martírio dos tempos modernos, como o papa Bento XVI descreve com muita clareza, até porque ele mesmo é vítima desse processo. O martírio dos tempos modernos é o assassinato da personalidade. É transformar o sujeito em não-pessoa. 

É a calúnia, a perseguição. Você vai sendo fritado. Então, hoje nós precisamos na Igreja do Brasil de padres e bispos mártires. Uso sempre a palavra profético, mas a palavra mais adequada seria mártir. Martyrios em grego quer dizer testemunha. Alguém que crê tanto no Reino do Céu que está disposto a desprezar o reino dos homens.


JL: Há uma guerra cultural em curso no Brasil de hoje, à semelhança do conflito que Peter Kreeft identificou na sociedade norte-americana?
Padre Paulo Ricardo: Existe uma guerra cultural incipiente no país. Ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, a esquerda brasileira conseguiu a hegemonia da mídia. Em todos os âmbitos. Qualquer um que seja oposição só tem um espaço de militância atualmente, que é a internet. Basicamente esse é o espaço que nos concedem – ainda. A esquerda diz que a revolução só pode ser alcançada se houver um período que a precede, chamado de acumulação de forças. 


Nós estamos no período de acumulação de forças. Ainda não existe guerra de fato. Guerra supõe exército dos dois lados. O que existe é um exército que invadiu e ocupou o país. Nós temos uma ocupação hegemônica da esquerda. Mas a geração está sendo formada. Bento XVI, nesse sentido, foi o homem da Providência para a Igreja e para o Brasil. É preciso recomendar que o cardeal Joseph Ratzinger foi o homem que condenou a Teologia da Libertação. Antes, quando se citava o cardeal Ratzinger, tudo quanto era bispo e padre aqui no Brasil dizia que isso era uma “visão radical”. Hoje em dia, cita-se Bento XVI e todos têm que ficar calados, porque não podem dizer que o papa é radical. O papa nos deu carta-branca. Está servindo como escudo para que a gente possa agir. Dentro do meu ministério, eu sempre tenho como diretriz lutar as lutas que o papa está lutando. 

De tal forma que o bom católico veja que eu não estou seguindo uma ideologia; eu estou seguindo a fé da Igreja de 2000 anos. A hegemonia esquerdista no Brasil é tal que a pessoa que pretende ser católica se sente um peixe fora d’água. A oposição ao pensamento do papa é tão grande que a maior parte dos jovens se sentiria fora da Igreja. A esquerda católica nos acusa – a nós que somos fiéis a Bento XVI – de estarmos fora da Igreja. Mas já que o papa está ao nosso lado e nós estamos ao lado do papa, eles não podem mais dizer isso.


 JL: O sr. sempre diz que no Brasil tenta-se impor uma minoridade social aos católicos. Em que consiste esse processo?

Padre Paulo Ricardo: É a chamada ideologia do Estado laico. Segundo essa ideologia, qualquer pessoa que tenha uma visão religiosa do mundo deve guardá-la para sua vida privada. Para os defensores dessa ideologia, a religiosidade não tem espaço público, não tem cidadania. Uso essa expressão – minoridade – para dizer que nós somos cidadãos brasileiros como os menores de idade. Mas nem todos os nossos direitos são reconhecidos. Os menores de idade não podem votar, não podem dirigir carro, têm direitos e responsabilidades limitadas. Há um grupo que se apossou da “classe falante” e não nos dá direito de falar e expressar nossas opiniões – porque nós somos religiosos. 

O fato é o seguinte: o ateísmo é uma atitude tão religiosa quanto o catolicismo, pois vê o mundo a partir de um prisma religioso, a não-existência de Deus. Não existe alguém indiferente ao problema religioso. Se você varre do espaço público qualquer manifestação religiosa, não está colocando o Estado nas mãos de uma visão religiosamente isenta; você está impondo uma religião que se chama materialismo ateísta. Os ateus não são cidadãos de primeira categoria e nós não somos cidadãos de segunda categoria. 

Eles são tão cidadãos quanto nós; têm o direito de ser ateus. Só que, numa democracia, quem dá o tônus do ambiente cultural é a maioria. A maioria esmagadora da população brasileira é extremamente religiosa. Portanto, nós não temos por que ficar amordaçados por uma minoria de ateus militantes.





quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Qual o significado do dia de finados na tradição cristã?

