Mostrando postagens com marcador Santa Teresinha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Santa Teresinha. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Devo, quero e posso ser santo.


   I.  Devo, quero e posso ser santo.
  DEVO:  "Ela meditava esta resposta do Catecismo, dizem as Carmelitas de Lisieux:  Deus me criou para conhecê-lo, amá-lo e servi-lo."  Fiel a esta máxima, escrevia a Santa a uma de suas primas:  "Desejas um meio para alcançar a perfeição?  Eu só conheço um: o Amor."

  QUERO:  "...eu sempre aspirei à santidade": "Não quero ser santa pela metade..."
  POSSO:  "Nosso Senhor não inspira desejos irrealizáveis; logo, não obstante a minha pequenez, posso tornar-me santa."



  II.  Para me santificar terei que sofrer muito.

  "Para ser santa é necessário sofrer muito, ambicionar o que há de mais perfeito e esquecer-se de si mesmo."



  III.  A santidade a que aspiro não é, todavia, a santidade eminente, mas a comum, isto é, aquela que consiste em suportar-me a mim mesmo com todas as minhas imperfeições.

  "Não me sendo possível elevar-me a um alto grau de perfeição, só me resta suportar-me tal qual me encontro com as minha inúmeras imperfeições."

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Por que te amo, oh, Maria!

Santa Teresinha do Menino Jesus e da Santa Face


Data: Maio de 1897.
Composta para: ela mesma. Irmã Maria do Sagrado Coração insinuara-lhe o pedido.
Música: La plainte du mousse.
Criação literária: No Processo Apostólico, Irmã Genoveva testemunhou que, já bem doente, Teresinha lhe dissera: “Ainda tenho que fazer uma coisa antes de morrer. (...) Sempre desejei exprimir num cântico em honra da Santíssima Virgem tudo o que penso a seu respeito”. Também Irmã Maria do Sagrado Coração, em suas notas íntimas, refere um detalhe significativo para a gênese deste poema. Conversando com Teresinha durante os últimos meses de sua vida, a santa lhe afirmara que quando pedia uma graça por intermédio de algum santo, precisava sempre esperar um pouco, mas que quando se dirigia à Virgem Maria, o socorro era imediato. Diante disso, Irmã Maria do Sagrado Coração lhe pediu que compusesse alguns versos que retratassem seus pensamentos sobre Nossa Senhora. E assim, por volta de maio de 1897, numa confluência de desejo e circunstância, Teresinha, ante o impulso dado por sua irmã mais velha, dedica-se á composição durante todo aquele mês de Maria.
Ainda seguindo as mesmas anotações de Irmã Maria do Sagrado Coração, a santa, ao entregar-lhe "Por que te amo, oh, Maria", dizia: “Meu pequeno cântico exprime tudo o que penso e o que pregaria sobre a Santíssima Virgem, se fosse sacerdote”. É a própria Teresinha, então, que declara ter posto em versos seus pensamentos, sua concepção sobre a vida de Maria. Como revelará mais tarde à Madre Inês – e a santa deixa assim, sem o saber, a correta chave de leitura –, ela se sente atraída pela verdade da vida de Nossa Senhora e não pela retórica com que se costuma revestir sua existência: “Não seria necessário dizer coisas inverossímeis, ou que não se sabem (...). Para que um sermão sobre Maria me agrade e me faça bem, preciso que veja sua vida real, não uma vida suposta; e estou certa de que sua vida real devia ser muito simples. Mostram a Santíssima Virgem inabordável, quando deviam mostrá-la imitável, fazer sobressair suas virtudes, dizer que ela vivia de fé como nós”.
Teresinha reconhece a grandeza de Maria (estrofe 1, 3), mas sabe também que ela é “mais Mãe que Rainha”. E o que cabe às mães? Partilhar a vida dos filhos, viver antecipadamente as situações que eles terão que viver, para educá-los, para dar-lhes o exemplo de como agir. É com esta convicção que a santa vai ao evangelho para ver, escutar e meditar as palavras e os gestos de sua Mãe, ou como muito bem já parafrasearam At 1, 1, ela vai perscrutar, para depois narrar em seu poema, o que Maria “fez e ensinou”.
As estrofes se seguem pintando Maria como uma de nós, como alguém que pratica “humildes virtudes” (estrofe 6, 4), que caminha pela “via comum” (estrofe 17, 7), que não tem privilégios e se mistura à ordinariedade da vida (estrofe 11, 1-4). Ela é pequena criatura agraciada por Deus (estrofe 3 a 5), é  a adoradora dos mistérios que se cumprem através de sua pessoa (estrofe 7, 10), é aquela que envolve no silêncio sua existência (estofe 8; estrofe 11, 5-8), que vive a esperança (estrofe 8, 8; estrofe 17 a 18)...
Contudo, em virtude da experiência pela qual passa, Teresinha enaltece de modo especial o mistério pascal de Maria. Como para todos aqueles que se põe no seguimento de Cristo, a Mãe do Senhor também conheceu o sofrimento e a dor (estrofe 2, 2) que conduzem à beatitude eterna, e aquele “para entrares em tua sublime glória, foi preciso, Senhor, que tu sofresses”, que escrevera em outra poesia (O Cântico de Irmã Maria da Trindade e da Santa Face, estrofe 3), é plenamente válido para Maria.
Nossa Senhora, como dão a sentir as estrofes de “Por que te amo, oh, Maria”, sofreu sempre em conformidade aos desígnios divinos, muitas vezes sem os compreender, mas impelida pela obediência da fé. Sofreu nas circunstâncias da anunciação (estrofe 8), no nascimento de Jesus (estrofe 9); diante da profecia de Simeão (estrofe 11), na fuga para o Egito (estrofe 12)... Sofreu ainda na perda de Jesus no Templo, mistério que para Teresinha reveste-se de cores muito específicas.
Para cantar esta passagem, a santa se estende por quatro estrofes (estrofe 13, 5 a estrofe 16), nas quais a emotividade que perpassa todo o poema assume acentos ainda mais fortes. Aí, ela encontra alento e, principalmente, a resposta para a provação da fé que vive e o exemplo a seguir. Maria, envolta em “amarga tristeza” (estrofe 13, 5), sentindo como que um exílio rigoroso (estrofe 13, 8), resigna-se a esta permissão divina. E, então, a santa, referindo-se a Jesus, dirá que ele “pode bem se esconder; consinto em esperar até o dia sem ocaso em que minha fé se extinguirá” (estrofe 16, 7-8).
O auge do sofrimento de Maria, isto é, o seu estar de pé junto à Cruz, é visto por Teresinha pelo prisma da suprema caridade. Jesus pede aos seus discípulos que se amem uns aos outros como ele os amou, e Maria nos ama “como Jesus nos ama” (estrofe 22, 1). Ela dá sua vida por amor a nós, consentindo em se afastar de seu Filho, seu tudo e a razão de seu ser, para permanecer na terra e ser amparo aos homens (estrofe 22, 4). É pela humanidade que ela, à semelhança de seu Filho, doa tudo e a si mesma (estrofe 22, 3), dá todo o sangue de seu coração (estrofe 23, 8). Um gesto como este, mostra, enfim, como Maria sabe “sofrer amando” (Estrofe 16, 4), pois a “imensa ternura” (estrofe 22, 5) de seu coração é o reflexo do Amor redentor de Jesus, que a faz “refúgio dos pecadores” (estrofe 22, 7). E, com esta atitude de acolhimento dos sentimentos do Salvador em si, ela dá ainda a máxima prova de amor a Deus. Enfim, vive a plenitude da lei: amor a Deus e amor ao próximo. No fundo, estas estrofes 22 e 23 são o eco poético do discurso sobre a caridade, redigido por esta mesma época no Manuscrito C. Composto com belas imagens (estrofe 10, 4; estrofe 16, 4; estrofe 22, 3) o poema se encerra com uma lógica encantadora. Maria viveu e sofreu como nós para nos ensinar a viver e a sofrer segundo o evangelho de seu Filho. Teresinha viveu e sofreu tendo Maria diante dos olhos, seguindo-lhe o exemplo. Maria é verdadeira Mãe, e Teresinha é verdadeira filha. Se, da maternidade e filiação, se costuma dizer “carne de minha carne, osso de meus ossos e sangue de meu sangue”, de Maria e Teresinha pode-se afirmar “alma de minha alma e espírito de meu espírito”.

