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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Santa Maria, Mãe de Deus

O Verbo de Deus veio em auxílio da descendência de Abraão, como diz o Apóstolo. Por isso devia fazer-se em tudo semelhante aos irmãos (Hb 2,16-17) e assumir um corpo semelhante ao nosso. Eis por que Maria está verdadeiramente presente neste mistério; foi dela que o Verbo assumiu, como próprio, aquele corpo que havia de oferecer por nós. A Sagrada Escritura, recordando este nascimento, diz: Envolveu-o em panos (Lc 2,7); proclama felizes os seios que o amamentaram e fala também do sacrifício oferecido pelo nascimento deste Primogênito. O anjo Gabriel, com prudência e sabedoria, já o anunciaram a Maria; não lhe disse simplesmente: aquele que nascer em ti, para não se julgar que se tratava de um corpo extrínseco nela introduzido; mas: de ti (cf. Lc 1, 35Vulg.), para se acreditar que o fruto desta concepção procedia realmente de Maria.

Assim foi que o Verbo, recebendo nossa natureza humana e oferecendo-a em sacrifício, assumiu-a em sua totalidade, para nos revestir depois de sua natureza divina, segundo as palavras do Apóstolo: É preciso que este ser corruptível se vista de incorruptibilidade; é preciso que este ser mortal se vista de imortalidade (1Cor 15,53).

Estas coisas não se realizaram de maneira fictícia, como julgam alguns, o que é inadmissível! Nosso Salvador fez-se verdadeiro homem, alcançando assim a salvação do homem na sua totalidade. Nossa salvação não é absolutamente algo de fictício, nem limitado só ao corpo; mas realmente a salvação do homem todo, corpo e alma, foi realizada pelo Verbo de Deus.

A natureza que ele recebeu de Maria era uma natureza humana, segundo as divinas Escrituras, e o corpo do Senhor era um corpo verdadeiro. Digo verdadeiro, porque era um corpo idêntico ao nosso. Maria é portanto nossa irmã, pois todos somos descendentes de Adão.

As palavras de João: O Verbo se fez carne (Jo 1,14) têm o mesmo sentido que se pode atribuir a uma expressão semelhante de Paulo: O Cristo fez-se maldição por nós (cf. Gl 3,13). Pois da intima e estreita união com o Verbo, resultou para o corpo humano em engrandecimento sem par: de mortal tornou-se imortal; sendo animal, tornou-se espiritual; terreno, transpôs as portas do céu.

Contudo, mesmo tendo o Verbo tomado um corpo no seio da Maria, a Trindade continua sendo a mesma Trindade, sem aumento nem diminuição. É sempre perfeita, e na Trindade reconhecemos uma só Divindade; assim, a Igreja proclama um único Deus no Pai e no Verbo. 

-- Das Cartas de Santo Atanásio, bispo (século IV) 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Imaculada Conceição


08 de Dezembro dia da Imaculada Conceição

Como os demais, este também, e que tem mais do que os outros privilégios de Maria Santíssima é ferozmente negado pelos seguidores de Lutero - como poderia uma simples mulher fugir da lei do pecado e da universalidade da Redenção que abarca todos os homens?

- É esta aparente oposição entre um dogma de Fé certo – a necessidade universal da Redenção – e o fato de uma santificação que foge desse generalização – que dá, aos fiéis de Lutero, uma tintura de argumento.

Na realidade não há oposição nenhuma. João Scoto, o grande mestre franciscano da Idade Média, reúne numa frase toda a economia da Graça no caso. Potuit – diz ele – debuit, ergo fecit. – Deus pôde fazer – isto é, a Onisciência e Onipotência de Deus tinha meios de conciliar a pureza imaculada de Maria Santíssima com a universalidade da Redenção.

Se Ele, Deus, tinha os meios, estava na obrigação de aplicá-los, “debuit”. Pois não se explicaria como Deus viesse a faltar com a reverência à progenitora de Seu Filho Encarnado o que ocorreria, caso a Virgem Maria, por um instante sequer, se visse manchada com pecado.

Portanto – “ergo” – Deus preservou-a de todo pecado.

Maria Santíssima é Imaculada desde o momento em que foi concebida, ou seja, em que sua alma bendita, criada por Deus, se uniu ao se Corpo sem manchas.

Assim, Maria Santíssima é a Imaculada Conceição. Remida por Jesus cristo, com uma remissão preservativa, como o detento que deveria ser trancafiado, de fato, por um privilégio, não o é. Embora devendo contrariar o pecado original dele isento, pela onipotência da graça de seu Divino Filho. É pois, Santíssima sem derrogar nada nas relações entre o Céu e a Terra.

Eis que, com toda alegria e confiança, cantamos.

“Com teu poder ó Virgem ilibada Quebrantaremos do inferno seu furor.”

(a) + Antonio de Castrro Mayer, Bispo Emérito de Campos
em 08 de dezembro de 1985 


Histórico do Dogma da Imaculada Conceição


A Imaculada Conceição de Nossa Senhora

08 de Dezembro


O pecado original é uma realidade misteriosa e pouco evidente para nós enquanto comporta um prolongamento da culpa dos progenitores a todos nós. Neste dia nós o consideramos na sua conspícua exceção ou melhor no seu singular privilégio concedido a Maria, que foi dele preservada desde o primeiro instante de sua concepção, de sua existência humana. O valor doutrinal desta festividade é manifesto na oração da Missa da Imaculada Conceição, que sublinha o privilégio concedido à futura Mãe de Deus; "Ó Deus, que pela Imaculada Conceição da Virgem preparastes ao vosso Filho uma morada digna dele...", e a própria natureza deste privilégio, enquanto não subtrai Maria à Redenção universal efetuada por Cristo: "Vos que a preservastes de toda a mancha na previsão da morte do vosso Filho..."

Antes que Pio IX com a bula Ineffabilis Deus de1854 definisse solenemente o dogma da Imaculada Conceição, não obstante as hesitações de alguns teólogos, que podiam apelar para o próprio santo Tomás de Aquino, tinha-se chegado a um desenvolvimento não só da devoção popular para com a Imaculada mas também nas intervenções dos papas a favor desta celebração. Antes que o calendário romano incluísse a festa em 1476, esta já havia aparecido no Oriente no século sétimo, e contemporaneamente, na Itália meridional dominada pelos bizantinos.

Em 1570, S. Pio V publicou o novo Ofício e finalmente em 1708 Clemente XI estendeu a festa, tornando-a obrigatória, a toda a cristandade. Mas desde a origem do cristianismo Maria foi venerada pelos fiéis como a TODA SANTA. No primeiro esboço da festa litúrgica da Conceição, anterior ao século sétimo, nota-se, se não a profissão explícita da isenção da culpa original, pelo menos uma persuasão teologicamente equivalente. "Potuit, decuit, ergo fecit", havia argumentado um brilhante teólogo medieval: "Deus podia faze-lo, convinha que o fizesse, portanto o fez." Do infinito amor de Cristo para com a Mãe, que a pré-redimiu e acumulou do Espírito Santo desde o primeiro instante da sua existência, derivou este singular privilégio, que a Igreja hoje celebra para nos fazer meditar não só sobre a beleza de toda alma santificada pela graça redentora de Cristo. 

