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sábado, 14 de janeiro de 2012

O DESAFIO DE VIVER A VOCAÇÃO CRISTÃ NO MUNDO DE HOJE

 Vivemos num mundo onde os valores do poder, do ter e do prazer são objetos de adoração e de idolatria. A luta pelo poder torna as pessoas desumanas. As guerras, o ódio e as tensões ameaçam o mundo que já encontra-se dividido entre ricos e pobres e divida-se cada vez mais em bandos antagônicos e inimigos que lutam para aniquilar o adversário. A sexualidade tornou-se presa fácil e objeto de prazer despojando o ser humano de sua dignidade e intimidade. A vida em seu conjunto perde a dimensão fraternal e comunitária e torna-se uma guerra onde os homens se desumanizam as serviço de valores-objetos como o poder, o ter e o prazer.
A secularização se expande cada vez mais e vai tomando conta das pessoas. O ser humano vai perdendo o sentido profundo de sua vida, sua razão de ser no mundo e tornando-se escravo de si mesmo, das leis criadas por ele mesmo e da máquina que deveria estar ao seu serviço.
 É dentro dessa realidade toda que nos encontramos como pessoas cristãs, chamadas a transformá-la, vivendo o compromisso que assumimos no Batismo.
Lembro-me que, em 1989, o Papa João Paulo II fazia um apelo aos jovens da época, muito válido aos jovens e a todos os cristãos de todos os tempos:
 “… não tenhais medo de ser santos! Tende a coragem de buscar e encontrar a verdade, para além do relativismo e da indiferença daqueles que tendem a edificar o nosso mundo como se Deus não existisse. Jamais sereis desiludidos se conservardes como ponto de referência na vossa busca, Cristo, verdade do homem. A revelar o mistério do Pai e do seu Amor, Ele ‘manifesta perfeitamente o homem ao próprio homem e descobre-lhe a sublimidade de sua vocação’ (GS 22).
Tende a coragem da solidariedade, na Igreja e no mundo: convidai todos a serem, juntamente convosco, os artífices da ‘civilização do amor’, que o evangelho exige que edifiquemos, superando as divisões e os ódios que se escondem no coração humano, reconciliando os homens com as criaturas, os homens entre si e os homens com Deus. Eis aqui o enorme projeto que se vos apresenta. Compete-vos pô-lo em prática!
… Ide também vós, por todos os lugares, sempre conscientes do desejo de (Jesus) Cristo: ‘Vim lançar fogo sobre a terra; e que quero eu senão que ele se tenha ateado?’ (Lc 12,49). Fazei com que arda este fogo que Jesus trouxe, o fogop do Espírito Santo, que queima toda a miséria humana, todo o mesquinho egoísmo, todo o mau pensamento. Deixai este fogo que se propague em seu coração”. (L’Osservatore Romano, nº 39/09/1991).
Em março de 1991, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, entre outras, o Papa dirige estas palavras à juventude em cadeia de rádio: “É tarefa dos jovens lembrar à humanidade, por palavras e pelo testemunho, que Deus é Pai de todos. (…) Exorto-vos a colocarem Cristo no centro de vossas vidas e a darem testemunho de Cristo, para construírem um mundo mais justo e mais fraterno”.
 O desafio está lançado, transformar este mundo que está se estruturando como se Deus não existisse, de tal forma que as pessoas estão caindo na solidão, no vazio: drogas, alcoolismo, depressão, prostituição, ganância, corrupção, abortos, violência ... e aumenta cada vez mais o numero dos suicídios. O homem vai se afastando cada vez mais de Deus e atraindo para si a morte, pois está esquecendo que Deus é o princípio, o fim e a presença da vida. Ele é a Vida.
O homem está esquecendo que é imagem e semelhança de Deus. Que Deus lhe preparou todo um universo, o ambiente da vida, e que é a presença de Deus, a união, a intimidade com Ele que mantém a vida.
Estamos esquecendo que Deus se fez um de nós, encarnou-se, veio recuperar, resgatar em nós esta imagem e semelhança sua maculada pelo pecado. Que Ele veio resgatar e nos mostrar pessoalmente a dignidade da vida.
Esta perda da consciência daquilo que somos é visível. Basta nos perguntar sobre a postura que temos diante da vida. Basta ver a realidade do matrimônio e da família como centro de formação da vida. Olhar para o número de abortos praticados a cada ano. E tantas outras realidades onde as cenas de morte parece ser normais nos dias de hoje.
A proposta de Jesus vem ao encontro de todas essas realidades como uma proposta de VIDA, proposta de amor.