Por que te amo, oh, Maria!

1. Oh! Quisera cantar, Maria, por que te amo,
Por que teu nome tão doce me faz estremecer o coração
E por que o pensamento de tua suprema grandeza
Não consegue inspirar à minha alma nenhum temor.
Se te contemplasse em tua sublime glória,
Ultrapassando o esplendor de todos os Bem-aventurados,
Não poderia acreditar que sou tua filha...
Diante de ti, oh, Maria, meus olhos, eu os abaixaria!

2. Para que um filho possa amar sua mãe, é preciso
Que ela chore com ele, partilhe suas dores...
Oh, Mãe querida! Nesta terra estrangeira,
Para atrair-me a ti, como chorastes!
Meditando tua vida no santo evangelho,
Ouso te olhar e aproximar-me de ti.
Acreditar que sou tua filha não é difícil,
Pois te vejo mortal e sofrendo como eu...

3. Quando um Anjo do Céu te ofereceu para seres a Mãe
Do Deus que deve reinar por toda eternidade,
Vejo-te preferir, oh, Maria – Que mistério! –
O inefável tesouro da virgindade.
Compreendo que tua alma, oh, Virgem Imaculada,
Seja mais cara ao Senhor que a divina morada;
Compreendo que tua alma, Humilde e Manso Vale,
Possa conter Jesus, o Oceano de Amor!...

4. Oh! Eu te amo, Maria, proclamando-te a serva
Do Deus que deslumbras com tua humildade.
Esta virtude escondida te faz poderosa,
Atrai ao teu coração a Santíssima Trindade.
Então, ao cobrir-te com sua sombra o Espírito de Amor,
O Filho igual ao Pai em ti se encarnou...
Será bem grande o número de seus irmãos pecadores,
Pois, Jesus há de se chamar o teu primogênito.

5. Oh, Mãe amada! Apesar de minha pequenez,
Como tu, em mim possuo o Todo-poderoso.
Mas, não tremo ao ver minha fraqueza:
O tesouro da mãe pertence à filha;
E sou tua filha, oh, Mãe querida.
Tuas virtudes, teu amor, não são eles meus?
Então, quando em meu coração desce a branca Hóstia,
Jesus, teu manso Cordeiro, julga repousar em ti!...

6. Tu me deixas perceber que não é impossível
Caminhar sobre teus passos, oh, Rainha dos eleitos.
O estreito caminho do Céu, tu o tornastes visível
Praticando sempre as virtudes mais humildes.
Ao teu lado, Maria, gosto de permanecer pequena;
Das grandezas desse mundo, vejo a vaidade...
Na casa de Santa Isabel que recebe tua visita,
Aprendo a praticar a ardente caridade.

7. Aí, escuto admirada, doce Rainha dos Anjos,
O sagrado cântico que brota do teu coração.
Tu me ensinas a cantar os louvores divinos
E a me glorificar em Jesus, meu Salvador.
Tuas palavras de amor são místicas rosas
Que devem perfumar os séculos futuros.
Em ti, o Todo-poderoso faz grandes coisas;
Quero meditá-las para o bendizer.

8. Quando o bom São José ignorava o milagre
Que, em tua humildade, querias esconder,
Tu o deixaste chorar junto ao Tabernáculo
Que escondia a divina beleza do Salvador!
Oh! Como amo, Maria, teu eloqüente silêncio!
Para mim, é um doce e melódico concerto
Que me fala da grandeza e da onipotência
De uma alma que só espera auxílios dos Céus...

9. Mais tarde, em Belém, oh, José e Maria,
Vejo-vos rejeitados por todas as pessoas...
Ninguém quer receber em sua hospedaria
Uns pobres estrangeiros... O lugar é para os grandiosos...
O lugar é para os grandiosos, e é num estábulo
Que a Rainha dos Céus deve dar à luz um Deus!
Oh, Mãe querida! Como me pareces amável!
Como te acho grande num lugar tão pobre!

10. Quando vejo o Eterno envolto em paninhos,
Quando do Verbo divino escuto o débil vagido,
Oh, Mãe querida! Não invejo mais os Anjos,
Pois o Senhor poderoso é meu Irmão querido!
Como te amo, Maria, tu que em nossa terra
Fizeste desabrochar esta flor divina!
Como te amo, escutando os pastores e os magos
E tudo guardando em teu coração, com cuidado!

11. Amo-te em meio às outras mulheres
Que para o templo santo se dirigem.
Amo-te apresentando o Senhor de nossas almas
Ao ditoso Ancião que o aperta em seus braços.
Primeiro, sorrindo, escuto seu cântico,
Mas, logo, seu tom me faz lágrimas verter.
Lançando ao futuro um profético olhar,
Simeão te apresenta uma espada de dor.

