segunda-feira, 17 de junho de 2013

"Somente dos santos, somente de Deus vem a verdadeira revolução"

Que a JMJ seja a verdadeira revolução capaz de acordar o gigante que trazemos no nosso coração

Ondas de revolução passam pelo Brasil. O que está acontecendo? Que revolução é essa?
Nas redes sociais fotos e mais fotos de rostos machucados, agressivos, jornalistas sendo vaiados, manifestantes em confronto com a força pública, ou ao contrário...; juntamente com vídeos de indignação e violência, gás lacrimogêneo, “vinagre”...
E vem aí “a grande revolução”, como um carro alegórico entrando na pista.
“Que grande revolução é essa que se aproxima?”, os mais espertos se perguntam.
“E o gigante está acordando”, e o “povo, por fim, está se dando conta”, e “acabou a farça”, são os slogans compartilhados e “curtidos” por milhares de brasileiros nessa segunda-feira em todas as redes sociais.
Para um católico, não deixa de ser uma oportunidade para refletir no termo “revolução” e perguntar-se: onde está e qual é a verdadeira revolução?
“Eis aqui a verdadeira revolução trazida por Cristo, a do amor!”, disse o Papa emérito Bento XVI no dia 15 de setembro de 2012.
Estamos há quase um mês de uma grande manifestação que pode mudar a cara do Brasil e do mundo: a Jornada Mundial da Juventude. Como assim?
“Não pode haver verdadeira paz sem verdadeira justiça”, dizia Paulo VI no dia 1 de Janeiro de 1972 e ressaltava porém: “Difícil equação aquela da justiça e da paz: requer sabedoria, prudência, paciência, gradualidade, não violência, não revolução (que são outras injustiças), mas deverá ser perseguida com tenacidade, com sacrifício, alto e sincero amor pela humanidade”.
E, na grande vigília da Jornada Mundial da Juventude de Colônia, disse aos jovens Bento XVI: “Os santos, já o dissemos, são os verdadeiros reformadores. E agora gostaria de expressá-lo de forma mais radical. Somente dos santos, somente de Deus vem a verdadeira revolução, a mudança decisiva do mundo” porque “a revolução consiste unicamente no voltar-se sem reservas para Deus que é a medida do que é justo e ao mesmo tempo é amor eterno”.
Portanto, parece ser que os rostos jovens da nossa nação não precisam se esconder detrás de máscaras para protestar e sair às ruas. Fazê-lo de forma pacífica, buscando objetivos claros, é um bem para a nação, diante das inegáveis injustiças que essa sofre. Depredar, destruir, violência, é causar uma injustiça maior.
Que os milhões de jovens reunidos em vigília de oração com o Papa em Guaratiba na JMJ Rio 2013 sejam uma grande luz, capaz de iluminar cada canto na nossa nação e do mundo.
Ali sim, ali o gigante acordará! O grande gigante que cada batizado em estado de graça traz dentro da sua alma: a Santíssima Trindade! E aí a verdadeira revolução começa.

 Fonte: ZENIT - O Mundo visto de Roma

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Santo Antônio

Neste dia, celebramos a memória do popular santo – doutor da Igreja – que nasceu em Lisboa, em 1195, e morreu nas vizinhanças da cidade de Pádua, na Itália, em 1231, por isso é conhecido como Santo Antônio de Lisboa ou de Pádua. O nome de batismo dele era Fernando de Bulhões y Taveira de Azevedo.
Ainda jovem pertenceu à Ordem dos Cônegos Regulares, tanto que pôde estudar Filosofia e Teologia, em Coimbra, até ser ordenado sacerdote. Não encontrou dificuldade nos estudos, porque era de inteligência e memória formidáveis, acompanhadas por grande zelo apostólico e santidade. Aconteceu que em Portugal, onde estava, Antônio conheceu a família dos Franciscanos, que não só o encantou pelo testemunho dos mártires em Marrocos, como também o arrastou para a vida itinerante na santa pobreza, uma vez que também queria testemunhar Jesus com todas as forças.
Ao ir para Marrocos, Antônio ficou tão doente que teve de voltar, mas providencialmente foi ao encontro do “Pobre de Assis”, o qual lhe autorizou a ensinar aos frades as ciências que não atrapalhassem os irmãos de viverem o Santo Evangelho. Neste sentido, Santo Antônio não fez muito, pois seu maior destaque foi na vivência e pregação do Evangelho, o que era confirmado por muitos milagres, além de auxiliar no combate à Seita dos Cátaros e Albigenses, os quais isoladamente viviam uma falsa doutrina e pobreza. Santo Antônio serviu sua família franciscana através da ocupação de altos cargos de serviço na Ordem, isto até morrer com 36 anos para esta vida e entrar para a Vida Eterna.