Quatro anos após a proclamação do dogma da Imaculada Conceição, a Virgem apareceu a Santa Bernadete Soubirous. Para a menina que, timidamente perguntava: "Senhora, quer ter a bondade de me dizer o seu nome?", Maria respondeu: "Eu sou a Imaculada Conceição." 



Administração Apostólica P. S. J. Vianney

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Maria, Rainha do Céu e da Terra


Por ser mãe do Rei, constituído por Deus sobre todas as obras de suas mãos, é evidente que também Maria fosse constituída Rainha, possuindo, com direito, todo o reino do Filho. Como não possuir o reino do Filho aquela que possui inteiramente o próprio Filho?¹.
Antes de tudo, Maria é Rainha dos anjos – como canta a Igreja – por causa de sua excelência e dignidade, por eminência de graça e virtudes, por título de autoridade real. Isso se comprova mediante a reverência que lhe manifestam os próprios anjos. Tal reverência está clara, por exemplo, no fato de o Arcanjo Gabriel saudá-la com profunda veneração e respeito.
A realeza de Maria, porém, se estende também sobre a terra, ou seja, sobre todos os seres humanos. A mãe não pode estar, de modo algum, separada do poder real do Filho. Única é a carne de Maria e de Cristo, único o espírito e única a caridade. Desde o momento em que foi dito “o Senhor está contigo” (Lc 1,28), se tornaram inseparáveis promessa e dom. Portanto, pode-se concluir que a glória do Filho não somente é comum com a Mãe, mas é também a mesma.
Que ampla perspectiva se abre, então, para a consideração do amor de Maria por nós e de sua vontade de salvar nossas almas! Não há necessidade de fazer tantos raciocínios. Estamos diante de um campo aberto a todos e facilmente transitável. Entremos nele com nossas reflexões pessoais para descobrir sua amplitude, gozar de sua amenidade e alimentar-nos de os seus preciosos e salutares frutos.²
O que custa a Maria pedir, o que custa a Jesus conceder-nos qualquer espécie de graça?³

Notas
1 Cf. Ruperto de Deutz, Em Cântico dos Cânticos, L. III: PL 168, 877.
2 Pregações à juventude, n. 29: o nome de Maria, MS 1081-1090; PVC, p 315-9.
3 Diário Pessoal [Memorial Privado], p. 166: anotação de 18.05.1810.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Novena à Imaculada Conceição

- Meu Deus, vinde em meu auxílio!
- Senhor, apressai-Vos em me socorrer.

- Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado.
- E renovareis a face da Terra.
Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos Vossos fiéis com as luzes do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas, segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre de sua consolação. Por Cristo Senhor Nosso. Amém!
(para todos os dias)

Virgem Puríssima, concebida sem pecado, e desde aquele primeiro instante toda bela e sem mancha. Gloriosa Maria, cheia de graça, Mãe de Deus, Rainha dos Anjos e dos homens.
Saúdo-Vos humildemente como Mãe do meu Salvador que, com aquela estima, respeito e submissão com que Vos tratava, me ensinou quais sejam as honras e a veneração que devo prestar-Vos; dignai-Vos, eu vo-lo rogo, de receber as que nesta novena Vos consagro.
Vós sois o seguro asilo dos pecadores penitentes, e assim tenho razão para recorrer a Vós. Sois Mãe de misericórdia, e por este título não podeis deixar de enternecer-Vos à vista das minhas misérias.
Sois depois de Jesus Cristo toda a minha esperança, e por esta razão não podeis deixar de reconhecer a terna confiança que tenho em Vós.
Fazei-me digno de chamar-me Vosso filho, para que possa confiadamente dizer-Vos: mostrai que sois minha Mãe!
Amém.



Primeiro dia
Eis-me aqui, aos vossos pés, ó Santíssima Virgem Imaculada! Convosco me alegro sumamente, porque desde a eternidade fostes eleita Mãe do Verbo Divino e preservada da culpa original.
Eu bendigo e dou graças à Santíssima Trindade, que Vos enriqueceu com este privilégio em vossa Conceição, e humildemente Vos suplico que me alcanceis a graça de vencer os tristes efeitos que em mim produziu o pecado. Ah! Senhora, fazei que eu os vença e jamais deixe de amar o nosso Deus!

Segundo dia
Ó Maria, lírio imaculado de pureza, eu me congratulo convosco, porque desde o primeiro instante da vossa Conceição fostes cheia de graça e além disto Vos foi conferido o perfeito uso da razão.
Dou graças e adoro a Santíssima Trindade, que Vos concedeu tão sublimes dons; e me confundo totalmente na Vossa presença ao ver-me tão pobre de graça; Vós que de graça celeste fostes tão copiosamente enriquecida, reparti-a com a minha alma e fazei-me participante dos tesouros que começastes a possuir em Vossa Imaculada Conceição. Amém.

Terceiro dia
Ó Maria, mística rosa de pureza, eu me alegro convosco, que gloriosamente triunfastes da infernal serpente, na Vossa Imaculada Conceição, porque fostes concebida sem mácula de pecado.
Dou graças e louvo a Santíssima Trindade, que tal privilégio Vos concedeu e Vos suplico que me alcanceis força para superar todas as traições do comum inimigo, e para não manchar minha alma como pecado.
Ah! Senhora, ajudai-me sempre e fazei que, com a vossa proteção, sempre triunfe de todos os inimigos de minha salvação. Amém.

Quarto dia
Ó espelho de pureza, Imaculada Virgem Maria, eu me encho de sumo gozo ao ver que desde a Vossa Conceição, foram em Vós infundidas as mais sublimes virtudes e, ao mesmo tempo, todos os dons do Espírito Santo.
Dou graças e louvo a Santíssima Trindade que com estes privilégios Vos favoreceu; e suplico-Vos, ó benigna Mãe, que me alcanceis a prática das virtudes, e me façais também digno de receber os dons e a graça do Espírito Santo. Amém.

Quinto dia
Ó Maria, refulgente lua de pureza, eu me congratulo convosco, porque o mistério de Vossa Imaculada Conceição foi o princípio da salvação de todo o mundo.
Dou graças e bendigo à Santíssima Trindade, que assim magnificou e glorificou Vossa pessoa, e Vos suplico que me alcanceis a graça de saber aproveitar-me da Paixão e morte de Jesus, e que não seja para mim inútil o Seu Sangue derramado na Cruz, mas que eu viva santamente e Ele salve a minha alma. Amém.

Sexto dia
Ó estrela resplandecente de pureza, Imaculada Maria, eu me alegro convosco, de que a Vossa Imaculada Conceição causasse um imenso gozo a todos os Anjos do Paraíso.
Dou graças e bendigo à Santíssima Trindade, que Vos enriqueceu com tão belo privilégio. Ah! Senhora, fazei que eu um dia tenha parte nessa alegria e que possa em companhia dos Anjos, louvar-Vos e bendizer-Vos eternamente. Amém.

