sábado, 23 de fevereiro de 2013
Reze o Terço da Misericórdia
O coração de Jesus se move de compaixão por cada um de nós. É d’Ele que jorra uma fonte inesgotável de graças. Quando recordamos a Paixão e a Morte de Jesus na cruz, mergulhamos num mar infinito de misericórdia e percebemos que do coração aberto de Jesus emana a vida e nos sentimos renovados. Nas aparições de Jesus a Irmã Faustina, Ele nos fala:
"Às três horas da tarde implora à minha Misericórdia, especialmente pelos pecadores e, ao menos por um breve tempo, reflete sobre a minha Paixão, especialmente sobre o abandono em que Me encontrei no momento da agonia. Esta é a hora da grande Misericórdia para o mundo inteiro. Nessa hora não negarei nada à alma que me pedir em nome da minha Paixão" (Diário, n. 1320).
O Terço da Misericórdia vem sendo rezado em muitos lugares. Tem se tornado canal de graças para muitas pessoas. É forma de intercessão eficaz, agindo como uma extensão do Sacrário Eucarístico e levando-nos a refletir sobre a presença real de Jesus na Eucaristia.
O Senhor promete a Irmã Faustina que: “As almas que rezam o Terço da Misericórdia terão a sua vida envolvida pela Sua misericórdia especialmente na hora da morte”
Jesus, eu confio em Vós!
Aprenda a rezar o terço da misericórdia:
Pai-Nosso...
Ave-Maria...
Creio...
Nas contas do Pai-Nosso, reza-se:
Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e do mundo inteiro.
Nas contas das Ave-Marias, reza-se:
Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro. (10 vezes)
Ao final do terço, reza-se:
Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
POR TRÁS DA RENÚNCIA...
A Igreja é repleta de mistérios, sendo ela mesma um mistério, como um sacramento, no qual uma coisa é o que aparece, outra é o que realmente é. E a Igreja, à semelhança de seu Divino Fundador, tem sua parte divina e humana. Divina na sua instituição, doutrina e graça salvífica que nos transmite, e humana nos seus membros, muitas vezes pecadores, ela “é ao mesmo tempo santa e sempre necessitada de purificação” (L.G. 8).
Pessoas nem
sempre imbuídas de espírito de Fé especulam os problemas da
Igreja católica, demasiadamente focados na sua parte humana,
organizacional e estrutural, esquecendo-se da parte divina,
muito mais importante, e a presença nela do seu Fundador, que
a assiste através do Divino Espírito Santo. Mas, há já dois
mil anos, ela “continua o seu peregrinar entre as perseguições
do mundo e as consolações de Deus” (L.G. 8).
Mas
afinal o que há por trás da renúncia de Bento XVI. Além dos
motivos visíveis, apontados pelo próprio Papa – “forças já não
idôneas, vigor do corpo e do espírito, devido à idade
avançada” – existem outros fatores ocultos. Todos estão
curiosos e eu vou lhes revelar o que realmente está por detrás
dessa atitude do Papa.
Só
é capaz de renunciar a esse cargo de tal importância e
influência quem, olhando muito além das perspectivas humanas,
tem uma profunda Fé em Deus, na divindade da sua Igreja e na
assistência daquele do qual o Papa é o representante na terra:
“confiemos a
Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor
Jesus Cristo” (Bento XVI).
E como a Fé é a base da Esperança e da
confiança, por trás dessa renúncia há uma sublime confiança em
Deus: a barca de Pedro não soçobrará nas ondas desse mar
tempestuoso, nem depende de nós para isso: “as forças do
Inferno não poderão vencê-la” (Mt 16, 18).
Por trás dessa
renúncia, vemos um grande amor a Deus e à sua Igreja: “uma
decisão de grande importância para a vida da Igreja”, como
disse ele.
Um grande desapego do
alto cargo e influente posição, declarando-se apenas um
humilde servidor, uma profunda humildade, não se julgando
necessário e reconhecendo a própria fraqueza e incapacidade,
de corpo e de espírito, para exercer adequadamente o
ministério petrino, e ao pedir perdão – “peço perdão por todos
os meus defeitos”.