Santo Antônio, rogai por nós!

domingo, 9 de junho de 2013

Papa fala do Coração de Jesus como o símbolo real da misericórdia de Deus

O Papa Francisco reuniu-se com os fiéis presentes na Praça São Pedro neste domingo, 9, para rezar a tradicional oração do Angelus. Antes da oração mariana, o Papa fez algumas reflexões sobre a misericórdia de Deus, destacando que o Coração de Jesus é o símbolo real dessa misericórdia.

 ANGELUS
Praça São Pedro
Domingo, 9 de junho de 2013
Boletim da Santa Sé 
 
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
O mês de junho é tradicionalmente dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, máxima expressão humana do amor divino. Na sexta-feira passada, de fato, celebramos a solenidade do Coração de Cristo, e esta festa dá o tom de todo o mês. A piedade popular valoriza muito os símbolos, e o Coração de Jesus é o símbolo por excelência da misericórdia de Deus; mas não é um símbolo imaginário, é um símbolo real, que representa o centro, a fonte da qual surgiu a salvação para toda a humanidade.
Nos Evangelhos encontramos diversas referências ao Coração de Jesus, por exemplo na passagem em que o próprio Cristo disse: “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas” (Mt 11, 28-29). Fundamental, então, é a passagem da morte de Cristo segundo João. Este evangelista de fato testemunha aquilo que viu no Calvário, que um soldado, quando Jesus já estava morto, abriu-Lhe o lado com uma lança e daquela ferida saíram sangue e água (cfr Jo 19, 33-34). João reconheceu naquele sinal, aparentemente casual, o cumprimento da profecia: do coração de Jesus, Cordeiro imolado na cruz, vem para todos os homens o perdão e a vida.
Mas a misericórdia de Jesus não é somente um sentimento, é uma força que dá vida, que levanta o homem! Isto nos diz também o Evangelho de hoje, no episódio da viúva de Naim (Lc 7,11-17). Jesus, com os seus discípulos, está chegando a Naim, um vilarejo da Galileia, propriamente no momento no qual acontece um funeral: leva-se para a sepultura um rapaz, filho único de uma mulher viúva. O olhar de Jesus se fixa subitamente na mãe em pranto. Diz o evangelista Lucas: “Vendo-a, o Senhor foi tomado de grande compaixão para com ela” (v. 13). Esta “compaixão” é o amor de Deus pelo homem, é a misericórdia, isso é, a atitude de Deus em contato com a miséria humana, com a nossa pobreza, o nosso sofrimento, a nossa angústia. O termo bíblico “compaixão” evoca o útero materno: a mãe, de fato, tem uma reação típica diante da dor dos filhos. Assim nos ama Deus, diz a Escritura.
E qual é o fruto deste amor, desta misericórdia? É a vida! Jesus disse à viúva de Naim: “Não chores!”, e depois chamou o rapaz morto e o despertou como de um sono (cfr VV. 13-15). Pensemos nisto, é belo: a misericórdia de Deus dá vida ao homem, ressuscita-o da morte. O Senhor nos olha sempre com misericórdia; não esqueçamos isto, nos olha sempre com misericórdia, nos espera com misericórdia. Não tenhamos medo de nos aproximarmos Dele! Tem um coração misericordioso! Se mostrarmos a Ele as nossas feridas interiores, os nossos pecados, Ele sempre nos perdoa. É pura misericórdia! Vamos para Jesus!
Voltemo-nos à Virgem Maria: o seu coração imaculado, coração de mãe, partilhou ao máximo a “compaixão” de Deus, especialmente na hora da paixão e da morte de Jesus. Que Maria nos ajude a sermos mansos, humildes e misericordiosos com os nossos irmãos.