Jesus Cristo nos revela que o Pai é AMOR, que ele quer a vida de seus filhos, pecadores, e não a morte. Já o Livro de Ezequiel nos aponta para esta vontade do senhor quando diz: “Certamente não tenho prazer na morte do ímpio; mas antes na sua conversão, em que ele se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos. Por que haveis de morrer, ó casa de Israel” (Ez 33,11). Já Lucas nos apresenta as seguintes palavras de Jesus: “Os sãos não têm necessidade de médico e sim os doentes; não vim chamar os justos, mas sim os pecadores, ao arrependimento” (Lc 5,31).
Cristo tem uma proposta concreta, baseada no mandamento do amor. Esta proposta se concretiza em várias dimensões:
PERDÃO – Deus nos perdoa e vem fazer-se presente no meio de nós. Ele mostra que o perdão é essencial como caminho, como condição para voltar à verdadeira vida. Cristo é a união de Deus com os homens e disse: “Eu vim para que todos tenham vida” ( Jo 10,10).
ANÚNCIO DA BOA NOVA – Cristo ensina ao mundo qual é a Vontade de Deus, ou seja, o que é essencial para a vida do ser humano.
TESTEMUNHO – Cristo dá a sua vida pela nossa vida. Testemunha, vive tudo o que fala, e finalmente morre na cruz para nos reconciliar plenamente com Deus.
VIDA ETERNA – Ressurreição. Nos dá a razão, o sentido da fé. Garante-nos a eternidade.
 Cristo mostra que todos são filhos de Deus e têm os mesmos direitos diante de Deus. Sua proposta é de fraternidade, de encontro e união entre todos. Para que isto aconteça, Ele propõe o AMOR: amor a tal ponto de amar os inimigos. Sua proposta é radical. Vai contra os valores individualistas do mundo.
A fim de que mude a situação de pecado é necessário que haja a conversão. A conversão é um “parto doído”, um sair das estruturas de pecado (do individualismo), para entrar numa nova estrutura: a comunidade do amor.
Nós já fomos perdoados por Cristo, através do seu mistério Pascal. Pelo Batismo assumimos o compromisso com Cristo: tornamo-nos cristãos. Somos herdeiros de Deus, elevados por Cristo à condição de filhos (cf. Gal 4, 1-7).
Ser cristão é reproduzir hoje a imagem de Cristo em nós. É perdoar a ponto de amar o inimigo. É anunciar ao mundo a Boa Nova que assumimos, testemunhando-a com a vida. Fazer do Evangelho, dos valores do reino a nossa conduta de vida. Viver o Evangelho no mundo de hoje como viveram as primeiras comunidades cristãs em seu tempo e em seu mundo (cf. At 2, 42 ss). Encontrar formas de mostrar ao mundo de hoje os valores nops quais nós acreditamos. Ter uma postura de vida coerente: traduzir a fé em gestos concretos, em atitude permanente.      Tantas vezes temos medo de ser diferentes. Esquecemos que se é necessário conversão, temos que ser o testemunho vivo daquilo que diferencia a situação.
Ser cristão hoje, necessita “nadar contra a correnteza” que o mundo apresenta. E o próprio cristo nos alerta que o mundo nos odiará. Por isso Ele pede para vigiarmos sem cessar.
Portanto, é necessário perseverar na luta. E todos sabemos como isso é difícil. Mas o próprio Cristo nos mostra que o reino de Deus é conquistado com esta força: a força da nossa vontade, consoante com a vontade e a graça de Deus que se faz presente.
Para isso, necessitamos da oração, da leitura e reflexão da Palavra de Deus, do silêncio e da escuta, a fim de descobrirmos a Vontade de Deus que nos levará à caridade, à vivência desta proposta.
Tudo isto começa pela fé em Jesus Cristo. Como poderemos manifestar o nosso testemunho ao mundo se não estivermos convictos de que aquilo no que e em Quem acreditamos é a Verdade?
Nós afirmamos que Deus é Amor, é Vida, é Pai. Não estamos satisfeitos com a situação do mundo hodierno. Dizemos que o Evangelho é Verdade... Mas, nos perguntemos agora: quanto tempo por dia dedicamos à leitura e à meditação da Verdade – da Palavra de Deus? Como está a nossa freqüência à Eucaristia? Como tornamos presente, no cotidiano da vida, o Cristo que recebemos na Palavra e na eucaristia? Façamos um exame de consciência.
Nós, cristãos, temos as três grande virtudes: Fé, Esperança e Caridade. Estas virtudes nos identificam como cristãos. Mas, se não as vivermos, que esperança, que sinal seremos para o mundo? Não seremos sal e luz para o mundo. Como é triste um cristão sem esperanças!
Se a nossa vida no dia-a-dia, o nosso modo de ser e de viver, a partirem das menores coisas e momentos que sejam, a nossa honestidade, coerência, caridade, fidelidade, não esquentarem o coração das pessoas, não as atraírem para Deus, estamos sendo falsos cristãos, nossa vida não está sendo de acordo com a nossa fé.
Nosso momento é agora. Não importa os passos dados, mas os que estamos e estaremos dando a partir de agora.
Que São Paulo, o perseguidor que converteu-se no maior missionário e testemunho de Cristo de todos os tempos, nos sirva de modelo e inspiração em nossa vivência cristã do dia-a-dia.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