Ao lado
do heroísmo do Beato João Paulo II de levar o sofrimento
pessoal até o fim, temos o grande heroísmo de Bento XVI
de renunciar por amor à Igreja, para evitar qualquer
sofrimento para ela. No
começo da Igreja, no tempo das perseguições, houve
cristãos que resolveram ficar onde estavam e enfrentar o
martírio. Exemplo de fortaleza. Houve outros
cristãos, que temendo a perseguição e a própria
perseverança, acharam melhor fugir da perseguição e se
refugiar no deserto, para rezar e fazer penitência, longe
do mundo. Exemplo de humildade. Houve santos de ambas as
posturas, os que enfrentaram e os que se retiraram.
Heroísmo de fortaleza e heroísmo de humildade, frutos da
Fé. A Igreja é feita de heróis da Fé!
Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo
da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Nas tentações o que está em jogo é a fé, porque está em jogo Deus.
As palavras de Bento XVI no I Domingo da Quaresma
Cidade do Vaticano, 17 de Fevereiro de 2013
Queridos irmãos e irmãs!Jesus, de fato, depois de receber a "investidura" de Messias - "ungido" de Espírito Santo - no Batismo no Jordão, foi conduzido pelo mesmo Espírito no deserto para ser tentado pelo diabo. Ao iniciar o seu ministério público, Jesus teve que desmascarar e repelir as falsas imagens de Messias que o tentador lhe propunha. Mas essas tentações são também falsas imagens do homem, que em todos os momentos insidiam a consciência, trasvestindo-se de propostas convenientes e eficazes, ou até mesmo boas. Os evangelistas Mateus e Lucas apresentam três tentações de Jesus, diversificando-as apenas na ordem. O núcleo central consiste em instrumentalizar Deus para os próprios interesses, dando mais importância ao sucesso ou aos bens materiais. O tentador é astuto: não impele diretamente em direção ao mal, mas a um falso bem, fazendo crer que as verdadeiras realidades são o poder e aquilo satisfaz as necessidades primárias. Dessa forma, Deus torna-se secundário, reduz-se a um meio, torna-se definitivamente irreal, não importa mais, desvanece. Em última análise, nas tentações o que está em jogo é a fé, porque está em jogo Deus. Nos momentos decisivos da vida, mas, vendo bem, a qualquer momento, estamos numa encruzilhada: queremos seguir o eu ou Deus? O interesse individual ou o que realmente é bem?
Como nos ensinam os Padres da Igreja, as tentações fazem parte da "descida" de Jesus à nossa condição humana, ao abismo do pecado e das suas consequências. Uma "descida" que Jesus percorreu até o fim, até a morte de cruz, até os infernos do extremo distanciamento de Deus. Desse modo, Ele é a mão que Deus estendeu ao homem, à ovelha perdida, para reconduzi-la a salvo. Como ensina Santo Agostinho, Jesus tirou de nós a tentação, para nos dar a vitória (cf. Enarr Psalmos em, 60,3:. PL 36, 724). Portanto, também nós não tememos enfrentar o combate contra o espírito do mal: o importante é que o façamos com Ele, com Cristo, o Vencedor. E para estar com Ele voltemo-nos para a Mãe, Maria: Invoquemos com confiança filial na hora da provação, e ela nos fará sentir a potente presença de seu Filho divino, para repelir as tentações com a Palavra de Cristo, e assim recolocar Deus no centro da nossa vida.
(Após o Angelus)
Obrigado a todos!
Um caloroso saúdo aos peregrinos de língua italiana. Obrigado a todos! Obrigado por virem tão numerosos! Obrigado! A presença de vocês é um sinal do afeto e da proximidade espiritual que vocês estão me manifestando nestes dias. Saúdo, em particular, a administração de Roma Capital, conduzida pelo prefeito, e com ele saúdo e agradeço a todos os habitantes dessa amada Cidade de Roma. Saúdo os fiéis da diocese de Verona, de Nettuno, de Massanninziata e da paroqeuia romana de Santa Maria Janua Coeli, como também os jovens de Seregni e Brescia.