Sétimo dia
Ó aurora nascente e pura, Imaculada Maria, eu me alegro e exulto convosco porque no mesmo instante da Vossa Conceição, fostes confirmada em graça e tornada impecável.
Dou graças à Santíssima Trindade, que somente a Vós distinguiu com este especial privilégio. Ó Virgem Santíssima, alcançai-me um total e contínuo aborrecimento do pecado sobre todos os outros males, e que antes morra do que torne a cometê-los. Amém.

Oitavo dia
Ó sol sem mácula, Virgem Maria, eu me congratulo convosco, e me alegro de que em Vossa Conceição Vos fosse conferida por Deus uma graça maior e mais copiosa do que tiveram todos os Anjos e todos os Santos no auge de seus merecimentos.
Dou graças e admiro a suma bondade da Santíssima Trindade, que Vos enriqueceu com tal privilégio. Ah! Senhora, fazei que eu coresponda à graça divina e não torne a abusar dela; mudai-me o coração, e fazei que desde agora comece o meu arrependimento. Amém.

Nono dia
Ó viva luz de santidade e exemplo de pureza, Virgem e Mãe, Maria Santíssima, Vós, apenas concebida, adorastes profundamente a Deus e Lhe destes graças, porque por meio de Vós, acabada a antiga maldição, desceu uma grande bênção sobre os filhos de Adão.
Ó Senhora, fazei que esta bênção acenda no meu coração um grande amor para com Deus; inflamai-o, para que constatemente ame o mesmo Senhor, e depois goze eternamente no Praíso, onde possa dar-Lhe as mais vivas graças pelos singulares privilégios a Vós concedidos e possa também ver-Vos coroada de tamanha glória! Amém.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Por que te amo, oh, Maria!

Santa Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face


Data: Maio de 1897.
Composta para: ela mesma. Irmã Maria do Sagrado Coração insinuara-lhe o pedido.
Música: La plainte du mousse.
Criação literária: No Processo Apostólico, Irmã Genoveva testemunhou que, já bem doente, Teresinha lhe dissera: “Ainda tenho que fazer uma coisa antes de morrer. (...) Sempre desejei exprimir num cântico em honra da Santíssima Virgem tudo o que penso a seu respeito”. Também Irmã Maria do Sagrado Coração, em suas notas íntimas, refere um detalhe significativo para a gênese deste poema. Conversando com Teresinha durante os últimos meses de sua vida, a santa lhe afirmara que quando pedia uma graça por intermédio de algum santo, precisava sempre esperar um pouco, mas que quando se dirigia à Virgem Maria, o socorro era imediato. Diante disso, Irmã Maria do Sagrado Coração lhe pediu que compusesse alguns versos que retratassem seus pensamentos sobre Nossa Senhora. E assim, por volta de maio de 1897, numa confluência de desejo e circunstância, Teresinha, ante o impulso dado por sua irmã mais velha, dedica-se á composição durante todo aquele mês de Maria.
Ainda seguindo as mesmas anotações de Irmã Maria do Sagrado Coração, a santa, ao entregar-lhe "Por que te amo, oh, Maria", dizia: “Meu pequeno cântico exprime tudo o que penso e o que pregaria sobre a Santíssima Virgem, se fosse sacerdote”. É a própria Teresinha, então, que declara ter posto em versos seus pensamentos, sua concepção sobre a vida de Maria. Como revelará mais tarde à Madre Inês – e a santa deixa assim, sem o saber, a correta chave de leitura –, ela se sente atraída pela verdade da vida de Nossa Senhora e não pela retórica com que se costuma revestir sua existência: “Não seria necessário dizer coisas inverossímeis, ou que não se sabem (...). Para que um sermão sobre Maria me agrade e me faça bem, preciso que veja sua vida real, não uma vida suposta; e estou certa de que sua vida real devia ser muito simples. Mostram a Santíssima Virgem inabordável, quando deviam mostrá-la imitável, fazer sobressair suas virtudes, dizer que ela vivia de fé como nós”.
Teresinha reconhece a grandeza de Maria (estrofe 1, 3), mas sabe também que ela é “mais Mãe que Rainha”. E o que cabe às mães? Partilhar a vida dos filhos, viver antecipadamente as situações que eles terão que viver, para educá-los, para dar-lhes o exemplo de como agir. É com esta convicção que a santa vai ao evangelho para ver, escutar e meditar as palavras e os gestos de sua Mãe, ou como muito bem já parafrasearam At 1, 1, ela vai perscrutar, para depois narrar em seu poema, o que Maria “fez e ensinou”.
As estrofes se seguem pintando Maria como uma de nós, como alguém que pratica “humildes virtudes” (estrofe 6, 4), que caminha pela “via comum” (estrofe 17, 7), que não tem privilégios e se mistura à ordinariedade da vida (estrofe 11, 1-4). Ela é pequena criatura agraciada por Deus (estrofe 3 a 5), é  a adoradora dos mistérios que se cumprem através de sua pessoa (estrofe 7, 10), é aquela que envolve no silêncio sua existência (estofe 8; estrofe 11, 5-8), que vive a esperança (estrofe 8, 8; estrofe 17 a 18)...
Contudo, em virtude da experiência pela qual passa, Teresinha enaltece de modo especial o mistério pascal de Maria. Como para todos aqueles que se põe no seguimento de Cristo, a Mãe do Senhor também conheceu o sofrimento e a dor (estrofe 2, 2) que conduzem à beatitude eterna, e aquele “para entrares em tua sublime glória, foi preciso, Senhor, que tu sofresses”, que escrevera em outra poesia (O Cântico de Irmã Maria da Trindade e da Santa Face, estrofe 3), é plenamente válido para Maria.
Nossa Senhora, como dão a sentir as estrofes de “Por que te amo, oh, Maria”, sofreu sempre em conformidade aos desígnios divinos, muitas vezes sem os compreender, mas impelida pela obediência da fé. Sofreu nas circunstâncias da anunciação (estrofe 8), no nascimento de Jesus (estrofe 9); diante da profecia de Simeão (estrofe 11), na fuga para o Egito (estrofe 12)... Sofreu ainda na perda de Jesus no Templo, mistério que para Teresinha reveste-se de cores muito específicas.
Para cantar esta passagem, a santa se estende por quatro estrofes (estrofe 13, 5 a estrofe 16), nas quais a emotividade que perpassa todo o poema assume acentos ainda mais fortes. Aí, ela encontra alento e, principalmente, a resposta para a provação da fé que vive e o exemplo a seguir. Maria, envolta em “amarga tristeza” (estrofe 13, 5), sentindo como que um exílio rigoroso (estrofe 13, 8), resigna-se a esta permissão divina. E, então, a santa, referindo-se a Jesus, dirá que ele “pode bem se esconder; consinto em esperar até o dia sem ocaso em que minha fé se extinguirá” (estrofe 16, 7-8).
O auge do sofrimento de Maria, isto é, o seu estar de pé junto à Cruz, é visto por Teresinha pelo prisma da suprema caridade. Jesus pede aos seus discípulos que se amem uns aos outros como ele os amou, e Maria nos ama “como Jesus nos ama” (estrofe 22, 1). Ela dá sua vida por amor a nós, consentindo em se afastar de seu Filho, seu tudo e a razão de seu ser, para permanecer na terra e ser amparo aos homens (estrofe 22, 4). É pela humanidade que ela, à semelhança de seu Filho, doa tudo e a si mesma (estrofe 22, 3), dá todo o sangue de seu coração (estrofe 23, 8). Um gesto como este, mostra, enfim, como Maria sabe “sofrer amando” (Estrofe 16, 4), pois a “imensa ternura” (estrofe 22, 5) de seu coração é o reflexo do Amor redentor de Jesus, que a faz “refúgio dos pecadores” (estrofe 22, 7). E, com esta atitude de acolhimento dos sentimentos do Salvador em si, ela dá ainda a máxima prova de amor a Deus. Enfim, vive a plenitude da lei: amor a Deus e amor ao próximo. No fundo, estas estrofes 22 e 23 são o eco poético do discurso sobre a caridade, redigido por esta mesma época no Manuscrito C. Composto com belas imagens (estrofe 10, 4; estrofe 16, 4; estrofe 22, 3) o poema se encerra com uma lógica encantadora. Maria viveu e sofreu como nós para nos ensinar a viver e a sofrer segundo o evangelho de seu Filho. Teresinha viveu e sofreu tendo Maria diante dos olhos, seguindo-lhe o exemplo. Maria é verdadeira Mãe, e Teresinha é verdadeira filha. Se, da maternidade e filiação, se costuma dizer “carne de minha carne, osso de meus ossos e sangue de meu sangue”, de Maria e Teresinha pode-se afirmar “alma de minha alma e espírito de meu espírito”.