São João da Cruz


14 de Dezembro
O santo deste dia é conhecido como "doutor místico": São João da Cruz. Nasceu em Fontiveros, na Espanha, em 1542. Seus pais, Gonçalo e Catarina, eram pobres tecelões. Gonçalo morreu cedo e a viúva teve de passar por dificuldades enormes para sustentar os três filhos: Francisco, João e Luís, sendo que este último morreu quando ainda era criança. Como João de Yepes (era este o seu nome de batismo) mostrou-se inclinado para os estudos, a mãe o enviou para o Colégio da Doutrina. Em 1551, os padres jesuítas fundaram um colégio em Medina (centro comercial de Castela). Nele, esse grande santo estudou Ciências Humanas. 


Com 21 anos, sentiu o chamado à vida religiosa e entrou na Ordem Carmelita, na qual pediu o hábito. Nos tempos livres, gostava de visitar os doentes nos hospitais, servindo-os como enfermeiro. Ocasião em que passou a ser chamado de João de Santa Maria. Devido ao talento e à virtude, rapidamente foi destinado para o colégio de Santo André, pertencente à Ordem, em Salamanca, ao lado da famosa Universidade. Ali estudou Artes e Teologia. Foi nesse colégio nomeado de "prefeito dos estudantes", o que indica o seu bom aproveitamento e a estima que os demais tinham por ele. Em 1567 foi ordenado sacerdote.

Desejando uma disciplina mais rígida, São João da Cruz quase saiu da Ordem para ir ingressar na Ordem dos Cartuxos, mas, felizmente, encontrou-se com a reformadora dos Carmelos, Santa Teresa D'Ávila, a qual havia recebido autorização para a reforma dos conventos masculinos. João, empenhado na reforma, conheceu o sofrimento, as perseguições e tantas outras resistências. Chegou a ficar nove meses preso num convento em Toledo, até que conseguiu fugir. Dessa forma, o santo espanhol transformou, em Deus e por Deus, todas as cruzes num meio de santificação para si e para os irmãos. Três coisas pediu e acabou recebendo de Deus: primeiro: força para trabalhar e sofrer muito; segundo: não sair deste mundo como superior de uma comunidade; e terceiro: morrer desprezado e escarnecido pelos homens. 

Pregador, místico, escritor e poeta, esse grande santo da Igreja faleceu após uma penosíssima enfermidade, em 1591, com 49 anos de idade. Foi canonizado no ano de 1726 e, em 1926, o Papa Pio XI o declarou Doutor da Igreja. Escreveu obras bem conhecidas como:Subida do Monte Carmelo; Noite escura da alma (estas duas fazem parte de um todo, que ficou inacabado); Cântico espiritual e Chama viva de amor. No decurso delas, o itinerário que a alma percorre é claro e certeiro. Negação e purificação das suas desordens sob todos os aspectos. 

São João da Cruz é o Doutor Místico por antonomásia, da Igreja, o representante principal da sua mística no mundo, a figura mais ilustre da cultura espanhola e uma das principais da cultura universal. Foi adotado como Patrono da Rádio, pois, quando pregava, a sua voz chegava muito longe.

São João da Cruz, rogai por nós!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Maria, Rainha do Céu e da Terra