A todos auguro um bom domingo e um bom caminho de Quaresma. Esta tarde inicia a semana de exercícios espirituais: continuemos unidos na oração. Boa semana a todos. Obrigado!
Fonte: (Zenit.org)
150
mil fiéis lotaram a praça São Pedro neste domingo, 17/02, para
participarem do penúltimo Angelus com o Papa Bento XVI. Com cartazes e
faixas, os peregrinos vindos de vários países agradeceram ao Santo Padre
pelos anos de pontificado. Após a tradicional mensagem do pontífice, os
católicos gritaram “Vida longa ao Papa”, expressando o seu afeto por
Bento XVI. Uma inglesa protestante chamada Rebecca, presente na
cerimônia como turista, disse aos repórteres que a entrevistaram: “não
entendo nada, mas é incrível, foi incrível, não vi nem vivi nada igual”.domingo, 17 de fevereiro de 2013
A JUVENTUDE SE DIVERTE...
Terminado o Carnaval, cabe alguma
reflexão sobre as diversões. O Carnaval se tornou uma festa totalmente profana
e nada edificante. Ao lado de desfiles deslumbrantes das escolas de samba, com
todo o seu requinte, fantasias fascinantes, exposição de luxo, vaidade e também
despudor, presencia-se uma verdadeira bacanal de embriaguez, orgias e festas
mundanas, onde se pensa que tudo é permitido. Infelizmente, há muito tempo que
o Carnaval deixou de ser apenas um folguedo popular, uma festa quase inocente,
uma diversão até certo ponto sadia.
Segundo
uma teoria, a origem da palavra “carnaval” vem do latim “carne vale”, “adeus à
carne”, pois no dia seguinte começava o período da Quaresma, tempo em que os
cristãos se abstêm de comer carne, por penitência. Daí que, ao se despedirem da
carne na terça-feira que antecede a Quarta-Feira de Cinzas, se fazia uma boa
refeição, comendo carne evidentemente, e a ela davam adeus. Tudo isso, só
explicável no ambiente cristão, deu origem a uma festa nada cristã. Vê-se como
o sagrado e o profano estão bem próximos, e este pode contaminar aquele. Como
hoje acontece com as festas religiosas, quando o profano que nasce em torno do
sagrado, acaba abafando-o e profanando. Isso ocorre até no Natal e nas festas
dos padroeiros das cidades e vilas. O acessório ocupa o lugar do principal, que
fica prejudicado, esquecido e profanado.
Comovidos e chocados, choramos os jovens
da boate de Santa Maria, rezamos por eles e lamentamos as graves negligências
que causaram o desastre. Mas cabe uma reflexão de caráter geral: nos
noticiários após a tragédia, pôde-se conhecer a imensa quantidade de boates ou
casas noturnas que pululam nas cidades e como milhares de jovens as frequentam.
E, segundo o testemunho deles, tomam bebidas alcoólicas antes, durante e depois
das baladas, sem falar em outras drogas que aparecem nesses ambientes. Assim
fica muito difícil ter bons reflexos em situações de perigo. Sexo, bebidas,
drogas etc.: é só assim que se divertem nossos jovens? É dessa maneira que
teremos uma juventude responsável, sadia, honesta e feliz, da qual virá o
futuro? É só no pecado que conseguem se alegrar? É uma boa reflexão para a
Campanha da Fraternidade deste ano, cujo tema é “Fraternidade e Juventude”, que
coincide com a Quaresma.
É claro que existe uma diversão sadia.
São Francisco de Sales reflete: “A necessidade dum divertimento honesto, para
dar certa expansão ao espírito e alívio ao corpo, é universalmente
reconhecida... Muito defeituosa é aquela severidade de alguns espíritos rudes,
que nunca querem permitir um pouco de repouso nem para si nem para os outros”.