12. Oh, Rainha dos Mártires! Até o findar de tua vida
Esta espada de dor transpassará teu coração.
Já tens que deixar o Sol de tua pátria
Para evitares, de um rei, o furor invejoso.
Jesus dorme em paz sob as dobras do teu véu,
José vem te pedir para depressa partir,
E a tua obediência logo se revela:
Partes sem nenhuma demora, sem nada pensar...

13. Na terra do Egito, me parece, oh, Maria,
Que, na pobreza, teu coração continua feliz.
Pois, não é Jesus a mais bela Pátria?
Que te imposta o exílio? Possuis os Céus!
Mas, em Jerusalém, uma amarga tristeza,
Tão vasta como o oceano, vem inundar teu coração:
Jesus, durante três dias, se esconde aos teus carinhos.
É, então, o exílio em todo o seu rigor!...

14. Enfim, o encontras e a alegria te invade.
Dizes ao belo Infante que encanta os Doutores:
“Oh, meu Filho! Por que agiste assim?
Teu pai e eu te procurávamos chorando.”
E o Menino Deus respondeu – Oh! Que profundo mistério! –
À Mãe querida que lhe estende seus braços:
“Por que me procuráveis? Às coisas de meu Pai
É preciso que me dedique. Vós não o sabíeis?”

15. O evangelho me ensina que, crescendo em sabedoria
A José e Maria, Jesus era submisso.
E meu coração revela com que ternura
Ele sempre obedecia a seus queridos pais.
Agora, compreendo o mistério do templo,
As palavras veladas do meu amável Rei...
Teu doce Filho, Mãe, quer que sejas o exemplo
Da alma que o busca na noite da fé!

16. Já que o Rei dos Céus quis que sua Mãe
Mergulhasse na noite, na agonia do coração,
Maria, então, é um bem sofrer sobre a terra?
Sim, sofrer amando é a mais pura felicidade!
Tudo o que ele meu deu, Jesus pode retomá-lo.
Diz para ele não se incomodar comigo.
Pode bem se esconder; consinto em esperar
Até o dia sem ocaso em que minha fé se extinguirá.

17. Sei que em Nazaré, Mãe cheia de graça,
Viveste muito pobremente, nada mais querendo.
Nem arroubos, nem milagres, nem êxtases
Embelezam tua vida, oh, Rainha dos eleitos!
É bem grande sobre a terra o número dos pequeninos.
Para ti, eles podem, sem tremer, erguer os olhos.
É pela via comum, incomparável Mãe,
Que te apraz caminhar para os guiar aos Céus.

18. Esperando o Céu, oh, Mãe querida,
Contigo quero viver, te seguir a cada dia.
Mãe, ao te contemplar, mergulho extasiada,
Descobrindo em teu coração os abismos do amor.
Teu materno olhar afasta todos os meus medos;
Ele me ensina a chorar, me ensina a gozar.
Ao invés de desprezar as puras e santas alegrias,
Queres partilhá-las, te dignas a abençoá-las.

19. Vendo a aflição dos esposos de Caná,
Que não a podem esconder, pois lhes falta o vinho,
Ao Salvador o dizes, em tua solicitude,
Esperando o socorro do seu divino poder.
De início, Jesus parece recusar teu pedido:
“Que imposta, Mulher, a vós e a mim?” – respondeu.
Mas, no fundo do seu coração, chama-te Mãe,
E seu primeiro milagre, ele o fez por ti...

20. Um dia em que os pecadores escutavam a doutrina
Daquele que no Céu os queria receber,
Te encontro em meio a eles, Maria, sobre a colina.
Alguém diz a Jesus que o querias ver.
Então, teu divino Filho, diante da multidão inteira,
Mostra a imensidão do seu amor por nós.
Diz: “Quem é meu irmão, minha irmã e minha Mãe,
Senão aquele que faz a minha vontade?”

21. Oh, Virgem Imaculada! A mais terna das mães!
Escutando Jesus, tu não ficas triste,
Mas te alegras porque ele nos faz compreender
Que nossa alma se torna sua família na terra.
Sim, tu te alegras por ele nos dar sua vida,
Os tesouros infinitos de sua divindade!
Como não te amar, oh, Mãe querida,
Vendo tanto amor e tanta humildade?

22. Tu nos amas, Maria, como Jesus nos ama
E consentes, por nós, em te afastares dele.
Amar é tudo doar e doar a si mesmo.
Quiseste prová-lo permanecendo nosso apoio.
O Salvador, conhecendo tua imensa ternura,
Conhecia os segredos do teu coração materno.
Refúgio dos pecadores, é a ti que ele nos deixa
Quando abandona a Cruz para nos esperar no Céu.

23. Maria, tu me apareces no alto do Calvário
De pé junto da Cruz, como um sacerdote no altar
Oferecendo, para apaziguar a Justiça do Pai,
Teu amado Jesus, o doce Emanuel...
Disse o profeta, oh, Mãe desolada:
“Não há dor igual à tua dor!”
Oh, Rainha dos Mártires! Ficando no exílio,
Tu nos dás todo o sangue do teu coração!

24. A casa de São João se torna teu único abrigo;
Os filhos de Zebedeu devem ficar no lugar de Jesus...
É o último detalhe que o evangelho nos dá;
Da Rainha do Céu não fala mais.
Mas, seu profundo silêncio, oh, Mãe querida,
Não revela que o Verbo eterno
Quer ele mesmo cantar os segredos de tua vida
Para encantar os teus filhos, todos os eleitos do Céu?

25. Em breve, ouvirei esta doce harmonia...
Em breve, no belo Céu, hei de te ver...
Tu que vieste me sorrir na manhã de minha vida,
Vem sorrir-me de novo... Mãe... Eis que o dia já declina!...
Já não temo o esplendor de tua sublime glória.
Contigo sofri e quero, agora,
Cantar no teu regaço, Maria, por que te amo
E repetir para sempre que sou tua filha!...
A Teresinha...


------------
Fonte: Obras Completas, escritos e últimos colóquios de Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face. São Paulo: Editora Paulus, 2002.