Por que te amo, oh, Maria!

1. Oh! Quisera cantar, Maria, por que te amo,
Por que teu nome tão doce me faz estremecer o coração
E por que o pensamento de tua suprema grandeza
Não consegue inspirar à minha alma nenhum temor.
Se te contemplasse em tua sublime glória,
Ultrapassando o esplendor de todos os Bem-aventurados,
Não poderia acreditar que sou tua filha...
Diante de ti, oh, Maria, meus olhos, eu os abaixaria!

2. Para que um filho possa amar sua mãe, é preciso
Que ela chore com ele, partilhe suas dores...
Oh, Mãe querida! Nesta terra estrangeira,
Para atrair-me a ti, como chorastes!
Meditando tua vida no santo evangelho,
Ouso te olhar e aproximar-me de ti.
Acreditar que sou tua filha não é difícil,
Pois te vejo mortal e sofrendo como eu...

3. Quando um Anjo do Céu te ofereceu para seres a Mãe
Do Deus que deve reinar por toda eternidade,
Vejo-te preferir, oh, Maria – Que mistério! –
O inefável tesouro da virgindade.
Compreendo que tua alma, oh, Virgem Imaculada,
Seja mais cara ao Senhor que a divina morada;
Compreendo que tua alma, Humilde e Manso Vale,
Possa conter Jesus, o Oceano de Amor!...

4. Oh! Eu te amo, Maria, proclamando-te a serva
Do Deus que deslumbras com tua humildade.
Esta virtude escondida te faz poderosa,
Atrai ao teu coração a Santíssima Trindade.
Então, ao cobrir-te com sua sombra o Espírito de Amor,
O Filho igual ao Pai em ti se encarnou...
Será bem grande o número de seus irmãos pecadores,
Pois, Jesus há de se chamar o teu primogênito.

5. Oh, Mãe amada! Apesar de minha pequenez,
Como tu, em mim possuo o Todo-poderoso.
Mas, não tremo ao ver minha fraqueza:
O tesouro da mãe pertence à filha;
E sou tua filha, oh, Mãe querida.
Tuas virtudes, teu amor, não são eles meus?
Então, quando em meu coração desce a branca Hóstia,
Jesus, teu manso Cordeiro, julga repousar em ti!...

6. Tu me deixas perceber que não é impossível
Caminhar sobre teus passos, oh, Rainha dos eleitos.
O estreito caminho do Céu, tu o tornastes visível
Praticando sempre as virtudes mais humildes.
Ao teu lado, Maria, gosto de permanecer pequena;
Das grandezas desse mundo, vejo a vaidade...
Na casa de Santa Isabel que recebe tua visita,
Aprendo a praticar a ardente caridade.

7. Aí, escuto admirada, doce Rainha dos Anjos,
O sagrado cântico que brota do teu coração.
Tu me ensinas a cantar os louvores divinos
E a me glorificar em Jesus, meu Salvador.
Tuas palavras de amor são místicas rosas
Que devem perfumar os séculos futuros.
Em ti, o Todo-poderoso faz grandes coisas;
Quero meditá-las para o bendizer.

8. Quando o bom São José ignorava o milagre
Que, em tua humildade, querias esconder,
Tu o deixaste chorar junto ao Tabernáculo
Que escondia a divina beleza do Salvador!
Oh! Como amo, Maria, teu eloqüente silêncio!
Para mim, é um doce e melódico concerto
Que me fala da grandeza e da onipotência
De uma alma que só espera auxílios dos Céus...

9. Mais tarde, em Belém, oh, José e Maria,
Vejo-vos rejeitados por todas as pessoas...
Ninguém quer receber em sua hospedaria
Uns pobres estrangeiros... O lugar é para os grandiosos...
O lugar é para os grandiosos, e é num estábulo
Que a Rainha dos Céus deve dar à luz um Deus!
Oh, Mãe querida! Como me pareces amável!
Como te acho grande num lugar tão pobre!

10. Quando vejo o Eterno envolto em paninhos,
Quando do Verbo divino escuto o débil vagido,
Oh, Mãe querida! Não invejo mais os Anjos,
Pois o Senhor poderoso é meu Irmão querido!
Como te amo, Maria, tu que em nossa terra
Fizeste desabrochar esta flor divina!
Como te amo, escutando os pastores e os magos
E tudo guardando em teu coração, com cuidado!

11. Amo-te em meio às outras mulheres
Que para o templo santo se dirigem.
Amo-te apresentando o Senhor de nossas almas
Ao ditoso Ancião que o aperta em seus braços.
Primeiro, sorrindo, escuto seu cântico,
Mas, logo, seu tom me faz lágrimas verter.
Lançando ao futuro um profético olhar,
Simeão te apresenta uma espada de dor.

12. Oh, Rainha dos Mártires! Até o findar de tua vida
Esta espada de dor transpassará teu coração.
Já tens que deixar o Sol de tua pátria
Para evitares, de um rei, o furor invejoso.
Jesus dorme em paz sob as dobras do teu véu,
José vem te pedir para depressa partir,
E a tua obediência logo se revela:
Partes sem nenhuma demora, sem nada pensar...

13. Na terra do Egito, me parece, oh, Maria,
Que, na pobreza, teu coração continua feliz.
Pois, não é Jesus a mais bela Pátria?
Que te imposta o exílio? Possuis os Céus!
Mas, em Jerusalém, uma amarga tristeza,
Tão vasta como o oceano, vem inundar teu coração:
Jesus, durante três dias, se esconde aos teus carinhos.
É, então, o exílio em todo o seu rigor!...