Por ser mãe do Rei, constituído por Deus sobre todas as obras de suas mãos, é evidente que também Maria fosse constituída Rainha, possuindo, com direito, todo o reino do Filho. Como não possuir o reino do Filho aquela que possui inteiramente o próprio Filho?¹.
Antes de tudo, Maria é Rainha dos anjos – como canta a Igreja – por causa de sua excelência e dignidade, por eminência de graça e virtudes, por título de autoridade real. Isso se comprova mediante a reverência que lhe manifestam os próprios anjos. Tal reverência está clara, por exemplo, no fato de o Arcanjo Gabriel saudá-la com profunda veneração e respeito.
A realeza de Maria, porém, se estende também sobre a terra, ou seja, sobre todos os seres humanos. A mãe não pode estar, de modo algum, separada do poder real do Filho. Única é a carne de Maria e de Cristo, único o espírito e única a caridade. Desde o momento em que foi dito “o Senhor está contigo” (Lc 1,28), se tornaram inseparáveis promessa e dom. Portanto, pode-se concluir que a glória do Filho não somente é comum com a Mãe, mas é também a mesma.
Que ampla perspectiva se abre, então, para a consideração do amor de Maria por nós e de sua vontade de salvar nossas almas! Não há necessidade de fazer tantos raciocínios. Estamos diante de um campo aberto a todos e facilmente transitável. Entremos nele com nossas reflexões pessoais para descobrir sua amplitude, gozar de sua amenidade e alimentar-nos de os seus preciosos e salutares frutos.²
O que custa a Maria pedir, o que custa a Jesus conceder-nos qualquer espécie de graça?³

Notas
1 Cf. Ruperto de Deutz, Em Cântico dos Cânticos, L. III: PL 168, 877.
2 Pregações à juventude, n. 29: o nome de Maria, MS 1081-1090; PVC, p 315-9.
3 Diário Pessoal [Memorial Privado], p. 166: anotação de 18.05.1810.

sábado, 12 de novembro de 2011

A santidade para Madre Teresa de Calcutá

Madre Teresa de Calcutá possui esta belíssima e profunda reflexão sobre a santidade:
As pessoas dizem um monte de coisas inteligentes, grandiosas, belas, maravilhosas, enquanto eu digo coisas aparentemente bobas, coisas que até crianças podem compreender. E, no entanto, as pessoas são infladas por estas palavras, porque conseguem compreendê-las e torná-las suas, pois a santidade não é um luxo para poucos escolhidos.
A santidade é um dever para todos, para vós e para mim. Mas o que é a santidade? A santidade é aceitar  a vontade de Deus com um grande sorriso…Nisso ela se resume.
Aceitar a vontade de Deus, aceitá-lo quando surge em nossa vida, aceitar que tome de nós o que quiser, aceitar que nos use como quiser…sem nos consutar. Mas, infelizmente, queremos ser consultados!
A santidade é deixar que Ele nos use, que se sirva de nós, nos faça em pedaços, nos esvazie completamente de nós mesmos.”
Sábias palavras de Madre Teresa!! A santidade não é  um privilégio de poucos…os santos foram também pecadores como nós, que um dia souberam  aceitar a vontade de Deus com alegria, mesmo nos momentos de provações e perseguições.
O Papa Bento XVI, baseando-se em São João da Cruz afirmou:
A santidade não é uma obra nossa, muito difícil, mas é exatamente essa “abertura”: abrir as janelas da nossa alma para que a luz de Deus possa entrar, não esquecer de Deus, porque exatamente na abertura à sua luz se encontra a força, se encontra a alegria dos remidos. Peçamos ao Senhor para que nos ajude a encontrar essa santidade, deixemo-nos amar por Deus, que é a vocação de nós todos e a verdadeira redenção”.
Assim, podemos dizer que a santidade está nesse “esvaziar-se de nós mesmos”, e na abertura do nosso coração à Deus. A santidade está na simplicidade de quem mantém um coração de criança, como nos disse Jesus: “Deixai as crianças virem a mim. Não as impeçais, porque a pessoas assim é que pertence o Reino de Deus.”
Salve Maria!!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Santa Teresa de Jesus dos Andes (1900-1920)