2 de novembro, dia dos fiéis defuntos. Para a Igreja católica não trata-se de um feriado qualquer, mas de uma oportunidade de rezarmos  pelos entes queridos que buscam a plenitude da vida diante da face de Deus. Desde os primeiros séculos, os cristãos já visitavam os túmulos dos mártires para rezar por eles e por todos aqueles que um dia fizeram parte da comunidade primitiva. No século XIII, o dia dos fiéis defuntos passou a ser celebrado em 2 de novembro, já que no dia 1 de novembro era comemorada a solenidade de todos os santos.

A Igreja sempre celebra aquilo que provém de uma tradição, daquilo que é fruto de uma experiência de fé no seio da comunidade cristã. O professor de teologia da vida consagrada no Instituto Regional para a Formação Presbiteral do Regional Norte 2, Frei Ribamar Gomes de Souza, explicou que Santo Isidório de Servilha chegou a apontar que o fato de oferecer sufrágios e orações pelos mortos é um costume tão antigo na Igreja que pode ter sido ensinado pelos apóstolos. O Frei salienta ainda qual o significado do dia de finados, que para o Catolicismo é uma data tão importante.

"A comemoração de todos os fiéis falecidos evidencia a única Igreja de Cristo como: peregrina, purgativa e triunfante que celebra o mistério pascal", disse.

O Frei também explica a esperança que deve brotar no coração dos cristãos, os quais são convidados a não parar na morte, mas enxerga-la na perspectiva da ressurreição de Cristo.

”Às vezes olhamos a nossa vida numa perspectiva de uma tumba que será fechada com a terra e com uma pedra em cima, mas para nós cristãos, Cristo está diante dessa pedra ele que é a Ressurreição e a vida. Ele olha através da pedra e ver a cada um de nós", salientou.

Dia de finados e purgatório.

O purgatório que faz parte da doutrina escatológica da Igreja é a condição de purificação que as almas devem passar para apresentarem-se sem mancha diante de Deus. Ao contrário do que se pensa, não trata-se de um castigo, mas de uma intervenção da misericórdia de Deus. A doutrina do Purgatório veio definida no segundo Concílio de Lion em 1274. Frei Ribamar Gomes explica que este dia serve para rezarmos preferencialmente pelas almas dos purgatório, as quais precisam de purificação para adentrarem no Paraíso.

"O purgatório nos transforma na figura sem mancha, ou seja, no verdadeiro recipiente da eterna alegria. No purgatório a alegria do encontro com Deus que acontecerá, supera a dor e o sofrimento. Só não acredita no purgatório quem duvida da misericórdia de Deus. o verdadeiro significado do dia de finados só pode ser encontrado no amor de Deus".



Fonte: Canção Nova

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Solenidade de Todos os Santos




Hoje, a Igreja não celebra a santidade de um cristão que se encontra no Céu, mas sim, de todos. Isto, para mostrar concretamente, a vocação universal de todos para a felicidade eterna.

"Todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Todos são chamados à santidade: 'Deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito' "(Mt 5,48) (CIC 2013).

Sendo assim, nós passamos a compreender o início do sermão do Abade São Bernardo: "Para que louvar os santos, para que glorificá-los? Para que, enfim, esta solenidade? Que lhes importam as honras terrenas? A eles que, segundo a promessa do Filho, o Pai celeste glorifica? Os santos não precisam de nossas homenagens. Não há dúvida alguma, se veneramos os santos, o interesse é nosso, não deles".

Sabemos que desde os primeiros séculos os cristãos praticam o culto dos santos, a começar pelos mártires, por isto hoje vivemos esta Tradição, na qual nossa Mãe Igreja convida-nos a contemplarmos os nossos "heróis" da fé, esperança e caridade. Na verdade é um convite a olharmos para o Alto, pois neste mundo escurecido pelo pecado, brilham no Céu com a luz do triunfo e esperança daqueles que viveram e morreram em Cristo, por Cristo e com Cristo, formando uma "constelação", já que São João viu: "Era uma imensa multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas" (Ap 7,9).

Todos estes combatentes de Deus, merecem nossa imitação, pois foram adolescentes, jovens, homens casados, mães de família, operários, empregados, patrões, sacerdotes, pobres mendigos, profissionais, militares ou religiosos que se tornaram um sinal do que o Espírito Santo pode fazer num ser humano que se decide a viver o Evangelho que atua na Igreja e na sociedade. Portanto, a vida destes acabaram virando proposta para nós, uma vez que passaram fome, apelos carnais, perseguições, alegrias, situações de pecado, profundos arrependimentos, sede, doenças, sofrimentos por calúnia, ódio, falta de amor e injustiças; tudo isto, e mais o que constituem o cotidiano dos seguidores de Cristo que enfrentam os embates da vida sem perderem o entusiasmo pela Pátria definitiva, pois "não sois mais estrangeiros, nem migrantes; sois concidadãos dos santos, sois da Família de Deus" (Ef 2,19).