14. Enfim, o encontras e a alegria te invade.
Dizes ao belo Infante que encanta os Doutores:
“Oh, meu Filho! Por que agiste assim?
Teu pai e eu te procurávamos chorando.”
E o Menino Deus respondeu – Oh! Que profundo mistério! –
À Mãe querida que lhe estende seus braços:
“Por que me procuráveis? Às coisas de meu Pai
É preciso que me dedique. Vós não o sabíeis?”

15. O evangelho me ensina que, crescendo em sabedoria
A José e Maria, Jesus era submisso.
E meu coração revela com que ternura
Ele sempre obedecia a seus queridos pais.
Agora, compreendo o mistério do templo,
As palavras veladas do meu amável Rei...
Teu doce Filho, Mãe, quer que sejas o exemplo
Da alma que o busca na noite da fé!

16. Já que o Rei dos Céus quis que sua Mãe
Mergulhasse na noite, na agonia do coração,
Maria, então, é um bem sofrer sobre a terra?
Sim, sofrer amando é a mais pura felicidade!
Tudo o que ele meu deu, Jesus pode retomá-lo.
Diz para ele não se incomodar comigo.
Pode bem se esconder; consinto em esperar
Até o dia sem ocaso em que minha fé se extinguirá.

17. Sei que em Nazaré, Mãe cheia de graça,
Viveste muito pobremente, nada mais querendo.
Nem arroubos, nem milagres, nem êxtases
Embelezam tua vida, oh, Rainha dos eleitos!
É bem grande sobre a terra o número dos pequeninos.
Para ti, eles podem, sem tremer, erguer os olhos.
É pela via comum, incomparável Mãe,
Que te apraz caminhar para os guiar aos Céus.

18. Esperando o Céu, oh, Mãe querida,
Contigo quero viver, te seguir a cada dia.
Mãe, ao te contemplar, mergulho extasiada,
Descobrindo em teu coração os abismos do amor.
Teu materno olhar afasta todos os meus medos;
Ele me ensina a chorar, me ensina a gozar.
Ao invés de desprezar as puras e santas alegrias,
Queres partilhá-las, te dignas a abençoá-las.

19. Vendo a aflição dos esposos de Caná,
Que não a podem esconder, pois lhes falta o vinho,
Ao Salvador o dizes, em tua solicitude,
Esperando o socorro do seu divino poder.
De início, Jesus parece recusar teu pedido:
“Que imposta, Mulher, a vós e a mim?” – respondeu.
Mas, no fundo do seu coração, chama-te Mãe,
E seu primeiro milagre, ele o fez por ti...

20. Um dia em que os pecadores escutavam a doutrina
Daquele que no Céu os queria receber,
Te encontro em meio a eles, Maria, sobre a colina.
Alguém diz a Jesus que o querias ver.
Então, teu divino Filho, diante da multidão inteira,
Mostra a imensidão do seu amor por nós.
Diz: “Quem é meu irmão, minha irmã e minha Mãe,
Senão aquele que faz a minha vontade?”

21. Oh, Virgem Imaculada! A mais terna das mães!
Escutando Jesus, tu não ficas triste,
Mas te alegras porque ele nos faz compreender
Que nossa alma se torna sua família na terra.
Sim, tu te alegras por ele nos dar sua vida,
Os tesouros infinitos de sua divindade!
Como não te amar, oh, Mãe querida,
Vendo tanto amor e tanta humildade?

22. Tu nos amas, Maria, como Jesus nos ama
E consentes, por nós, em te afastares dele.
Amar é tudo doar e doar a si mesmo.
Quiseste prová-lo permanecendo nosso apoio.
O Salvador, conhecendo tua imensa ternura,
Conhecia os segredos do teu coração materno.
Refúgio dos pecadores, é a ti que ele nos deixa
Quando abandona a Cruz para nos esperar no Céu.

23. Maria, tu me apareces no alto do Calvário
De pé junto da Cruz, como um sacerdote no altar
Oferecendo, para apaziguar a Justiça do Pai,
Teu amado Jesus, o doce Emanuel...
Disse o profeta, oh, Mãe desolada:
“Não há dor igual à tua dor!”
Oh, Rainha dos Mártires! Ficando no exílio,
Tu nos dás todo o sangue do teu coração!

24. A casa de São João se torna teu único abrigo;
Os filhos de Zebedeu devem ficar no lugar de Jesus...
É o último detalhe que o evangelho nos dá;
Da Rainha do Céu não fala mais.
Mas, seu profundo silêncio, oh, Mãe querida,
Não revela que o Verbo eterno
Quer ele mesmo cantar os segredos de tua vida
Para encantar os teus filhos, todos os eleitos do Céu?

25. Em breve, ouvirei esta doce harmonia...
Em breve, no belo Céu, hei de te ver...
Tu que vieste me sorrir na manhã de minha vida,
Vem sorrir-me de novo... Mãe... Eis que o dia já declina!...
Já não temo o esplendor de tua sublime glória.
Contigo sofri e quero, agora,
Cantar no teu regaço, Maria, por que te amo
E repetir para sempre que sou tua filha!...
A Teresinha...


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Fonte: Obras Completas, escritos e últimos colóquios de Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face. São Paulo: Editora Paulus, 2002.



Inspirada nesta composição de Santa Teresinha,
temos a música “Por que te amo, oh, Maria” da Irmã Kelly Patrícia.
Para ouvir e/ou fazer o download basta clicar aqui!