Fonte: CN

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

Na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, Papa Francisco enfatizou o amor de Cristo pela humanidade
  
É preciso deixar-se amar por Deus

Deixar-se amar por Deus com ternura é difícil, mas é a graça que temos que pedir dEle. Este foi o convite do papa Francisco na missa desta manhã na Casa Santa Marta.

Concelebrou com ele o bibliotecário da Santa Igreja Romana, dom Jean-Louis Bruguès, e o pe. Sergio Pagano. Assistiu à missa parte do pessoal do Arquivo Secreto Vaticano.
“Jesus nos amou muito, não com palavras, mas com fatos e com a vida”, repetiu várias vezes o papa na homilia de hoje, solenidade do Sagrado Coração de Jesus, que ele chama de "festa do amor", de um "coração que amou muito". Um amor que, como repetia Santo Inácio, "se manifesta mais nas obras do que nas palavras" e que é especialmente "mais um dar-se do que um receber".
Bases do amor de Deus
“Estes dois critérios”, destacou o papa, “são os pilares do amor verdadeiro”, e é o Bom Pastor quem representa todo o amor de Deus. Ele conhece as suas ovelhas uma por uma, "porque o amor não é abstrato nem geral: é o amor por cada um".
"Um Deus que se torna próximo por amor, que caminha com o seu povo, e esse caminhar chega a um ponto inimaginável. Nunca podemos imaginar que o próprio Deus se torna um de nós e caminha conosco, fica
conosco, permanece na sua Igreja, continua presente na Eucaristia, continua na sua Palavra, permanece nos pobres, fica conosco para caminhar! E isto é estar perto: é o pastor perto do seu rebanho, das suas ovelhas, que ele conhece uma por uma".
Explicando uma passagem do livro do profeta Ezequiel, Francisco ressalta outro aspecto do amor de Deus: o cuidado da ovelha perdida e da ovelha ferida e doente:
"A ternura! Deus nos ama ternamente! Nosso Senhor conhece aquela linda ciência das carícias, aquela ternura de Deus. Não se ama com as palavras. Ele se aproxima, chega perto, e nos dá aquele amor com ternura. Proximidade e ternura! Esses dois estilos de Deus que se torna próximo e que dá todo o seu amor inclusive nas menores coisas: com a ternura. E é um amor forte, porque a proximidade e a ternura nos fazem ver a fortaleza do amor de Deus".
Chamados a amar
"Mas vocês amam como eu os amei?", foi a pergunta que o papa destacou, reforçando que o amor deve "ser próximo", deve ser "como o do bom samaritano" e, em particular, ter “o sinal da proximidade e da ternura”. Mas como devolver todo esse amor a Deus? Este foi o outro ponto em que Francisco se concentrou: "amando-o", ficando "perto dele", sendo "ternos com Ele". Mas isto não é suficiente:
"Pode parecer uma heresia, mas é a maior das verdades! Mais difícil do que amar a Deus é deixar-se amar por Ele! A maneira de devolver tanto amor é abrir o coração e deixar-se amar. Deixar que Ele venha até nós e senti-lo perto. Permitir que ele seja terno, que ele nos acaricie. Isso é muito difícil: deixar-se amar por Ele. E é isto o que talvez devamos pedir hoje na missa: Senhor, eu quero te amar, mas me ensina essa difícil ciência, esse difícil hábito de me deixar amar por ti, de te sentir por perto e de sentir a tua ternura! Que o Senhor nos dê esta graça".
Fonte: ZENIT - O Mundo Visto de Roma


Conheça as 12 promessas do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque:


1ª Promessa: “A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de Meu Sagrado Coração”; 2ª Promessa: “Eu darei aos devotos de Meu Coração todas as graças necessárias a seu estado”;