Virgem Carmelitana Descalça 

A jovem que hoje a Igreja glorifica com o titulo de Santa é um profeta de Deus para os homens e mulheres do nosso tempo. Teresa de Jesus dos Andes  põe-nos diante dos olhos o testemunho vivo do Evangelho, encarnado até às últimas exigências na sua própria vida.
Ela é, para a humanidade, prova indiscutível de que a chamada de Cristo à santidade é atual, possível e verdadeira. Ela ergue-se diante de nós para demonstrar que a radicalidade do seguimento de Cristo é o único que vale a pena e o único capaz de fazer-nos felizes.
Teresa dos Andes, com a eloquência duma vida intensamente vivida, confirma-nos que Deus existe, que Deus é amor e alegria, que é a nossa plenitude.
Nasceu em Santiago do Chile a 13 de Julho de 1900. No Batismo foi-lhe dado o nome de Joana Henriqueta Josefina dos Sagrados Corações Fernández Solar. Familiarmente era conhecida, e é-o ainda hoje, pelo nome de Juanita.
Viveu uma infância normal no seio da família: os pais, Miguel Fernández e Lucia Solar; três irmãos e duas irmãs; o avô materno, tios, tias e primos.
A família gozava de boa posição econômica e guardava fielmente a fé cristã que vivia com sinceridade e constância.
Joana recebeu a sua formação escolar no colégio das Irmãs francesas do Sagrado Coração. Uma curta e intensa história passada entre a família e o colégio. Aos catorze anos, movida por Deus, já ela se decidiu a consagrar-se a Ele como religiosa, em concreto, como carmelita descalça.
Este seu desejo veio a realizar-se a 7 de Maio de 1919, quando entrou no pequeno mosteiro do Espírito Santo na povoação de Los Andes, a cerca de 90 kms de Santiago.
Vestiu o hábito de carmelita no dia 14 de Outubro desse mesmo ano, iniciando assim o noviciado com o nome de Teresa de Jesus.
Tinha intuído, havia muito, que morreria jovem. Melhor, o Senhor tinha-lho revelado, como comunicou ao confessor um mês antes da sua partida para Ele.
Assumiu este anúncio com alegria, serenidade e confiança, certa de que na eternidade continuaria a sua missão de fazer conhecer e amar a Deus.
Após muitas tribulações interiores e indizíveis padecimentos físicos, causados por um violento ataque de tifo que lhe consumiu a vida, passou deste mundo para o Pai no entardecer do dia 12 de Abril de 1920. Tinha recebido com sumo fervor os santos sacramentos da Igreja e no dia 7 de Abril fez a profissão religiosa em artigo de morte. Faltavam-lhe ainda três meses para completar os 20 anos de idade e 6 para terminar o noviciado canônico e poder emitir juridicamente os votos religiosos. Morreu, portanto, sendo noviça carmelita descalça.
Esta é a trajetória externa desta jovem chilena de Santiago. Desconcerta e desperta em nós uma grande interrogação: Mas, que fez ela de importante? Para tal pergunta, uma resposta igualmente desconcertante: viver, crer, amar.
Quando os discípulos perguntaram a Jesus sobre o que deviam fazer para cumprir as obras de Deus, Ele respondeu: " A obra de Deus é que acrediteis n'Aquele que Ele enviou " (Jo. 6, 28-29). Portanto, para aperceber-nos do valor da vida de "Juanita", é necessário assomar-nos ao seu interior, ali onde o Reino de Deus está.
Ela abriu-se à vida da graça desde mui tenra idade. E ela mesma que nos assegura que aos 6 anos, movida pelo Senhor, conseguiu centrar n'Ele toda a riqueza da sua afetividade. "Quando se deu o terremoto de 1906, pouco depois, Jesus começou a apoderar-se do meu coração" (Diario, n. 3, p. 26). Juanita aliava uma enorme capacidade de amar e de ser amada a uma extraordinária inteligência. Deus fê-la experimentar a sua presença, cativou-a dando-se-lhe a conhecer e fê-la totalmente d'Ele, unindo-a ao sacrifício da cruz. Conhecendo-O, amou-O; e amando-O, entregou-se radicalmente a Ele.
Tinha compreendido, já desde pequena, que o amor se mostra mais com obras que com palavras. Por isso traduziu-o em todos os atos da própria vida, desde a sua motivação mais profunda. Olhou-se a si mesma de frente com olhos sinceros e sábios e compreendeu que, para ser de Deus, era necessário morrer para si mesma e para tudo o que não fosse Ele.
Por natureza era totalmente adversa às exigências do Evangelho: orgulhosa, egoísta, teimosa, com todos os defeitos que isto supõe. Como nos acontece a todos. Mas o que ela fez de diferente foi não esmorecer nunca na luta encarniçada contra todo o impulso não nascido do amor.
Aos 10 anos era uma nova pessoa. Motivava-a o sacramento da Eucaristia que ia receber.
Compreendeu que era Deus que ia morar dentro dela; e isso fê-la empenhar todo o esforço em ornar-se das virtudes que a fizessem menos indigna desta graça e conseguiu, em pouquíssimo tempo, transformar por completo o seu caráter.
Na celebração deste Sacramento recebeu de Deus graças místicas de falas interiores que persistiram ao longo de toda a vida. Desde então, a inclinação natural para Deus transformou-se nela em amizade, em vida de oração.
Quatro anos mais tarde recebeu interiormente a revelação que iria orientar definitivamente toda a sua vida: Jesus Cristo disse-lhe que a queria carmelita e que a sua meta tinha de ser a santidade.
Com abundante graça de Deus e a generosidade duma jovem apaixonada, entregou-se à oração, à aquisição das virtudes e à prática da vida segundo o Evangelho, de tal modo que em breves anos foi elevada a alto grau de união com Deus.
Cristo foi o seu ideal, o seu único ideal. Enamorou-se d'Ele e foi consequente até crucificar-se em cada momento por Ele. Invadiu-a O amor esponsal e, por isso, o desejo de unir-se plenamente a Quem a havia cativado. Assim, aos 15 anos fez voto de virgindade por nove dias, que renovou depois continuamente.
A santidade da sua vida resplandeceu nos atos ordinários de cada dia em qualquer ambiente onde viveu: a família, o colégio, as amigas, os vizinhos com quem passava parte das suas férias e a quem, com zelo apostólico, catequizou e ajudou.
Sendo jovem igual a todas as suas amigas, estas reconheciam-na diferente. Tomaram-na por modelo, apoio e conselheira. Juanita sofreu e gozou intensamente em Deus as penas e alegrias comuns a todas as pessoas.
Jovial, alegre, simpática, atraente, desportista, comunicativa. Adolescente ainda, alcançou perfeito equilíbrio psicológico e espiritual, como fruto de ascese e oração. A serenidade do seu rosto era o reflexo do Deus que nela vivia.
A sua vida no convento, de 7 de Maio de 1919 até à morte, foi o último degrau da sua ascensão ao cume da santidade. Nada mais que onze meses bastaram para consumar uma vida totalmente cristificada.
Bem depressa a Comunidade descobriu nela a passagem de Deus na sua própria história. No estilo de vida carmelitano-teresiano, a jovem encontrou plenamente o espaço por onde derramar, com a maior eficácia, a torrente de vida que ela queria oferecer à Igreja de Cristo. Era o mesmo estilo de vida que, a seu modo, vivera na família e a que se sentia chamada. A Ordem da Virgem Maria do Monte Carmelo culminou os desejos de Juanita ao comprovar que a Mãe de Deus, a quem amou desde pequena, a tinha atraído para pertencer-lhe.
Foi beatificada em Santiago do Chile por Sua Santidade o Papa João Paulo II, no dia 3 de Abril de 1987. Os seus restos são venerados no Santuário de Auco-Rinconada dos Andes por milhares de peregrinos que buscam e encontram nela a consolação, a luz, e o caminho reto para Deus.
Santa Teresa de Jesus nos Andres  é a primeira Santa chilena, a primeira Santa carmelita descalça de além fronteiras da Europa e a quarta Santa Teresa do Carmelo, depois das Santas Teresas de Avila, de Florença e de Lisieux.