Inspirada nesta composição de Santa Teresinha,
temos a música “Por que te amo, oh, Maria” da Irmã Kelly Patrícia.
Para ouvir e/ou fazer o download basta clicar aqui!



sábado, 8 de outubro de 2011

Santíssima Virgem sorriu para mim


A Santíssima Virgem me pareceu bela, tão bela! Eu nunca tinha visto nada tão formoso. O rosto irradiava inefável bondade e ternura, mas o que me calou, no fundo da alma, foi o "empolgante sorriso da Santíssima Virgem". Então, desvaneceram-se todos os meus sofrimentos, duas grossas lágrimas saltaram-me dos olhos, deslizando, silenciosas, sobre as faces. Eram lágrimas de uma alegria sem inquietação... Ah!, pensei, a Santíssima Virgem sorriu para mim; como sou feliz! Mas não direi isso a ninguém, porque, então, desapareceria esta minha felicidade.  
Santa Teresa do Menino Jesus (1873 - 1897)

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Meu Deus, escolho tudo

Um dia, julgando-se muito crescida para brincar com boneca, Leônia veio procurar-nos a nós duas com uma cesta cheia de vestidos e de lindos retalhos para fazer outros; por cima estava colocada sua boneca. - "Tomai lá, minhas irmãzinhas, diz-nos ela, escolhei, dou-vos tudo isto". Celina estendeu a mão e tomou um pacotinho de alamares que lhe agradava. Após um instante de reflexão, estendi a mão por minha vez e declarei: - "Escolho tudo!" e apoderei-me da cesta sem outra formalidade. As testemunhas da cena acharam o caso muito justo, a própria Celina nem pensou em reclamar. (Aliás; brinquedos não lhe faltavam, seu padrinho cumulava-a de presentes e Luísa descobria meios de arrumar-lhe tudo quanto desejasse).

Este pequeno episódio de minha infância é o apanhado de toda a minha vida. Mais tarde, quando se me tornou evidente o que era perfeição, compreendi que para se tornar santa era preciso sofrer muito, ir sempre atrás do mais perfeito e esquecer-se a si mesmo. Compreendi que na perfeição havia muitos graus e que cada alma era livre no responder às solicitações de Nosso Senhor, no fazer muito ou pouco por Ele, numa palavra, no escolher entre os sacrifícios que exige. Então, como nos dias de minha primeira infância, exclamei: "Meu Deus, escolho tudo". Não quero ser santa pela metade. Não me faz medo sofrer por vós, a única cousa que me dá receio é a de ficar com minha vontade. Tomai-a vós, pois "escolho tudo" o que vós quiserdes!. . . "

Manuscrito A
Santa Teresinha do Menino Jesus

sábado, 1 de outubro de 2011

Frases de Santa Teresinha



"Não sou um guerreiro que combateu com armas terrestres, mas com a espada do Espírito que é a palavra de Deus".

"Para mim acho que a perfeição é fácil de se praticar, porque compreendi que basta pegar Jesus pelo coração..."

"Ó Farol luminoso do amor, eu sei como chegar a Ti, encontrei o segredo de me apropriar de Tua chama."

"Compreendi que o Amor englobava todas as vocações, que o Amor era tudo..."

"... Compreendi que meu amor não se devia traduzir somente por palavras."

"Não é bastante amar, é preciso prová-lo!"

"Um só ato de amor nos fará conhecer melhor Jesus..."

"... Pensar em uma pessoa que se ama é rezar por ela".

"Ó meu Jesus, lutarei por vosso amor até à noite da minha vida".

"É na tua bondade sempre infinita que quero me perder, ó Coração de Jesus!"

"... Espero tudo do Bom Deus, como uma criancinha espera tudo de seu pai".

"Como estou longe de ser conduzida pela via do temor, sei sempre encontrar o meio de ser feliz e aproveitar de minhas misérias" .

"O Senhor é tão bom para comigo, que me é impossível temê-lo".

"Ó Trindade, vós sois prisioneira de meu amor!..."

"Ó meu Deus, Trindade Bem-aventurada! Eu vos desejo amar e vos fazer amada..."

"Acho que nesses momentos de grande tristezas tem-se a necessidade de olhar para o céu em lugar de chorar..."

"O Pai quer que o ame, porque Ele me perdoou não muito, mas tudo".

"Sim, tudo está bem, quando só se busca a vontade de Jesus".

"Já que a verdade brilha aos seus olhos, não fuja da sua luz".

"O Bom Deus me mostra a verdade, sinto muito bem que tudo vem dele" .
"A vida é apenas um sonho, em breve nos acordaremos".

"Só tenho de olhar o santo Evangelho, logo respiro os perfumes da vida de Jesus e sei para que lado correr".

"Só temos o curto instante da vida para dá-lo ao Bom Deus..."

"É preciso que o Espírito Santo seja a vida de teu coração".

"Ó Jesus, meu Amor... minha vocação, enfim, eu a encontrei, minha vocação é o Amor!"

"Enfim, pus mão à obra e tinha tanta boa vontade que consegui perfeitamente".

"Que felicidade poder dizer: "Estou seguro de fazer a vontade do Bom Deus".

"Eu não lamento a vida, oh, não!"

"E minha vida é um ''único ato de amor!"

"O Bom Deus me dá coragem na proporção dos meus sofrimentos".

"Faz-nos tanto bem, quando sofremos, ter corações amigos, cujo eco responde a nossa dor".

"A caridade é o caminho excelente, que conduz seguramente a Deus"

"Sou de tal natureza que o temor me faz recuar; com o amor não somente avanço, mas vôo..."

"É muito doce a gente se sentir fraco e pequeno!"

"É preciso abandonar o futuro nas mãos do Bom Deus..."

"Nada acontece que Deus não tenha previsto desde toda a eternidade..."

"Não me inquieto, absolutamente, com o futuro..."

"Por uma graça fielmente recebida, Ele me concedia uma multidão de outras".

"Jesus não quer que eu reclame o que me pertence; isso deveria parecer-me fácil e natural pois nada me pertence".

"Instruindo os outros muito aprendi".

"Deus não poderia me inspirar desejos irrealizáveis, portanto, posso, apesar da minha pequenez, aspirar à santidade".

"Não consigo crescer, devo suportar-me como sou, com todas as minhas imperfeições".

"Parece-me que agora nada me impede de levantar vôo, pois não tenho mais grandes desejos a não ser o de amar até morrer de amor".

"Os mais belos pensamentos nada são sem as obras".

"Para mim a oração é um impulso do coração, um simples olhar para o Céu, um grito de gratidão e amor no meio da provação como no meio da alegria".

"Minhas mortificações consistiam em refrear minha vontade, sempre prestes a se impor"...

"Ele quem me instruiu dessa ciência que esconde dos sábios e dos pedantes e revela aos menores..."

"Ao dar-se a Deus, o coração não perde sua natural ternura, pelo contrário, essa ternura cresce ao tornar-se mais pura e mais divina".

"Sinto que quando sou caridosa é só Jesus que age em mim".

"Felizmente, não desanimo com facilidade".

"Estou longe de praticar o que entendo, mas o desejo que tenho de praticar é suficiente para me dar a paz".

"Deus é mais terno que uma mãe".

"Em vez de me causar mal, levar-me à vaidade, os dons que Deus me prodigalizou (sem que Lhe tenha pedido) me levam para Ele".