3ª Promessa:
“Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias”;

4ª Promessa:
“Eu os consolarei em todas as suas aflições”;
5ª Promessa: “Serei refúgio seguro na vida e principalmente na hora da morte”; 6ª Promessa: “Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos e empreendimentos”; 7ª Promessa: “Os pecadores encontrarão, em meu Coração, fonte inesgotável de misericórdias”; 8ª Promessa: “As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática dessa devoção”; 9ª Promessa: “As almas fervorosas subirão, em pouco tempo, a uma alta perfeição”; 10ª Promessa: “Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos”; 

11ª Promessa: "As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no Meu Coração”; 12ª Promessa: “A todos os que comunguem, nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.


 Hoje a Igreja pede que rezemos pelos nossos sacerdotes (bispos e padres) para que sejam santos. Por isso o dia de hoje é denominado de Dia Mundial de Oração pela Santificação do Clero. O Papa Francisco disse há pouco tempo que os Bispos e os Sacerdotes precisam ter o cheiro das ovelhas, ou seja, estar junto a elas para acudi-las nos momentos de apuros ou quando se sentem ameaçadas pelo lobo que aproxima para devorá-las. Para que isso aconteça, rezemos muito por nossos Pastores. A missão do sacerdote é tão importante e necessária na Igreja e na sociedade. Mas o padre precisa da ajuda da comunidade, sobretudo com as orações dos fiéis.
Na Igreja,  o Sacerdote (bispo e padre), representa Jesus e toma sobre si a missão de cuidara das ovelhas, participando de suas alegrias e tristezas, conduzindo-as aos bons pastos seguros, longe de qualquer perigo que coloque em risco sua vida.


Sagrado Coração de Jesus, temos confiança em Vós!

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Aprendei de Mim que sou manso

Estamos no mês de Junho, dedicado ao Sagrado Coração de Jesus. Por isso, quero neste mês compartilhar algumas reflexões sobre este Sacratíssimo Coração.
Jesus é nosso modelo perfeito.
Somos convidados continuamente pela Palavra de Deus a seguirmos seus exemplos: “Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo, diz-nos São Paulo em Fl 2,5.  E São Pedro nos diz que Cristo deixou-nos o exemplo para que sigamos suas pegadas  (1 Pd 2, 21).
Muito além destes conselhos, temos a palavra do próprio Jesus: “Aprendei de mim”. Jesus se apresenta a nós como Mestre e modelo, que devemos seguir e imitar.
O interessante é que Jesus, podendo apresentar-se a nós como modelo de todas as virtudes, mencionou apenas duas, para que o imitássemos nelas, garantindo-nos que se o fizermos, encontraremos paz e descanso para o nosso espírito. E que virtudes são estas? Ouçamos suas palavras: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de Coração” (MT 11, 29). Ei-las: mansidão e humildade. Os alicerces do cristianismo, as características fundamentais da Caridade e, por isso mesmo, do Coração de Cristo.
Hoje vamos falar da mansidão.
Mansidão é a virtude que nos leva a conservar a mesma serenidade em todas as ocasiões e situações. Ser manso é um grande desafio. São muitas as situações que querem nos “tirar do sério”. Mas então entra a mansidão.
Uma coisa importante e característica de todas as virtudes é que elas nos ensinam que não devemos agir só por motivos e critérios humanos. E isto muda completamente nosso comportamento.
É o que Jesus nos ensina quando diz “Aprende de Mim”. Ele é nosso critério, pois Ele é a Verdade.
Mas aprender de Jesus implica conhecê-lo de perto, o que só se alcança convivendo com Ele. Temos que imitar Jesus, mas não como um gravador, mas como os filhos que no contato diário de toda uma vida, naturalmente terminam imitando seus pais, no modo de falar, de andar, etc. Temos que ser íntimos de Jesus para podermos imitá-lo.
Jesus diz que é manso de Coração. A virtude é algo profundo, age de dentro para fora. Não é só uma casquinha, uma aparência.
Para ser manso de verdade não basta não brigar exteriormente. É preciso ter o coração em paz. Às vezes por fora estamos calados, mas em nosso interior estamos murmurando, revoltados, insatisfeitos, descontentes.
Vejamos algumas situações concretas em que somos convidados a aprender de Jesus que é manso de Coração.
Quando devemos ser mansos, ou seja, conservar a serenidade e a paz em nosso coração, não nos alterar, não gritar, não ofender, etc?
Quando alguém nos ofende ou nos faz raiva.
Quando as coisas não saem como gostaríamos.
Quando alguém nos faz uma correção e nos mostra um defeito ou falha que não tínhamos percebido antes.
Quando percebemos de perto nossa fraqueza, nossas limitações e temos a tendência de nos revoltarmos contra nós mesmos em vez de nos aceitarmos e nos corrigirmos.
Quando faz calor, ou quando faz frio.
Quando o computador trava ou a internet não funciona.
Quando não podemos ter algo que gostaríamos.
Quando estamos com pressa e o trânsito não anda.
Quando lidamos com uma pessoa que é muito lenta.
Quando estamos doentes, quando sentimos alguma dor.
Quando ao nosso lado temos uma pessoa “insuportável” (segundo nosso critério).
Enfim, esta lista não vai acabar. Então paremos por aqui lembrando o grande resultado prometido pelo nosso Modelo divino de mansidão, para quem procurar aprender dEle: “Encontreis descanso para vossas almas”.
Dai-me, Senhor, a força de lutar pela mansidão para que eu possa alcançar este descanso, esta paz inalterável em minha vida, mesmo que por fora tudo conspire contra esta paz. Amém.