quinta-feira, 20 de outubro de 2011

"Totus Tuus" Respiro da Alma do Beato João Paulo II


O lema Totus tuus, que resume toda a espiritualidade cristocêntrica e mariana de São Luís Maria Grignion de Montfort (1673-1716), foi o fio condutor de toda a vida do (Beato) João Paulo II. O santo francês e o seu grande discípulo polonês são dois exemplos luminosos da mesma santidade sacerdotal, de uma vida inteiramente vivida no amor de Jesus e aos irmãos sob guia maternal de Maria. Totus tuus! Duas palavras que são uma oração endereçada a Jesus por meio de Maria e de seu Coração Imaculado. É um ato de amor como um dom total de si.
Na vida de Karol Wojtyla, este “Totus tuus” transformou-se em respiração de sua alma, e batida do seu coração a partir de 1940 quando descobriu, com a idade de vinte anos, o Tratado de Montfort. Muitas vezes, João Paulo II contara tudo isso. Fê-lo de modo especial em 1996, por ocasião do seu 50º aniversário sacerdotal no livro Dom e Mistério. Segundo o seu testemunho, foi um leigo, Jan Tyranowski – agora Servo de Deus – que o fez conhecer o Tratado e as obras de São João da Cruz, abrindo-o a mais profunda vida espiritual, nos duríssimos anos da ocupação nazista na Polônia. O jovem Karol tinha que trabalhar como operário numa fábrica, descobrindo progressivamente a sua vocação ao sacerdócio.
Falando deste período, João Paulo II insistia sobre o “fio mariano” que guiou toda sua vida desde a infância, na sua família, na sua paróquia, na devoção carmelita ao escapulário e a devoção salesiana a Maria Auxiliadora. A descoberta do Tratado, recorda o próprio Papa polonês, ajudou-o a dar um passo decisivo no seu caminho mariano, superando uma certa crise. “Tive um momento no qual coloquei em discussão o meu culto por Maria, considerando que esse, dilatando-se excessivamente, terminava por comprometer a supremacia do culto devido a Cristo. Veio-me então de ajuda um livro de São Luís Maria Grignion de Montfort que tem o título de Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. Neste encontrei a resposta às minhas perplexidades. Sim, Maria nos aproxima a Cristo, nos conduz a Ele, com a condição que se viva o seu mistério em Cristo (...). O autor é um teólogo de classe. O seu pensamento mariológico é enraizado no mistério trinitário e na verdade da Encarnação do Verbo (...). Eis explicada a proveniência do “Totus tuus”. A expressão provém de São Luís de Montfort. É a abreviação da forma mais completa de abandono à Mãe de Deus que soa assim: Totus tuus ego sum et omni-a mea tua sunt. Accipio te in mea omnia. Praebe mihi cor tuum, Maria" (Dom e mistério, pp. 38-39).
 Estas palavras em latim, continuamente rezadas e reescritas por Karol Wojtyla nas primeiras páginas de seus manuscritos, se encontram no fim do Tratado de Montfort, quando o santo convida o fiel a viver a Comunhão Eucarística com Maria e em Maria. É necessário também sublinhar que este “Totus tuus” transforma-se para sempre, de 1940 a 2005, como a linha diretiva de toda a vida de Karol Wojtyla, como seminarista e sacerdote e depois como Bispo e Papa. Quando em 1958 é nomeado, por Pio XII, Bispo auxiliar de Cracóvia, escolhe já o “Totus tuus” como lema episcopal, junto ao brasão que simboliza Cristo redentor e Maria junto a Ele, o mesmo que conservará como Papa. E, sobretudo o viverá até ao fim, nos grandes sofrimentos dos últimos meses. Depois da traqueotomia, não podendo mais falar, escreverá por fim as palavras Totus tuus. Sabemos também, de pessoas mais próximas a ele, que lia todos os dias um trecho do Tratado.
Nos seus escritos, João Paulo II fez frequente referência a São Luís Maria, como por exemplo, na Redemptoris Mater (n. 48). Mas, de um modo particular, perto do fim de seu pontificado, deixou-nos uma belíssima síntese da doutrina interpretada à luz do Concílio Vaticano II, na sua Carta aos religiosos e religiosas das famílias monfortinas de 08/12/03. É talvez o texto que mais nos ilumina para entendermos o significado teológico profundo do “Totus tuus” e do brasão episcopal.
A “perfeita devoção a Maria” ensinada por São Luís consiste essencialmente na doação total de si expressada no “Totus tuus”, integrando todas as boas práticas de devoção, especialmente o rosário. Mas o mais profundo é a “prática interior”, vida interior, um caminho de vida espiritual profunda que deve levar à santidade. Não existe dúvida que João Paulo II tenha vivido esta espiritualidade mariana no nível mais alto da união transformante com Cristo. O pedido “Praebe mihi cor tuum”, foi atendido. O próprio São Luís Maria, que possui a maravilhosa experiência dessa “identificação mística com Maria” espera que a sua doutrina daria muitos frutos nos séculos sucessivos da Igreja. Apresentando os “efeitos maravilhosos” (TDV, 213-225) desta “perfeita devoção” S. Luís Maria nos mostra como a pessoa que vive plenamente o “Totus tuus” caminha com Maria na via da humildade evangélica, que é via de amor, de fé e de esperança. No final de sua Carta aos religiosos e religiosas das famílias monfortinas, João Paulo II sintetiza este ensinamento do Tratado sempre à luz da Lumen Genti-um. A santidade à qual todos são chamados não é outra que a perfeição da caridade. Nesta vida sobre a terra, a humildade é a maior característica da caridade. “É próprio do amor rebaixar-se”, escrevia S. Teresinha de Lisieux no início de sua História de uma alma. É o mesmo amor de Deus que em Jesus se faz pequeno e pobre do presépio até a Cruz. E é o significado profundo da “Santa Escravidão de Amor”.

O ponto final da Lumen Gentium é a contemplação de “Maria, símbolo de certa esperança e de consolação para o povo de Deus em peregrinação” (n. 68-69). Nesta luz termina também a Carta à Família Monfortina de João Paulo II, citando as últimas linhas da Lumen Gentium e resumindo a doutrina de Montfort sobre a esperança vivida com Maria, defendendo-o em particular contra a injusta acusação de “milenarismo”. E se recorda como, na antífona Salve Rainha, a Igreja chama a Mãe de Deus “Esperança nossa”.
Em todas as dificuldades da vida sacerdotal, Maria é e sempre será a âncora de esperança, uma esperança segura para o futuro da Igreja e para a salvação do mundo. Assim também o Papa Bento XVI, que quis fortemente o Ano Sacerdotal, apresentou Maria no final de sua encíclica Spe salvi como a “Estrela da Esperança” (n. 49-50).
Fonte: L'Osservatore Romano

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Magnificat



Magnificat, um dos cânticos da Igreja cristã que se pronuncia nas vésperas (entardecer) e um hino jubiloso de louvores. Foi inspirado no relato do encontro entre Maria, mãe de Jesus, e sua prima Isabel, mãe de João Batista, no Evangelho segundo são Lucas.(1,46-55).





Texto original em latim

Magnificat anima mea Dominum
Et exultavit spiritus meus in Deo salutari meo.
Quia respexit humilitatem ancillæ suæ: ecce enim ex hoc beatam me dicent omnes generationes.
Quia fecit mihi magna qui potens est, et sanctum nomen eius.
Et misericordia eius a progenie in progenies timentibus eum.
Fecit potentiam in brachio suo, dispersit superbos mente cordis sui.
Deposuit potentes de sede et exaltavit humiles.
Esurientes implevit bonis et divites dimisit inanes,
Suscepit Israel puerum suum recordatus misericordiæ suæ,
Sicut locutus est ad patres nostros, Abraham et semini eius in sæcula.



Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto
Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum.
Amen.

Tradução para Português 


Minha alma glorifica o Senhor,
E meu espírito exultou em Deus meu salvador;
Porque atentou na humildade de sua serva,
Eis que me chamam abençoada todas as gerações,
Porque me fez grandes coisas o poderoso, e santo é seu nome,
E sua misericórdia se estende à progênie dos que o temem;
Fez portentos em seu braço, dissipou os soberbos de coração;
Depôs dos tronos os poderosos, e elevou os humildes;
Encheu de bens os famintos, e os ricos despediu vazios;
Amparou Israel, seu servo, recordado de sua misericórdia,
Como prometeu a nossos pais, a Abraão e à sua posteridade para sempre.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

sábado, 17 de setembro de 2011

O ROSÁRIO meio fácil e seguro de salvação


Por especial desígnio da infinita misericórdia de Deus, Maria Santíssima revelou ao grande São Domingos de Gusmão, fundador da Ordem dos Dominicanos, um meio fácil e seguro de salvação: o santo Rosário.