Mas ele recomenda a modéstia e a temperança nas diversões, guardando sempre o
coração longe do pecado. E completava: “O barulho não faz bem e o bem não faz
barulho”.
Por
isso, durante o Carnaval, os cristãos mais conscientes preferem se retirar do
tumulto e se entregar ao recolhimento e à oração. Uma boa preparação para a
Quaresma, tempo de penitência e oração, pelos jovens e pela Igreja, sobretudo
depois da triste notícia da próxima renúncia do Papa. Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo da
Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
sábado, 16 de fevereiro de 2013
"Quem crê nunca está sozinho!"
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| Padre Paulo Ricardo |
Mas esse sentimento é passageiro, pois o que realmente deve ficar em nosso coração é a coragem de Bento XVI ao renunciar ao trono do sucessor de Pedro pelo bem maior da Igreja.
Precisamos ter em vista a providência Divina que escolheu o Brasil como o primeiro país a ser visitado pelo novo papa. Essa é uma graça incrível e precisamos ter o coração aberto e receptivo para tudo que iremos viver em alguns meses.
É fantástica a sincronia de Deus! E eu recordava nesses dias algo que experimentei no Rio de Janeiro, ao lado do saudoso arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Eugenio Sales. Sempre que a seleção brasileira jogava ele assistia ao jogo em sua residência no Alto do Sumaré, mas ele tinha mania de assistir sozinho, em virtude da sua ansiedade.
Sempre que o Brasil fazia um gol ele correria para a sacada só para ouvir a cidade do Rio de Janeiro comemorando. Era impressionante ouvir tantas vozes naquele local tão alto e que parecia ser tão distante.
Eu disse isso para você entender o que significa rezar junto aos santos. Se você rezar sozinho talvez não veja muitos resultados, mas se unir suas orações junto com as orações de toda a Igreja, com certeza grandes coisas acontecerão. Assim como era possível ouvir àquelas vozes no Alto do Sumaré.
Por este motivo, eu convido todos vocês a rezar durante esta Quaresma pela eleição no novo sucessor de Pedro e pela Jornada Mundial da Juventude.
O próprio diabo enxerga o perigo, para ele, que é o Santo Padre se reunir com a juventude do mundo, pois ele compreende a importância da figura paterna do papa em nossa vida.
Talvez você esteja se perguntando: “Mas por que eu devo rezar pelos jovens se isso já é desejo d'Ele?”. De fato Ele realmente quer a salvação de todos nós, inclusive dos jovens, mas Ele quer salvar jovens através de outros jovens. Na JMJ os jovens mais próximos deles serão vocês voluntários.
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| "Quem crê nunca está sozinho." diz Padre Paulo Ricardo |
A sua oração é amar e pode ser o instrumento salvador da vida de muitos jovens. Amar alguém significa querer que ela vá para mais perto de Deus e encontre n'Ele a sua morada eterna.
Segundo o papa Bento XVI, “quem crê nunca está sozinho”, independente da situação que se encontre hoje. Tudo isso acontecer porque estamos em unidade com os anjos e santos intercedendo por todos aqueles que, neste momento, precisam ser alcançados por essa orações.
Precisamos revigorar a nossa fé na alegria de ser católico e saber que temos um pai, o Santo Padre. O papa renunciou no dia de Nossa Senhora de Lourdes e, com certeza, neste dia, ele confiou tudo a ela, acreditando que a Igreja estará bem assistida em suas mãos.
A Virgem Maria, sem dúvida, também estará presente no Conclave, assim como o Espírito Santo e todos os cardeais, zelando pela Igreja e pelo futuro sucessor de Pedro. Toda escolha de Deus é uma vocação e implica desafios. Dessa vez, a escolha de Deus é um convite: “Jovens brasileiros, vivam a Quaresma com os joelhos no chão, pois muitas graças serão derramadas durante a Jornada Mundial da Juventude”.