"A mim Ele me deu sua Misericórdia infinita e é, através dela, que contemplo e adoro as outras perfeições divinas!..."

"O Bom Deus me fez compreender que existem almas que sua misericórdia não se cansa de esperar..."

"Como a bondade e o amor misericordioso de Jesus são pouco conhecidos!..."

"... Ó meu Bem-Amado, uma só missão não me bastaria..."

"Eu sou pequena demais para subir a rude escada da perfeição".

"Posso, apesar de minha pequenez, aspirar à santidade".

"Vou me contentar em seguir Jesus em seu caminho doloroso".

"O pecado mortal não me tiraria a confiança".

"Guardar a palavra de Jesus, eis a única condição de nossa felicidade".

"É muito doce a gente se sentir fraco e pequeno!"

"Eu vos suplico, ó meu Deus, enviar-me uma humilhação cada vez que eu tentar me elevar acima dos outros".

"Prestai atenção ao que faz Maria; imitai-a... e esse Deus de bondade recompensará vossa fé".

"A Santíssima Virgem dá bem os meus recados, dar-lhe-ei outro mais. Repito-lhe, muitas vezes: "Diga-lhe para não se preocupar comigo".

"Sabemos muito bem que a Virgem Santíssima é a rainha do céu e da terra, mas ela é mais mãe do que rainha".

"E eu que desejava o martírio, é possível que morra em um leito!"
"Tu sabes bem, meu único martírio é teu amor, Coração Sagrado de Jesus!"

"Morrer de amor é um bem doce martírio!"

"O mérito não consiste em fazer nem em dar muito, mas, antes, em receber, em amar muito!"

"Ó meu Deus, longe de me desencorajar à vista de minhas misérias, venho a vós com confiança..."

"Não prefiro nem morrer nem viver... O que o Bom Deus prefere e escolhe para mim, eis o que me agrada mais."

"O apostolado da oração não é, por assim dizer, mais elevado do que o da palavra?"

"Pois bem, sou eu essa criança, objeto do amor previdente de um Pai..."

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Santa Teresinha do Menino Jesus