Sempre que os homens o utilizam, tudo floresce na Igreja, na terra passa a reinar a paz, as famílias vivem em concórdia e sao domingos de gusmao.jpgos corações são abrasados de amor a Deus e ao próximo.
Quando dele se esquecem, as desgraças se multiplicam, implanta-se a discórdia nos lares, o caos se estabelece no mundo...

A Ave-Maria, base do Novo Testamento

São Domingos viveu numa época de grandes tribulações para a Igreja.
A terrível heresia dos albigenses se espalhara no sul da França e ameaçava toda a Europa. A profunda corrupção moral dela decorrente abalava os fundamentos da própria sociedade temporal.
Por meio de ardorosas pregações, durante anos tentou ele reconduzir ao seio da Igreja aqueles infelizes que se tinham desviado da verdade. Mas suas eloqüentes e inflamadas palavras não conseguiam penetrar aqueles corações empedernidos e entregues aos vícios.
O Santo intensificou suas orações...
Aumentou suas penitências... Fundou um instituto religioso para acolher os convertidos... De pouco ou nada adiantaram seus esforços. As conversões eram poucas e de efêmera duração.
O que fazer? Certo dia, decidido a arrancar de Deus graças superabundantes para mover à conversão aquelas almas, Frei Domingos entrou numa floresta perto de Toulouse e entregou-se à oração e à penitência, disposto a não sair dali sem obter do Céu uma resposta favorável.
Após três dias e três noites de incessantes súplicas, quando as forças físicas já quase o abandonavam, apareceu- lhe a Virgem Maria, dizendo com inefável suavidade: - Meu querido Domingos, sabes de que meio se serviu a Santíssima Trindade para reformar o mundo? - Senhora, sabeis melhor do que eu, porque, depois de vosso Filho Jesus Cristo, fostes Vós o principal instrumento de nossa salvação.
- Eu te digo, então, que o instrumento mais importante foi a Saudação Angélica, a Ave-Maria, que é o fundamento do Novo Testamento. E, portanto, se queres ganhar para Deus esses corações endurecidos, reza meu Rosário.

Raios e trovões para reforçar a pregação

ter?o_A.jpgCom novo ânimo, o zeloso Dominicano dirigiu-se imediatamente à Catedral de Toulouse, para fazer uma pregação.
Mal ele transpôs a porta do templo, os sinos começaram a repicar, por obra dos anjos, para reunir os habitantes da cidade.
Assim que ele começou a falar, nuvens espessas cobriram o céu e desabou uma terrível tempestade, com raios e trovões, agravada por um apavorante tremor de terra.
O pavor dos assistentes aumentou quando uma imagem de Nossa Senhora, situada em local bem visível, levantou os braços três vezes para pedir a Deus vingança contra eles, se não se convertessem e pedissem a proteção de sua Santíssima Mãe.
O santo Pregador implorou a misericórdia de Deus, e a tempestade cessou, permitindo-lhe falar com toda calma sobre as maravilhas do Rosário.
Os habitantes de Toulouse arrependeram- se de seus pecados, abandonaram o erro, e começaram a rezar o Rosário.
Em conseqüência, grande foi a mudança dos costumes nessa cidade.
A partir de então, São Domingos, em seus sermões, passou a pregar a devoção ao Rosário, convidando seus ouvintes a rezá-lo com fervor todos os dias. Assim, obteve que a misericórdia de Nossa Senhora envolvesse as almas e as transformasse profundamente.
Maria foi a verdadeira vencedora dos erros dos albigenses.

Um sermão escrito pela Santíssima Virgem

Relata o Beato Alano uma aparição de São Domingos, na qual este lhe narrou o seguinte episódio: Rezando o Rosário,ter?o.jpgestava ele preparandose para fazer na Catedral de Notre Dame de Paris um sermão sobre São João Evangelista. Apareceu-lhe então Nossa Senhora e lhe entregou um pergaminho, dizendo: "Domingos, por melhor que seja o sermão que decidiste pregar, trago aqui outro melhor".
Muito contente, leu o pergaminho, agradeceu de todo coração a Maria e se dirigiu ao púlpito para começar a pregação. Diante dele estavam os professores e alunos da Universidade de Paris, além de grande número de pessoas de importância.
Sobre o Apóstolo São João, apenas afirmou o quanto este merecera ter sido escolhido para guardião da Rainha do Céu. Em seguida, acrescentou: "Senhores e mestres ilustres, estais acostumados a ouvir sermões elegantes e sábios, porém, eu não quero dirigir-vos as doutas palavras da sabedoria humana, mas mostrar-vos o Espírito de Deus e sua virtude".
E então São Domingos passou a explicar a Ave-Maria, como lhe tinha ensinado Nossa Senhora, comovendo assim, profundamente, aquele auditório de homens cultos.

O Beato Alano de la Roche

As próprias graças e milagres concedidos por Deus através da recitação do Rosário encarregaram-se de propagá- lo por toda parte, tornando-se esta a devoção mais querida dos fiéis cristãos.
Enquanto ela foi praticada, a piedade florescia nas Ordens religiosas e no mundo católico.
Mas, cem anos depois de ter sido divulgada por São Domingos, já ela havia caído quase no esquecimento. Como conseqüência, multiplicaram-se os males sobre a Cristandade: a peste negra devastou a Europa, dizimando um terço da população, surgiram novas heresias, a Guerra dos Cem Anos espalhou desordens por toda parte, e o Grande Cisma do Ocidente dividiu a Igreja durante longo período.
Para atalhar o mal e, sobretudo, preparar a Igreja para enfrentar os embates futuros, suscitou Deus o Beato Alano de la Roche, da Ordem Dominicana, com a missão de restaurar o antigo fervor pelo Rosário.
Um dia em que ele celebrava Missa, em 1460, perguntou-lhe Nosso Senhor: "Por que me crucificas tu de novo? E me crucificas, não só por teus pecados, mas ainda porque sabes quanto é necessário pregar o Rosário e assim desviar muitas almas do pecado. Se não o fazes, és culpado dos pecados que elas cometem".
MAOS DE NOSSA SENHORA COM O TER?O.jpgA partir de então, o Beato Alano tornou-se um incansável divulgador desta devoção, e assim converteu grande número de almas.

Fator decisivo de grandes vitórias

Foi, sobretudo, nos momentos de grandes perigos e provações para a Igreja, que o Rosário teve um papel decisivo, propiciou a perseverança dos católicos na Fé e levantou uma barreira contra o mal.
Ao ver a Europa ameaçada pelos exércitos do império otomano, que avançavam por mar e por terra, devastando tudo e perseguindo os cristãos, o Papa São Pio V mandou rezar o Rosário em toda a Cristandade, implorando a proteção de Nossa Senhora. Ao mesmo tempo, com o auxílio da Espanha e de Veneza, reuniu uma esquadra no Mar Mediterrâneo para defender os países católicos.
A sete de outubro de 1571, a frota católica encontrou a poderosa esquadra otomana no golfo de Lepanto. E apesar da superioridade numérica do adversário, os cristãos saíram triunfantes, afastando definitivamente o risco de uma invasão.
Antes de travar-se o combate, todos os soldados e marinheiros católicos rezaram o Rosário com grande devoção.
A vitória, que parecia quase impossível, deveu-se à proteção da Virgem Santíssima, a qual - segundo testemunho dado pelos próprios muçulmanos - apareceu durante a batalha, infundindo- lhes grande terror.
No século XVIII, para comemorar a vitória do Príncipe Eugênio de Saboya sobre o exército otomano, devida também à eficácia do Rosário, o Papa Clemente XI ordenou que a festa de Nossa Senhora do Rosário fosse celebrada universalmente.