Fonte: Acampamento JMJ Voluntários - CN
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
JMJ Rio 2013, o sonho de um coração jovem
O coração dos jovens de diferentes partes
do mundo começa a palpitar diante do maior acontecimento que viverá a
Igreja juvenil neste ano: a Jornada Mundial da Juventude no Rio de
Janeiro.
Todas as comunidades e paróquias têm
experimentado, há alguns meses, o impulso e a alegria de milhões de
jovens que decidiram estar presente – com tudo o que isso significa –
neste evento da fé.
Assistir à JMJ significa para muitos um desafio. “O
que me impulsiona a ir [ ao evento] é a sede de Deus, por isso não há
limites que me impeçam de chegar a Ele e compartilhar esse momento com
tantos outros irmãos de todo o mundo”, diz Luján Rodriguez (Província de Corrientes, Argentina), que participará pela primeira vez de uma Jornada.
Viver uma Jornada é experimentar o
carinho da Igreja para com os jovens. É reviver a cena, na qual Jesus,
caminhando, olha para Seus discípulos amando-os, em primeiro lugar, e
chamando-os: “Vão e façam discípulos em todas as nações”. Esse é o
chamado!
“Um gesto que me emocionou
muito foi o momento de adoração ao Santísimo, quando o Papa, de joelhos
diante de Jesus, pedia por nosso coração e nos entregava ao coração de
Jesus. Isso me deixou estremecida até os ossos” testemunha Gabriela Rodriguez (Província de Corrientes, Argentina), participante da JMJ Madri 2011 com Bento XVI.
Essa jovem, como tantos outros, guarda em
seu coração os mistérios do Santo Rosário rezados em todos os idiomas,
os momentos de calor e de chuva, as palavras de Bento XVI “pedindo-nos que sejamos boas testemunhas”.
“Minha expectativa para a
próxima JMJ RIO 2013 é que mais jovens possam viver o mesmo que eu vivi.
Que o mundo se inteire da alegria que há na vida de um cristão
comprometido, amado e cuidado por Deus”, compartilha a jovem argentina, que já se mostra entusiasmada por participar da próxima Jornada.
Sem dúvidas, a presença do novo Pontífice fará, desta JMJ, um evento especial.
Para que você também se contagie da
alegria que antecede todo o evento, segue um vídeo dos jovens que
estarão no Brasil em julho.
Fonte: CN
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Superar a tentação de submeter Deus a si e aos próprios interesses
Discurso improvisado pelo Papa antes da catequese da quarta-feira
Acolhido pelos aplausos e pela emoção dos fieis presentes na Sala Paulo VI, o Papa Bento XVI pronunciou, antes de começar a tradicional catequese da quarta-feira hoje, o seguinte discurso improvisado."Queridos irmãos e irmãs,
Como vocês sabem, decidi [aplausos]... Obrigado pela sua simpatia, decidi renunciar ao ministério que o Senhor me confiou no dia 19 de abril de 2005. Fiz isso com plena liberdade para o bem da Igreja, depois de ter rezado bastante e de ter examinado diante de Deus a minha consciência, bem consciente da gravidade de tal ato, mas bem consciente de não estar mais em condições de exercer o ministério petrino com aquela força que se requer. Me apoia e me ilumina a certeza de que a Igreja é de Cristo, o qual não a deixará nunca sem o seu guia e cuidado. Agradeço a todos pelo amor e a oração com que me acompanham. Obrigado, senti quase que fisicamente nestes dias, não fáceis para mim, a força da oração que o amor da Igreja, a oração de vocês, me traz. Continuem a rezar por mim, pela Igreja, pelo futuro Papa, que nos guiará”.
Superar a tentação de submeter Deus a si e aos próprios interesses
Cidade do Vaticano, 13 de Fevereiro de 2013
Queridos irmãos e irmãs,Antes de tudo, o deserto, para onde Jesus se retira, é o lugar do silêncio, da pobreza, onde o homem é privado dos apoios materiais e se encontra diante das questões fundamentais da existência, é convidado a ir ao essencial e por isto lhe é mais fácil encontrar a Deus. Mas o deserto é também o lugar de morte, porque onde não tem água, não tem vida, é o lugar da solidão, onde o homem sente mais intensamente a tentação. Jesus vai para o deserto e lá é tentado a deixar o caminho indicado pelo Pai para seguir outros caminhos mais fáceis e mundanos (cf. Lc 4,1-13). Assim, Ele assume as nossas tentações, leva consigo a nossa miséria, para vencer o maligno e para abrir-nos o caminho para Deus, o caminho da conversão.