Fonte: A Santa Sé

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Contigo ao meu lado, tudo posso!


“Senhor, ontem vi claramente que só recorrendo a Ti se aprende; que só Tu dás forças nas provas e tentações, e que somente aos pés da Cruz, vendo-Te cravado nela, se aprende a perdoar, se aprende humildade, caridade e mansidão.

Não me esqueças, Senhor...Olha-me prostrado aos Teus pés e concede o que Te peço.

Venham logo desprezos, venham humilhações, venham açoites da parte das criaturas...Que me importa? Contigo ao meu lado posso tudo. A portentosa, a admirável, a inenarrável lição que Tu me ensinas da Tua Cruz, me dá forças para tudo.

A Ti, te cuspiram, Te insultaram, Te açoitaram, Te cravaram em um Madeiro e, sendo Deus, perdoavas; Humilde, calavas; e ainda Te oferecias...Que poderei dizer eu de Tua Paixão? Mais vale que nada diga e que dentro de meu coração medite nessas coisas que o homem não pode chegar jamais a compreender.

Contente-me, eu, com amar profundamente, apaixonadamente, o Mistério da Tua Paixão, e aprenda a sofrer da maneira que Tu fizeste. Já sei que isso é o impossível dos impossíveis, mas olha, Senhor, minha intenção”.