São Luís Grignion de Montfort

A Igreja seria ainda sacudida por muitas tempestades.
Visando fortalecer seus filhos e prepará- los para suportar as grandes provações futuras, suscitou Deus uma alma de fogo com a missão de reacender a chama da devoção ao Rosário, o qual mais uma vez tinha caído no esquecimento. São Luís Maria Grignion de Montfort, o grande doutor da devoção à Mãe de Deus, exerceu sua missão profética um século antes da Revolução Francesa. As regiões nas quais se deram ouvidos à sua pregação foram as que melhor resistiram aos erros de sua época e conservaram íntegra a Fé.

Fátima, 1917: "Sou a Senhora do Rosário"

NOSSA SENHORA DE FATIMA COM VEU.....jpgJá no século XX, quando a Primeira Guerra Mundial estava em seu auge, Nossa Senhora veio, Ela mesma, em pessoa, lembrar aos homens que a solução para seus males estava ao alcance das mãos, nas contas do Rosário: "Rezai o Terço todos os dias para alcançar a paz e o fim da guerra", repetiu Ela maternalmente aos três pastorzinhos, em Fátima.
Na última aparição, em outubro de 1917, a Virgem Maria disse quem era: "Sou a Senhora do Rosário". E para atestar a autenticidade das aparições e a importância do Rosário, operou um milagre de grandeza nunca vista, presenciado pela multidão de 70.000 pessoas que estavam no local: o sol girou no céu, ao meio-dia, parecendo precipitar- se sobre a terra, retomando depois sua posição habitual no firmamento.
Milagres dessa magnitude, só no Antigo Testamento encontramos. Mas nem assim o mundo deu ouvidos à Mãe de Deus. E nunca se abateram sobre a Terra tantas desgraças, nunca houve tantas guerras, nunca a desagregação moral chegou tão baixo.
Entretanto, o meio de obter a paz para o mundo, para as famílias, para os corações, continua ao alcance de nossas mãos, nas contas benditas do Rosário, que Maria Santíssima trazia suspenso de seu braço quando apareceu em Fátima.

Salvou-se porque levava o Terço à cintura

Não é possível expressar quanto a Santíssima Virgem estima o Rosário sobre todas as demais devoções, e como é generosa em recompensar os que trabalham para divulgá-lo.
Conta São Luís de Montfort o caso de Afonso IX, Rei de León, a quem Nossa Senhora protegeu particularmente, pelo simples fato de portar o Rosário à cintura.
Desejando que os seus súditos honrassem a Santíssima Virgem, e para animá-los com seu exemplo, ocorreu a esse monarca portar ostensivamente um grande Rosário, ainda que não o rezasse.
Isto bastou para incentivar os seus cortesãos a rezá-lo devotamente.
Algum tempo depois, o rei ficou às portas da morte, acometido por uma grave enfermidade. Foi então transportado em espírito ao tribunal de Deus, onde os demônios o acusaram de todos os seus crimes. E quando ia ser condenado às penas eternas, apresentou- se em sua defesa a Santíssima Virgem diante de Jesus.
Num prato da balança, foram colocados os pecados do Rei. No outro, a Virgem Maria colocou o grande Rosário que ele portara em honra d'Ela, juntamente com os Rosários que, devido ao seu exemplo, haviam rezado outras pessoas, e estes pesavam mais que todos os pecados por ele cometidos.
Depois, Maria Santíssima, olhando com misericórdia para o Rei, disse: "Consegui de meu Filho, como recompensa pelo pequeno serviço que Me fizeste, levando à cintura o Rosário, o prolongamento de tua vida por mais uns anos. Emprega-os bem, e faz penitência".
Voltando a si, o rei exclamou: "Oh! Bendito Rosário da Santíssima Virgem, por ele é que fui livre da condenação eterna!" E, recuperando a saúde, passou a rezar o Rosário todos os dias até o fim da vida.
A palavra do Papa, porta-voz de Jesus
"O Rosário transporta-nos misticamente para junto de Maria (...) para que Ela nos eduque e nos plasme até que Cristo rezando o ter?o_a.jpgesteja formado em nós plenamente" - ensina o Papa João Paulo II. E acrescenta: "Nunca, como no Rosário, o caminho de Cristo e o de Maria aparecem unidos tão profundamente. Maria só vive em Cristo e em função de Cristo".
Recordemos suas inspiradas palavras na Carta Apostólica "Rosarium Virginis Mariæ": "O Rosário acompanhou-me nos momentos de alegria e nas provações.
A ele confiei tantas preocupações; nele encontrei sempre conforto. O Rosário é minha oração predileta. Oração maravilhosa! "Ó Rosário bendito de Maria, doce cadeia que nos prende a Deus, vínculo de amor que nos une aos Anjos, torre de salvação contra os assaltos do inferno, porto seguro no naufrágio geral! "Não te deixaremos nunca mais! "Serás o nosso conforto na hora da agonia. Seja para ti o último ósculo da vida que se apaga. E a última palavra dos nossos lábios há de ser o vosso nome suave, ó Rainha do Rosário, ó nossa Mãe querida, ó Refúgio dos pecadores, ó soberana JOAO PAULO II.jpgconsoladora dos tristes. Sede bendita em toda parte, hoje e sempre, na terra e no Céu. Amém."

Nunca deixe de rezá-lo!

Sim, acatando fielmente essa exortação do Papa, nunca deixe de rezar o Rosário, sob pretexto de ter muitas distrações involuntárias, falta de gosto em rezá-lo, muito cansaço, insuficiência de tempo, ou qualquer outro. Para rezar bem o Rosário, não é necessário sentir gosto, ter consolações, nem conseguir uma aplicação contínua da imaginação.
Bastam a fé pura e a boa intenção.
E veja quantos benefícios nos proporciona a recitação do Rosário! • Eleva-nos ao conhecimento perfeito de Jesus Cristo.
• Purifica nossas almas do pecado.
• Faz-nos vitoriosos contra todos os nossos inimigos.
• Torna-nos fácil a prática das virtudes.
• Abrasa-nos no amor de Jesus Cristo.
• Enriquece-nos de graças e méritos.
• Fornece-nos os meios de pagar todas as nossas dívidas com Deus e com os homens.

A tudo isso, acrescenta São Luís Maria Grignion de Montfort: — “Ainda que te encontres à beira do abismo ou já com um pé no inferno ainda que estejas endurecido e obstinado como um demônio, cedo ou tarde te converterás e salvarás, contanto que rezes devotamente todos os dias o santo Rosário, para conhecer a verdade e obter a contrição e o perdão de teus pecados”.

(Revista Arautos do Evangelho, Out/2004, n. 34, p. 34 a 38)   
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