Refletir sobre as tentações sofridas por Jesus no deserto é um convite para cada um de nós a responder uma pergunta fundamental: o que é realmente importante na minha vida? Na primeira tentação o diabo propõe a Jesus transformar uma pedra em pão para acabar com a fome. Jesus responde que o homem vive também de pão, mas não somente de pão: sem uma resposta à fome da verdade, à fome de Deus, o homem não pode ser salvo (cf. vv 3-4.). Na segunda tentação, o diabo propõe a Jesus o caminho do poder: o conduz ao alto e lhe oferece o domínio sobre o mundo; mas este não é o caminho de Deus: Jesus tem muito claro que não é o poder mundano que salva o mundo, mas o poder da cruz, da humildade, do amor (cf. vv. 5-8). Na terceira tentação, o diabo propõe a Jesus atirar-se do ponto mais alto do Templo de Jerusalém e fazer-se salvar por Deus mediante seus anjos, isto é, de fazer algo de sensacional para colocar à prova o próprio Deus; mas a resposta é que Deus não é um objeto ao qual impor as nossas condições: é o Senhor de tudo (cf. vv 9-12.). Qual é o núcleo das três tentações que Jesus sofre? É a proposta de manipular a Deus, de usá-Lo para os próprios interesses, para a própria glória e para o próprio sucesso. Então, essencialmente, de colocar a si mesmo no lugar de Deus, retirando-O da própria existência e fazendo-O parecer supérfluo. Cada um deveria perguntar-se: qual é o lugar de Deus na minha vida? É Ele é o Senhor ou sou eu?
Superar a tentação de submeter Deus a si e aos próprios interesses ou colocá-Lo em um canto e converter-se à ordem correta de prioridade, dar a Deus o primeiro lugar, é um caminho que todo cristão deve percorrer sempre de novo. “Converter-se", um convite que escutamos muitas vezes na Quaresma, significa seguir Jesus de modo que o seu Evangelho seja guia concreto da vida; significa deixar que Deus nos transforme, parar de pensar que somos os únicos construtores da nossa existência; é reconhecer que somos criaturas, que dependemos de Deus, do seu amor, e apenas "perdendo" a nossa vida Nele podemos ganhá-la. Isto exige trabalhar as nossas escolhas à luz da Palavra de Deus. Hoje não se pode mais ser cristão como uma simples consequência do fato de viver em uma sociedade que tem raízes cristãs: mesmo quem nasce de uma família cristã, é educado religiosamente deve, a cada dia, renovar a escolha de ser cristão, ou seja, dar a Deus o primeiro lugar, diante das tentações que uma cultura secularizada sugere continuamente, diante das críticas de muitos contemporâneos.
As provas às quais a sociedade moderna submete o cristão, de fato, são muitas, e afetam a vida pessoal e social. Não é fácil ser fiel ao matrimônio cristão, praticar a misericórdia na vida cotidiana, dar espaço à oração e ao silêncio interior; não é fácil opor-se publicamente às escolhas que muitos consideram óbvias, como o aborto em caso de gravidez indesejada, a eutanásia em caso de doença grave, ou a seleção de embriões para prevenir doenças hereditárias. A tentação de deixar de lado a própria fé está sempre presente e a conversão torna-se uma resposta a Deus que deve ser confirmada muitas vezes na vida.