O que tanto atrai em Santa Teresinha, cuja devoção se tornou universal em pouco tempo? 
Falecida aos 24 anos, ela continua a nos sorrir e a nos convidar a seguir uma nova
via de santificação, a "pequena via", acessível a todos.
Na tarde de 30 de setembro de 1897, uma cena inesquecível desdobrava-se na enfermaria do Carmelo de Lisieux. Cercada de toda a comunidade ajoelhada em torno de seu leito de dores, Santa Teresinha do Menino Jesus, fitando os olhos no crucifixo, pronunciava suas últimas palavras nesta terra de exílio:
Santa Teresinha do Menino Jesus_c.jpg
 "O  silêncio, eis aí a linguagem que poderá  
dizer-vos tudo o que se passa 
em minha alma"
- Oh! eu O amo... Meu Deus... eu... Vos amo!
Subitamente, seus amortecidos olhos de agonizante recuperam vida e fixam-se num ponto abaixo da imagem de Nossa Senhora. Seu rosto retoma a aparência juvenil de quando ela gozava de plena saúde. Parecendo estar em êxtase, ela fecha os olhos e expira. Um misterioso sorriso aflora-lhe aos lábios e aumenta a formosura de sua fisionomia.
"Eu não morro, eu entro na Vida", havia ela escrito poucos meses antes.
Sua luz brilha no mundo inteiro
Talis vita finis ita. - "Cada um morre como viveu."
Sua morte, aos 24 anos, foi um reflexo de sua breve existência - uma vida de virtude heróica, de amor a Deus e ao próximo levado a limites extremos, e de sofrimentos suportados com uma radiante alegria e uma santa despretensão. 
Quis ela passar inteiramente despercebida neste mundo. E este seu desejo de vida oculta teria sido realizado, se Deus não tivesse outros desígnios a esse respeito.
Por ordem das superioras, a humilde carmelita escreveu seus famosos Manuscritos Autobiográficos - "História de uma alma" - que tanto bem fizeram, fazem e farão ao longo dos séculos, além de várias cartas, poesias e outros documentos registrados pela História. E algumas irmãs de hábito que bem compreenderam sua extraordinária virtude, tomaram nota das conversas tidas com ela nos seus últimos meses de vida.
Graças a isso, a chama acesa por Jesus na alma dessa Santa ilumina hoje o mundo inteiro. E nós podemos, nas linhas abaixo, apreciar alguns "flashes" fulgurantes dessa luz.
* * *
Em abril de 1897, quando a doença mortal entrava em sua última fase, sua irmã Paulina (em religião, Madre Inês de Jesus) fez a primeira anotação em seu caderno:
"Quando somos incompreendidas e julgadas desfavoravelmente, de que nos serve defender-nos ou explicar-nos? É muito melhor não dizer nada e deixar que os outros nos julguem como lhes agrada. Não vemos no Evangelho Maria explicando-se quando sua irmã a acusou de ficar aos pés de Jesus sem fazer nada! Não, ela preferiu permanecer em silêncio. Ó abençoado silêncio que dá tanta paz às almas!"
Trechos como este, de conversas íntimas com a Santa, quase nos fazem esquecer que ela está passando por sofrimentos físicos atrozes, incompreensões e, muito mais duro de suportar, uma terrível provação espiritual, "a noite da Fé".
* * *
Descrevendo essa provação nos Manuscritos Autobiográficos, ela afirma:
"Jesus permitiu que uma escuridão negra como boca de lobo varresse minha alma e deixasse o pensamento do Céu, tão doce para mim desde a minha infância, destruir minha paz e torturar-me..."
E em conversa com suas irmãs acrescenta: "Minha alma está exilada, o Céu está fechado para mim e do lado da terra tudo é provação também".
Olhando pela janela da enfermaria, viu um "buraco negro" no jardim e confidenciou à Madre Superiora: "É num buraco como esse que eu me encontro, de corpo e alma. Oh! sim, que trevas! Mas estou em paz dentro delas".
No dia da partida para a eternidade, pôde ela declarar com singela despretensão: "Oh, eu rezei fervorosamente a Ele, mas estou realmente em agonia sem nenhuma mistura de consolação".
* * *
Apesar de todos os sofrimentos físicos e espirituais, ela iluminava com seu sorriso e aquecia com sua caridade as demais religiosas do convento. Naquela enfermaria não se respirava atmosfera de tristeza. Santa Teresinha não o permitia! Escreve sua irmã Maria: "Quanto à força moral, é sempre a mesma coisa, a alegria em pessoa, fazendo rir todos quantos dela se aproximam. Creio que ela morrerá rindo, de tal forma ela é alegre!"
Teresa de Lisieux aos 15 anos.jpg
 Teresa aos 15 anos de idade em que se 
pôs a enfrentar decididamente os 
obstáculos que se opunham à sua 
vocação para o Carmelo.
A Santa usava seu vasto repertório de jogos de palavras, imitações de pessoas, ditos espirituosos a respeito dela mesma e da incapacidade dos médicos - tudo para praticar a caridade fraterna.
Sua alegria nada tinha de inautêntico, de forjado. A Irmã Teresinha detestava o fingimento! No entanto, ela se encontrava num tal extremo de padecimentos que chegou a dizer: "Nunca eu teria acreditado que fosse possível sofrer tanto. Nunca! Nunca! Não posso explicar isto, exceto pelos desejos ardentes que eu tive de salvar almas". E em outra ocasião: "Que seria de mim se Deus não me desse forças? Não se tem idéia do que é sofrer tanto assim. Se eu não tivesse a Fé, eu teria me dado a morte sem hesitar um só instante..."
Donde lhe vinha, pois, tanta força e alegria? Da total aceitação da vontade de Deus - "o Papai bom Deus", dizia ela graciosamente.
* * *
Santa Teresinha tinha um grande medo: o de desagradar, no mínimo que fosse, seu bem-amado Jesus. Quanto ao resto, nada temia, muito menos a morte. Fazendo alusão ao ensinamento do Evangelho: "a morte vem como um ladrão", gracejava ela de forma encantadora: "Diz-se no Evangelho que a morte virá como um ladrão. Oh! ele virá roubar-me muito gentilmente. Como eu gostaria de ajudar este ladrão!"
E mais: "Não tenho medo do ladrão. Eu o vejo à distância e tomo muito cuidado para não gritar: ‘Socorro, ladrão!' Pelo contrário, eu o chamo dizendo: ‘Por aqui, por aqui!'"
Como explicar uma tal serenidade diante da morte iminente, mais ainda, uma tal vontade de que ela se apresse? Muito fácil. Pela confiança inabalável no amor misericordioso de Jesus, e pelo ardente desejo de perder-se nesse Amor o mais cedo possível.
O amor à bondade e à misericórdia
Santa Teresinha foi escolhida por Deus para ensinar um caminho de santificação a ser trilhado pelas almas fracas - a "pequena via", a via da Confiança por excelência.
Escreveu ela nos Manuscritos: "Sempre desejei ser uma santa (...) O bom Deus não inspira desejos irrealizáveis, eu posso, portanto, aspirar à santidade apesar de minha pequenez. Tornar-me grande, é impossível. Devo, pois, suportar- me tal como sou, com todas as minhas imperfeições, mas quero procurar um meio de ir ao Céu por uma pequena via, bem reta, bem curta (...) Eu quereria encontrar um elevador para subir até Jesus, porque sou pequena demais para escalar a áspera escada da perfeição. (...) Ah! o elevador que me fará subir ao Céu são vossos próprios braços, ó meu Jesus!"
Essa grande Santa manteve intacta sua Inocência batismal, nunca manchou sua alma por um único pecado grave sequer. É por este motivo que ela demonstrava tal confiança na bondade do Divino Salvador?
Nem de longe! Nas últimas frases dos Manuscritos, podemos ler esta confortadora mensagem, a qual não deixa a menor dúvida de que a via da confiança está aberta inteiramente até para os maiores pecadores:
"... mas, sobretudo, imito a conduta de Maria Madalena. Sua admirável, ou melhor, sua amorosa audácia encanta o Coração de Jesus, e seduz o meu. Sim, eu o sinto: mesmo se me pesassem na consciência todos os pecados possíveis de cometer, eu iria, com o coração partido de arrependimento, jogar-me nos braços de Jesus, pois sei quanto Ele ama o filho pródigo que vem Lhe pedir perdão. Não é porque o bom Deus, em sua previdente misericórdia, preservou minha 
alma do pecado mortal que eu me elevo a Ele pela confiança e pelo amor."
SantaTeresa de Lisieux_novica.jpg
 Santa Teresinha, quando noviça, em 1889
E já nos últimos dias de sua vida terrena, exclama:
"Oh! como sou feliz por me ver imperfeita e por ter tanta necessidade da misericórdia do bom Deus no momento da morte!"
Deixar-se carregar por Jesus, por Maria Santíssima, no caminho da santidade... Sentir-se feliz por ser fraco e ter necessidade da misericórdia e da bondade de Deus... Eis o caminho curto e seguro indicado por Santa Teresinha - Doutora da Igreja, note-se! - para os católicos de nossos dias, homens e mulheres, de todas as idades e condições sociais.
Ninguém tem pretexto para não desejar a santidade
O preceito do Divino Mestre, "sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito", é dirigido à humanidade inteira. O que para qualquer ser humano é impossível, Ele tornou possível até para os mais débeis, pelos méritos infinitos de sua Paixão e Morte na Cruz. As miríades de Santos do Céu dão testemunho dessa verdade consoladora.
Santa Teresinha, porém, vai mais longe. Além de nos ensinar pela doutrina e pelo exemplo, ela se põe à nossa disposição, como se pode ver nas palavras ditas a suas irmãs de Vocação no dia 17 de julho, menos de três meses antes de subir ao Céu:
"Sobretudo, sinto que minha missão vai começar, minha missão de fazer amar o bom Deus como eu O amo, de comunicar às almas minha "pequena via". Se o Bom Deus realiza meus desejos, meu Céu se passará sobre a terra até o fim do mundo. Sim, quero passar meu Céu fazendo bem à terra."
"... minha missão de fazer amar o bom Deus como eu O amo". - Então, que ela cumpra em cada um de nós, leitor, sua sublime lição! Peçamos esta graça com toda confiança.