Neste dia a Mãe Igreja faz este apelo a todos nós, seus filhos: "O apelo à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade se dirige a todos os fiéis cristãos." "A perfeição cristã só tem um limite: ser ilimitada" (CIC 2028).

Todos os santos de Deus, rogai por nós!



Fonte: Cléofas

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

"Totus Tuus" Respiro da Alma do Beato João Paulo II


O lema Totus tuus, que resume toda a espiritualidade cristocêntrica e mariana de São Luís Maria Grignion de Montfort (1673-1716), foi o fio condutor de toda a vida do (Beato) João Paulo II. O santo francês e o seu grande discípulo polonês são dois exemplos luminosos da mesma santidade sacerdotal, de uma vida inteiramente vivida no amor de Jesus e aos irmãos sob guia maternal de Maria. Totus tuus! Duas palavras que são uma oração endereçada a Jesus por meio de Maria e de seu Coração Imaculado. É um ato de amor como um dom total de si.
Na vida de Karol Wojtyla, este “Totus tuus” transformou-se em respiração de sua alma, e batida do seu coração a partir de 1940 quando descobriu, com a idade de vinte anos, o Tratado de Montfort. Muitas vezes, João Paulo II contara tudo isso. Fê-lo de modo especial em 1996, por ocasião do seu 50º aniversário sacerdotal no livro Dom e Mistério. Segundo o seu testemunho, foi um leigo, Jan Tyranowski – agora Servo de Deus – que o fez conhecer o Tratado e as obras de São João da Cruz, abrindo-o a mais profunda vida espiritual, nos duríssimos anos da ocupação nazista na Polônia. O jovem Karol tinha que trabalhar como operário numa fábrica, descobrindo progressivamente a sua vocação ao sacerdócio.
Falando deste período, João Paulo II insistia sobre o “fio mariano” que guiou toda sua vida desde a infância, na sua família, na sua paróquia, na devoção carmelita ao escapulário e a devoção salesiana a Maria Auxiliadora. A descoberta do Tratado, recorda o próprio Papa polonês, ajudou-o a dar um passo decisivo no seu caminho mariano, superando uma certa crise. “Tive um momento no qual coloquei em discussão o meu culto por Maria, considerando que esse, dilatando-se excessivamente, terminava por comprometer a supremacia do culto devido a Cristo. Veio-me então de ajuda um livro de São Luís Maria Grignion de Montfort que tem o título de Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. Neste encontrei a resposta às minhas perplexidades. Sim, Maria nos aproxima a Cristo, nos conduz a Ele, com a condição que se viva o seu mistério em Cristo (...). O autor é um teólogo de classe. O seu pensamento mariológico é enraizado no mistério trinitário e na verdade da Encarnação do Verbo (...). Eis explicada a proveniência do “Totus tuus”. A expressão provém de São Luís de Montfort. É a abreviação da forma mais completa de abandono à Mãe de Deus que soa assim: Totus tuus ego sum et omni-a mea tua sunt. Accipio te in mea omnia. Praebe mihi cor tuum, Maria" (Dom e mistério, pp. 38-39).
 Estas palavras em latim, continuamente rezadas e reescritas por Karol Wojtyla nas primeiras páginas de seus manuscritos, se encontram no fim do Tratado de Montfort, quando o santo convida o fiel a viver a Comunhão Eucarística com Maria e em Maria. É necessário também sublinhar que este “Totus tuus” transforma-se para sempre, de 1940 a 2005, como a linha diretiva de toda a vida de Karol Wojtyla, como seminarista e sacerdote e depois como Bispo e Papa. Quando em 1958 é nomeado, por Pio XII, Bispo auxiliar de Cracóvia, escolhe já o “Totus tuus” como lema episcopal, junto ao brasão que simboliza Cristo redentor e Maria junto a Ele, o mesmo que conservará como Papa. E, sobretudo o viverá até ao fim, nos grandes sofrimentos dos últimos meses. Depois da traqueotomia, não podendo mais falar, escreverá por fim as palavras Totus tuus. Sabemos também, de pessoas mais próximas a ele, que lia todos os dias um trecho do Tratado.
Nos seus escritos, João Paulo II fez frequente referência a São Luís Maria, como por exemplo, na Redemptoris Mater (n. 48). Mas, de um modo particular, perto do fim de seu pontificado, deixou-nos uma belíssima síntese da doutrina interpretada à luz do Concílio Vaticano II, na sua Carta aos religiosos e religiosas das famílias monfortinas de 08/12/03. É talvez o texto que mais nos ilumina para entendermos o significado teológico profundo do “Totus tuus” e do brasão episcopal.
A “perfeita devoção a Maria” ensinada por São Luís consiste essencialmente na doação total de si expressada no “Totus tuus”, integrando todas as boas práticas de devoção, especialmente o rosário. Mas o mais profundo é a “prática interior”, vida interior, um caminho de vida espiritual profunda que deve levar à santidade. Não existe dúvida que João Paulo II tenha vivido esta espiritualidade mariana no nível mais alto da união transformante com Cristo. O pedido “Praebe mihi cor tuum”, foi atendido. O próprio São Luís Maria, que possui a maravilhosa experiência dessa “identificação mística com Maria” espera que a sua doutrina daria muitos frutos nos séculos sucessivos da Igreja. Apresentando os “efeitos maravilhosos” (TDV, 213-225) desta “perfeita devoção” S. Luís Maria nos mostra como a pessoa que vive plenamente o “Totus tuus” caminha com Maria na via da humildade evangélica, que é via de amor, de fé e de esperança. No final de sua Carta aos religiosos e religiosas das famílias monfortinas, João Paulo II sintetiza este ensinamento do Tratado sempre à luz da Lumen Genti-um. A santidade à qual todos são chamados não é outra que a perfeição da caridade. Nesta vida sobre a terra, a humildade é a maior característica da caridade. “É próprio do amor rebaixar-se”, escrevia S. Teresinha de Lisieux no início de sua História de uma alma. É o mesmo amor de Deus que em Jesus se faz pequeno e pobre do presépio até a Cruz. E é o significado profundo da “Santa Escravidão de Amor”.