Temos como exemplo e estímulo as grandes conversões como a de São Paulo no caminho de Damasco, ou de Santo Agostinho, mas também na nossa época de eclipses do sentido do sagrado, a graça de Deus está a serviço e faz maravilhas na vida de muitas pessoas. O Senhor nunca se cansa de bater à porta dos homens em contextos sociais e culturais que parecem engolidos pela secularização, como aconteceu para o russo ortodoxo Pavel Florenskij. Depois de uma educação completamente agnóstica, a ponto de agir com verdadeira hostilidade para com os ensinamentos religiosos ensinados na escola, o cientista Florenskij encontra-se a exclamar: "Não, não é possível viver sem Deus!", e a mudar a sua vida completamente, a ponto de tornar-se monge.
Penso também na figura de Etty Hillesum, uma jovem holandesa de origem judia que morreuem Auschwitz. Inicialmentedistante de Deus, descobre-O olhando em profundidade dentro de si mesma e escreve: "Um poço muito profundo está dentro de mim. E Deus está nesse poço. Às vezes eu posso alcançá-lo, muitas vezes a pedra e a areia o cobrem: então Deus está sepultado. É preciso de novo que o desenterrem"(Diário, 97). Na sua vida dispersa e inquieta, encontra Deus em meio à grande tragédia do século XX, o Holocausto. Esta jovem frágil e insatisfeita, transfigurada pela fé, torna-se uma mulher cheia de amor e paz interior, capaz de dizer: "Vivo constantemente em intimidade com Deus".
A capacidade de opor-se às atrações ideológicas do seu tempo para escolher a busca da verdade e abrir-se à descoberta da fé é evidenciada por outra mulher do nosso tempo, a americana Dorothy Day. Em sua autobiografia, confessa abertamente ter caído na tentação de resolver tudo com a política, aderindo à proposta marxista: "Eu queria andar com os manifestantes, ir para a cadeia, escrever, influenciar os outros e deixar o meu sonho no mundo. Quanta ambição e quanta busca de mim mesma havia em tudo isso!”. O caminho de fé em um ambiente tão secularizado era particularmente difícil, mas a Graça age da mesma maneira, como ela mesma ressalta: "É certo que eu senti muitas vezes a necessidade de ir à igreja, ajoelhar, curvar a cabeçaem oração. Uminstinto cego, poderia-se dizer, porque eu não estava consciente da oração. Mas eu ia, inseria-me na atmosfera da oração ... ". Deus a conduziu a uma consciente adesão à Igreja, em uma vida dedicada aos menos favorecidos.
No nosso tempo não são poucas as conversões entendidas como retorno de quem, depois de uma educação cristã talvez superficial, afastou-se da fé por anos e depois redescobre Cristo e o seu Evangelho. No livro do Apocalipse, lemos: "Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo "(3, 20). O nosso homem interior deve preparar-se para ser visitado por Deus, e por essa razão não deve deixar-se invadir pelas ilusões, pelas aparências, pelas coisas materiais.
Neste tempo de Quaresma, no Ano da fé, renovemos o nosso compromisso no caminho de conversão, para superar a tendência de fechar-nos em nós mesmos e fazer, ao invés, espaço para Deus, olhando com seus olhos a realidade cotidiana. A alternativa entre o fechamento no nosso egoísmo e a abertura ao amor de Deus e dos outros, podemos dizer que corresponde à alternativa das tentações de Jesus: alternativa, isso é, entre o poder humano e o amor da Cruz, entre uma redenção vista apenas no bem-estar material e uma redenção como obra de Deus, a quem damos o primado da existência. Converter-se significa não fechar-se na busca do próprio sucesso, do próprio prestígio, da própria posição, mas assegurar que a cada dia, nas pequenas coisas, a verdade, a fé em Deus e o amor tornem-se a coisa mais importante.
(Após a catequese)
Amados peregrinos lusófonos, uma cordial saudação para todos, nomeadamente para os grupos portugueses de Lamego e Lisboa, e os brasileiros de Curitiba e Porto Alegre. Possa cada um de vós viver estes quarenta dias como um generoso caminho de conversão à santidade que o Deus Santo vos pede e quer dar! As suas bênçãos desçam abundantes sobre vós e vossas famílias! Obrigado!
Fonte: Zenit.org
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