Com semblante belo e luminoso, e dizendo palavras que soavam como uma melodia de Anjo, Santa Teresinha apareceu diversas vezes para comunicar ao mundo inteiro esta animadora verdade: 
a santidade está ao alcance de todas as almas, mesmo as mais débeis.
Juan Carlos Casté
Estamos em 1897. Duas jovens carmelitas conversam no Carmelo de Lisieux.
Uma delas, Sor Teresinha do Menino Jesus, aproxima-se do fim de sua vida e do cume da santidade. A outra, que nutre por ela verdadeira admiração, é uma noviça vinda de Paris, Sor Maria da Trindade.
Antes de tudo é preciso crer no Papa
As duas conversam sobre a via espiritual que a Irmã Teresinha ensinava: a "pequena via". Ante as insistentes perguntas da noviça, a santa e doutora da Igreja afirma com absoluta segurança:
Santa-Teresinha-do-Menino-Jesus_d.jpg
 "Senti no coração grande desejo de sofrer e, ao 
mesmo tempo, a íntima segurança de que
Jesus me reservara grande
número de cruzes"
- Se estou te induzindo a erro com minha pequena via de amor, não temas que eu te deixe seguindo-a durante muito tempo. Aparecerei logo para te dizer que tomes outro rumo. Mas se eu não voltar, crê na verdade de minhas palavras: no bom Deus, tão poderoso e misericordioso, nunca se confia demais. D'Ele se obtém tudo quanto se espera.
- Creio nisso tão firmemente que me parece que se o Papa dissesse que estás errada, não acreditaria nele...
Santa Teresinha logo corrige a jovem religiosa, muito fervorosa, mas um tanto estouvada:
- Oh! Antes de tudo, é preciso crer no Papa. Porém, não tenhas receio de que ele venha a dizer-te para mudar de via: não lhe darei tempo, pois, se chegando ao Céu me inteirasse que te induzi a erro, eu obteria do bom Deus autorização para vir imediatamente te prevenir. Até lá, deves crer que minha via é segura, e segui-la fielmente.
Um angustiante problema financeiro
Folheando as atas do processo de beatificação da Serva de Deus, encontramos, além de seus escritos e das declarações das testemunhas, também o relato de milagres realizados por ela post mortem.
Num desses, operado no mosteiro carmelita de Gallipoli (Itália), Santa Teresinha confirma a segurança e a santidade de sua "pequena via".
No mês de janeiro de 1910, o Carmelo de Gallipoli encontrava-se numa situação econômica catastrófica: em matéria de alimentação, as freiras estavam reduzidas a um quilo de pão para cada uma, por semana; havia dias em que, nada havendo para comer, elas iam para a capela rezar, em vez de ir para o refeitório.
Passou por lá nessa época uma religiosa da Congregação das Marcelinas, de Milão, falou-lhes da jovem Serva de Deus Teresinha do Menino Jesus e lhes deu de presente a tradução italiana da História de uma Alma.
As carmelitas de Gallipoli se entusiasmaram com essa sua irmã de hábito morta em odor de santidade na França e iniciaram, por intercessão dela, um tríduo à Santíssima Trindade, pedindo a solução de seu angustiante problema financeiro.
No dia 16 desse mesmo mês de janeiro, a Madre Priora, Sor Maria Carmela do Coração de Jesus, caiu doente com febre e mal-estar, devido às preocupações pelas dívidas do seu mosteiro.
Ela própria narra o que aconteceu nessa noite.
"Aqui tens 500 francos para pagar as dívidas"
Por volta de três horas da madrugada - conta ela - senti que uma mão me cobria com muita ternura com o cobertor que havia caído. Julgando ser uma religiosa do convento, disse-lhe sem abrir os olhos:
- Deixa-me, estou transpirando muito.
Santa Teresinha do Menino Jesus_e.jpg
 Santa Teresinha em 1897, já enfraquecida
pela luta contra a doença, tendo nas mãos
uma estampa do Menino Jesus
e outra da Sagrada Face
Ouvi então uma voz doce e desconhecida que me dizia:
- Não, o que estou fazendo é uma coisa boa. Escuta, o bom Deus se serve dos habitantes do Céu, como dos da terra, para socorrer os seus servidores.
Toma, aqui tens 500 francos para pagar as dívidas da comunidade.
- A dívida da comunidade é de apenas 300 francos.
- Pois bem, restarão 200. Agora, como não podes guardar dinheiro na cela, vem comigo.
Eu, porém, pensei: "Como levantar- me? Estou cheia de suores". Então a celeste visão me disse sorrindo: "A bilocação nos ajudará".
Encontrei-me imediatamente fora da cela em companhia de uma jovem carmelita cujo hábito e véu deixavam transparecer uma claridade paradisíaca que nos iluminava o caminho.
Ela conduziu-me à sala onde guardávamos o dinheiro em uma pequena caixa. Ali estava a anotação das dívidas da comunidade, e ali ela depositou os 500 francos. Olhei-a com uma admiração cheia de alegria e me prosternei para lhe agradecer, dizendo: "Oh! Minha Santa Madre!" (É assim que as carmelitas se referem a Santa Teresa de Ávila). Ela, porém, acariciandome com muito afeto, disse: "Não, não sou nossa Santa Madre, sou a Serva de Deus Sor Teresa de Lisieux".
Então a jovem religiosa, acariciando- me uma vez mais com amor, afastou- se suavemente.
"Minha via é segura e não me enganei seguindo-a"
Atônita pelo que acabava de suceder, e pensando que Santa Teresinha não encontraria a porta de saída do Carmelo, a Priora disse-lhe um tanto maquinalmente:
- Cuidado, poderia errar o caminho!
- Não, não, minha via é segura e não me enganei seguindo-a - respondeu a Santa com um sorriso celestial.
Sor Maria Carmela levantou-se imediatamente e foi para a Capela. As religiosas, notando nela algo diferente, lhe perguntaram o que havia acontecido. Ela lhes narrou a maravilhosa visão e foram todas ver a caixa onde se guardava o dinheiro do Carmelo, e lá encontraram a nota de 500 francos!
O bispo perdeu, as carmelitas ganharam
Mas não terminou aí o milagre. Nos meses seguintes a Serva de Deus apareceu diversas vezes à afortunada Priora, falava-lhe de "coisas espirituais" e lhe dava ajudas econômicas. Na noite de 15 de junho, narra a Madre Carmela, "ela prometeu trazer-me em breve 100 francos".
Santa Teresinha do Menino Jesus_b.jpg
 "Senti dentro de mim ser o Carmelo o
deserto onde o Bom Deus queria
que fosse  também 
esconder-me"
Porém, o mais pitoresco e gracioso deste modo de agir de Santa Teresinha é a maneira como fez chegar essa importância às carmelitas de Gallipoli.
O bispo dessa diocese, Dom Gaetan, contou-lhes que havia notado em sua caixa a falta de uma nota de 100 francos e esperava que Sor Teresa a levaria para elas...
E assim ocorreu!