O ponto final da Lumen Gentium é a contemplação de “Maria, símbolo de certa esperança e de consolação para o povo de Deus em peregrinação” (n. 68-69). Nesta luz termina também a Carta à Família Monfortina de João Paulo II, citando as últimas linhas da Lumen Gentium e resumindo a doutrina de Montfort sobre a esperança vivida com Maria, defendendo-o em particular contra a injusta acusação de “milenarismo”. E se recorda como, na antífona Salve Rainha, a Igreja chama a Mãe de Deus “Esperança nossa”.
Em todas as dificuldades da vida sacerdotal, Maria é e sempre será a âncora de esperança, uma esperança segura para o futuro da Igreja e para a salvação do mundo. Assim também o Papa Bento XVI, que quis fortemente o Ano Sacerdotal, apresentou Maria no final de sua encíclica Spe salvi como a “Estrela da Esperança” (n. 49-50).
Fonte: L'Osservatore Romano

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Magnificat



Magnificat, um dos cânticos da Igreja cristã que se pronuncia nas vésperas (entardecer) e um hino jubiloso de louvores. Foi inspirado no relato do encontro entre Maria, mãe de Jesus, e sua prima Isabel, mãe de João Batista, no Evangelho segundo são Lucas.(1,46-55).





Texto original em latim

Magnificat anima mea Dominum
Et exultavit spiritus meus in Deo salutari meo.
Quia respexit humilitatem ancillæ suæ: ecce enim ex hoc beatam me dicent omnes generationes.
Quia fecit mihi magna qui potens est, et sanctum nomen eius.
Et misericordia eius a progenie in progenies timentibus eum.
Fecit potentiam in brachio suo, dispersit superbos mente cordis sui.
Deposuit potentes de sede et exaltavit humiles.
Esurientes implevit bonis et divites dimisit inanes,
Suscepit Israel puerum suum recordatus misericordiæ suæ,
Sicut locutus est ad patres nostros, Abraham et semini eius in sæcula.



Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto
Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum.
Amen.

Tradução para Português 


Minha alma glorifica o Senhor,
E meu espírito exultou em Deus meu salvador;
Porque atentou na humildade de sua serva,
Eis que me chamam abençoada todas as gerações,
Porque me fez grandes coisas o poderoso, e santo é seu nome,
E sua misericórdia se estende à progênie dos que o temem;
Fez portentos em seu braço, dissipou os soberbos de coração;
Depôs dos tronos os poderosos, e elevou os humildes;
Encheu de bens os famintos, e os ricos despediu vazios;
Amparou Israel, seu servo, recordado de sua misericórdia,
Como prometeu a nossos pais, a Abraão e à sua posteridade para sempre.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

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