St. Rafael Arnaiz


Dos escritos de Rafael
07 de abril de 1938

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

"Totus Tuus" Respiro da Alma do Beato João Paulo II


O lema Totus tuus, que resume toda a espiritualidade cristocêntrica e mariana de São Luís Maria Grignion de Montfort (1673-1716), foi o fio condutor de toda a vida do (Beato) João Paulo II. O santo francês e o seu grande discípulo polonês são dois exemplos luminosos da mesma santidade sacerdotal, de uma vida inteiramente vivida no amor de Jesus e aos irmãos sob guia maternal de Maria. Totus tuus! Duas palavras que são uma oração endereçada a Jesus por meio de Maria e de seu Coração Imaculado. É um ato de amor como um dom total de si.
Na vida de Karol Wojtyla, este “Totus tuus” transformou-se em respiração de sua alma, e batida do seu coração a partir de 1940 quando descobriu, com a idade de vinte anos, o Tratado de Montfort. Muitas vezes, João Paulo II contara tudo isso. Fê-lo de modo especial em 1996, por ocasião do seu 50º aniversário sacerdotal no livro Dom e Mistério. Segundo o seu testemunho, foi um leigo, Jan Tyranowski – agora Servo de Deus – que o fez conhecer o Tratado e as obras de São João da Cruz, abrindo-o a mais profunda vida espiritual, nos duríssimos anos da ocupação nazista na Polônia. O jovem Karol tinha que trabalhar como operário numa fábrica, descobrindo progressivamente a sua vocação ao sacerdócio.
Falando deste período, João Paulo II insistia sobre o “fio mariano” que guiou toda sua vida desde a infância, na sua família, na sua paróquia, na devoção carmelita ao escapulário e a devoção salesiana a Maria Auxiliadora. A descoberta do Tratado, recorda o próprio Papa polonês, ajudou-o a dar um passo decisivo no seu caminho mariano, superando uma certa crise. “Tive um momento no qual coloquei em discussão o meu culto por Maria, considerando que esse, dilatando-se excessivamente, terminava por comprometer a supremacia do culto devido a Cristo. Veio-me então de ajuda um livro de São Luís Maria Grignion de Montfort que tem o título de Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. Neste encontrei a resposta às minhas perplexidades. Sim, Maria nos aproxima a Cristo, nos conduz a Ele, com a condição que se viva o seu mistério em Cristo (...). O autor é um teólogo de classe. O seu pensamento mariológico é enraizado no mistério trinitário e na verdade da Encarnação do Verbo (...). Eis explicada a proveniência do “Totus tuus”. A expressão provém de São Luís de Montfort. É a abreviação da forma mais completa de abandono à Mãe de Deus que soa assim: Totus tuus ego sum et omni-a mea tua sunt. Accipio te in mea omnia. Praebe mihi cor tuum, Maria" (Dom e mistério, pp. 38-39).
 Estas palavras em latim, continuamente rezadas e reescritas por Karol Wojtyla nas primeiras páginas de seus manuscritos, se encontram no fim do Tratado de Montfort, quando o santo convida o fiel a viver a Comunhão Eucarística com Maria e em Maria. É necessário também sublinhar que este “Totus tuus” transforma-se para sempre, de 1940 a 2005, como a linha diretiva de toda a vida de Karol Wojtyla, como seminarista e sacerdote e depois como Bispo e Papa. Quando em 1958 é nomeado, por Pio XII, Bispo auxiliar de Cracóvia, escolhe já o “Totus tuus” como lema episcopal, junto ao brasão que simboliza Cristo redentor e Maria junto a Ele, o mesmo que conservará como Papa. E, sobretudo o viverá até ao fim, nos grandes sofrimentos dos últimos meses. Depois da traqueotomia, não podendo mais falar, escreverá por fim as palavras Totus tuus. Sabemos também, de pessoas mais próximas a ele, que lia todos os dias um trecho do Tratado.
Nos seus escritos, João Paulo II fez frequente referência a São Luís Maria, como por exemplo, na Redemptoris Mater (n. 48). Mas, de um modo particular, perto do fim de seu pontificado, deixou-nos uma belíssima síntese da doutrina interpretada à luz do Concílio Vaticano II, na sua Carta aos religiosos e religiosas das famílias monfortinas de 08/12/03. É talvez o texto que mais nos ilumina para entendermos o significado teológico profundo do “Totus tuus” e do brasão episcopal.
A “perfeita devoção a Maria” ensinada por São Luís consiste essencialmente na doação total de si expressada no “Totus tuus”, integrando todas as boas práticas de devoção, especialmente o rosário. Mas o mais profundo é a “prática interior”, vida interior, um caminho de vida espiritual profunda que deve levar à santidade. Não existe dúvida que João Paulo II tenha vivido esta espiritualidade mariana no nível mais alto da união transformante com Cristo. O pedido “Praebe mihi cor tuum”, foi atendido. O próprio São Luís Maria, que possui a maravilhosa experiência dessa “identificação mística com Maria” espera que a sua doutrina daria muitos frutos nos séculos sucessivos da Igreja. Apresentando os “efeitos maravilhosos” (TDV, 213-225) desta “perfeita devoção” S. Luís Maria nos mostra como a pessoa que vive plenamente o “Totus tuus” caminha com Maria na via da humildade evangélica, que é via de amor, de fé e de esperança. No final de sua Carta aos religiosos e religiosas das famílias monfortinas, João Paulo II sintetiza este ensinamento do Tratado sempre à luz da Lumen Genti-um. A santidade à qual todos são chamados não é outra que a perfeição da caridade. Nesta vida sobre a terra, a humildade é a maior característica da caridade. “É próprio do amor rebaixar-se”, escrevia S. Teresinha de Lisieux no início de sua História de uma alma. É o mesmo amor de Deus que em Jesus se faz pequeno e pobre do presépio até a Cruz. E é o significado profundo da “Santa Escravidão de Amor”.