Em 6 de agosto, a Santa de Lisieux apareceu novamente à Madre Carmela, trazendo na mão uma nota de 100 francos, e lhe disse: "O poder de Deus retira ou dá com a mesma facilidade tanto nas coisas temporais quanto nas espirituais".
A Priora apressou-se a devolver essa quantia ao Bispo, mas este a enviou de volta às religiosas.
"Esses ossos benditos farão milagres extraordinários"
Em 5 de setembro desse ano - véspera da exumação de seus restos mortais - a Serva de Deus apareceu mais uma vez.
"Depois de falar-me a respeito do bem espiritual da comunidade - narra a Madre Carmela - ela me anunciou que na exumação só se encontrariam ossos. Depois me fez compreender os prodígios que ela faria no futuro. ‘Esteja segura, minha querida Madre, de que esses ossos benditos farão milagres extraordinários e serão armas poderosas contra o demônio'."
A Priora observou que a Santa da "pequena via" sempre aparecia na aurora, seu semblante era belo e luminoso, suas vestes brilhavam como prata transparente e suas palavras soavam como melodia de Anjo.
Uma nova confirmação
Sor Teresinha voltou a manifestar- se nesse Carmelo no ano seguinte, desta vez a propósito de Dom Nicolas Giannattasio, Bispo de Nardo, cidade próxima de Gallipoli.
Esse Prelado havia estudado muito a vida da Serva de Deus. Sem ter tido conhecimento das palavras dela a Sor Maria da Trindade em 1897, julgava que a resposta dada à Priora em 1910 - "minha via é segura" - devia ser entendida no sentido espiritual e como uma confirmação de sua "pequena via".
Com a idéia de obter essa confirmação, e de pedir para si e para sua Diocese a proteção da jovem Serva de Deus, decidiu fazer um teste ousado.
Colocou num envelope uma nota de 500 liras, junto com seu cartão de visitas, no qual escreveu:
In memoriam
Santa Teresinha no leito.jpg
 Santa Teresinha no leito, sob as arcadas do Claustro do Carmelo
de Lisieux, cerca de um mês antes de falecer
"Minha via é segura e eu não me enganei". Sor Teresinha do Menino Jesus a Sor Maria Carmela, em Gallipoli, no dia 16 de janeiro de 1910.
Ora pro me quotidie ut Deus misereatur mei (Roga por mim todos os dias, para Deus ter piedade de mim).
Dom Giannasttasio lacrou o envolope e o entregou às carmelitas de Gallipoli, pedindo-lhes para colocá- lo na caixa onde Santa Teresinha havia operado os milagres.
Pouco tempo depois foi ao Carmelo pregar um retiro, no fim do qual quis ver esse envelope. Ele estava intacto, mas um tanto mais volumoso... Abrindo-o, o bispo encontrou, não apenas as 500 liras, mas 800, que ele deu imediatamente às religiosas. Uma das notas exalava um suave odor de rosas.
Tanto Dom Giannasttasio quanto as carmelitas compreenderam que, por meio desse novo prodígio, Santa Teresinha queria manifestar claramente que sua "pequena via" era segura.
Poucas vezes um caminho de perfeição foi confirmado por uma ação milagrosa tão extraordinária.
Podemos imaginar a alegria de Sor Maria da Trindade ao tomar conhecimento desses fatos narrados por suas irmãs de vocação do Carmelo de Gallipoli. A Pequena Via de sua querida mestra de noviças era comprovadamente um caminho seguro e não levava ao erro...
A santidade ao alcance das pessoas comuns
A própria Santa Teresinha explica, nos Manuscritos Autobiográficos, em que consiste a sua "pequena via" de santificação.
"Sempre desejei ser santa, mas - pobre de mim! - sempre constatei, ao me comparar com os santos, que entre eles e eu existe a mesma diferença que há entre uma montanha cujo cume se perde nos céus e o grão de areia obscuro pisado pelos transeuntes. Longe de desanimar, disse a mim mesma: ‘O bom Deus não pode inspirar desejos irrealizáveis. Logo, apesar de minha pequenez, posso aspirar à santidade. Tornar-me grande, é impossível; devo, pois, me suportar tal como sou, com todas as minhas imperfeições, mas quero procurar um meio de ir ao Céu por uma pequena via bem direita, bem curta, uma pequena via inteiramente nova'."
* * *
Nessa época, fazia enorme sucesso o elevador, recém-inventado, que poupava às pessoas o esforço de subir escadas. Sor Teresinha sentiu um grande desejo de "encontrar um ascensor para me elevar até Jesus, porque sou pequena demais para galgar a rude escada da perfeição". Pôs-se então a procurar nos Livros Sagrados e encontrou este pensamento: "Se alguém é pequenino, que venha a Mim" (Pr 9, 4). Continuando sua pesquisa, encontrou esta afirmação: "Como uma mãe acaricia seu filho, assim Eu vos consolarei, vos carregarei ao peito" (Is 66, 12-13). E concluiu cheia de júbilo: "Ah! O elevador que deve me erguer até o Céu são vossos braços, ó Jesus!"
A leitura atenta e amorosa dos Santos Evangelhos lançou-lhe mais luz: "Se não vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos Céus" (Mt 18, 3). "Deixai vir a Mim os pequeninos e não os impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham" (Mc 10, 14).
Santa Teresinha do Menino Jesus_9.JPG
 Fotografia tirada momentos depois da morte de Santa Teresinha,
em 1º de outubro de 1897. Segundo a irmã Geneviève,
a fotografia "reproduz fielmente o sorriso celeste
de nossa irmã"
Estava explicitado em que consiste a "pequena via", o caminho da infância espiritual. Nela, o importante, não é fazer grandes mortificações corporais, mas aceitar com humildade a própria pequenez, as próprias limitações, até mesmo as próprias imperfeições, e ter um amor e uma confiança sem limites na bondade de Deus; e, como fruto desse amor, ter imensos desejos de fazer com perfeição os atos da vida diária.
* * *
Com sua doutrina e, sobretudo, com seu exemplo, a suave Carmelita de Lisieux demonstrou que a santidade é acessível a todos. Ela "viveu a santidade pura e simples, com todo o encanto e sedução da alma moderna, muito humana e muito próxima de nós", afirma um de seus mais insignes biógrafos.
Ao canonizá-la - mais ainda, ao proclamá-la Doutora da Igreja - a Santa Igreja oficializou sua "pequena via" como um autêntico caminho de santidade. Isso foi afirmado claramente pelo Papa Bento XV, em discurso de 14 de agosto de 1921: "No caminho da infância espiritual está o segredo da santidade para os fiéis do mundo inteiro". E a bula de canonização assinala que por meio de Santa Teresinha Deus propunha aos homens um novo modelo de santidade, ao alcance não só de padres e freiras, mas também dos leigos de todas as idades e condições sociais.
Elizabeth McDonnald
(Revista Arautos do Evangelho, Out/2005, n. 46, p. 22 à 25 e  Set/2004, n. 33, p. 40 à 42)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...