O ponto final da Lumen Gentium é a contemplação de “Maria, símbolo de certa esperança e de consolação para o povo de Deus em peregrinação” (n. 68-69). Nesta luz termina também a Carta à Família Monfortina de João Paulo II, citando as últimas linhas da Lumen Gentium e resumindo a doutrina de Montfort sobre a esperança vivida com Maria, defendendo-o em particular contra a injusta acusação de “milenarismo”. E se recorda como, na antífona Salve Rainha, a Igreja chama a Mãe de Deus “Esperança nossa”.
Em todas as dificuldades da vida sacerdotal, Maria é e sempre será a âncora de esperança, uma esperança segura para o futuro da Igreja e para a salvação do mundo. Assim também o Papa Bento XVI, que quis fortemente o Ano Sacerdotal, apresentou Maria no final de sua encíclica Spe salvi como a “Estrela da Esperança” (n. 49-50).
Fonte: L'Osservatore Romano

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Magnificat



Magnificat, um dos cânticos da Igreja cristã que se pronuncia nas vésperas (entardecer) e um hino jubiloso de louvores. Foi inspirado no relato do encontro entre Maria, mãe de Jesus, e sua prima Isabel, mãe de João Batista, no Evangelho segundo são Lucas.(1,46-55).





Texto original em latim

Magnificat anima mea Dominum
Et exultavit spiritus meus in Deo salutari meo.
Quia respexit humilitatem ancillæ suæ: ecce enim ex hoc beatam me dicent omnes generationes.
Quia fecit mihi magna qui potens est, et sanctum nomen eius.
Et misericordia eius a progenie in progenies timentibus eum.
Fecit potentiam in brachio suo, dispersit superbos mente cordis sui.
Deposuit potentes de sede et exaltavit humiles.
Esurientes implevit bonis et divites dimisit inanes,
Suscepit Israel puerum suum recordatus misericordiæ suæ,
Sicut locutus est ad patres nostros, Abraham et semini eius in sæcula.



Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto
Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum.
Amen.

Tradução para Português 


Minha alma glorifica o Senhor,
E meu espírito exultou em Deus meu salvador;
Porque atentou na humildade de sua serva,
Eis que me chamam abençoada todas as gerações,
Porque me fez grandes coisas o poderoso, e santo é seu nome,
E sua misericórdia se estende à progênie dos que o temem;
Fez portentos em seu braço, dissipou os soberbos de coração;
Depôs dos tronos os poderosos, e elevou os humildes;
Encheu de bens os famintos, e os ricos despediu vazios;
Amparou Israel, seu servo, recordado de sua misericórdia,
Como prometeu a nossos pais, a Abraão e à sua posteridade para sempre.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Tendência religiosa tradicional na juventude surpreende jornal americano.

O jornal laico  “The New York Times” ficou pasmo quando ouviu as seguintes palavras de Mary Kate, 18, estudante que renunciou à prestigiosa e cara Universidade de Harvard para entrar como noviça nas Irmãs Dominicanas de Maria Mãe da Eucaristia, em Michigan:
“Nós rezamos o terço na mesma hora todos os dias. Você essencialmente vai repetindo as palavras que o Arcanjo Gabriel disse a Nossa Senhora. Essas são as palavras mais importantes da História.
“A distração é normal e você tem que dar um jeito de combatê-la. Deus é nosso Pai e é tão misericordioso conosco. Assim, quando eu me distraio, digo “oh, perdão!”, e me volto para Ele, porque eu sei que Ele compreende que eu sou sua filha e que eu sou débil.

“Rezar o terço também ensina a guardar o silêncio. Você fica realmente tranqüila diante daquilo que é realmente verdadeiro durante alguns minutos.”
O referido jornal, um dos maiores ícones da mídia mundial e que sempre procura apresentar a juventude como puramente debochada e revolucionária, ficou tão impressionado que reproduziu o testemunho da jovem por completo, com grande foto de uma postulante rezando o terço num convento tradicional.
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