Pe. Gaspar S. C. Pelegrini é Reitor do Seminário da Imaculada Conceição

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Na catequese, Papa fala do cuidado com a criação e alerta para a cultura do descartável

Dia Mundial do Meio Ambiente

 
CATEQUESE
Praça São Pedro
Quarta-feira, 5 de junho de 2013
Boletim da Santa Sé
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje gostaria de concentrar-me sobre a questão do ambiente, como já tive oportunidade de fazer em diversas ocasiões. Também sugerido pelo Dia Mundial do Ambiente, promovido pelas Nações Unidas, que lança um forte apelo à necessidade de eliminar os desperdícios e a destruição de alimentos.
Quando falamos de ambiente, da criação, o meu pensamento vai às primeiras páginas da Bíblia, ao Livro de Gênesis, onde se afirma que Deus colocou o homem e a mulher na terra para que a cultivassem e a protegessem (cfr 2, 15). E me surgem as questões: O que quer dizer cultivar e cuidar da terra? Nós estamos realmente cultivando e cuidando da criação? Ou será que estamos explorando-a e negligenciando-a? O verbo “cultivar” me traz à mente o cuidado que o agricultor tem com a sua terra para que dê fruto e esse seja partilhado: quanta atenção, paixão e dedicação! Cultivar e cuidar da criação é uma indicação de Deus dada não somente no início da história, mas a cada um de nós; é parte do seu projeto; quer dizer fazer o mundo crescer com responsabilidade, transformá-lo para que seja um jardim, um lugar habitável para todos. Bento XVI recordou tantas vezes que esta tarefa confiada a nós por Deus Criador requer captar o ritmo e a lógica da criação. Nós, em vez disso, somos muitas vezes guiados pela soberba do dominar, do possuir, do manipular, do explorar; não a “protegemos”, não a respeitamos, não a consideramos como um dom gratuito com o qual ter cuidado. Estamos perdendo a atitude de admiração, de contemplação, de escuta da criação; e assim não conseguimos mais ler aquilo que Bento XVI chama de “o ritmo da história de amor de Deus com o homem”. Porque isto acontece? Porque pensamos e vivemos de modo horizontal, estamos nos afastando de Deus, não lemos os seus sinais.
Mas o “cultivar e cuidar” não compreende somente a relação entre nós e o ambiente, entre o homem e a criação, diz respeito também às relações humanas. Os Papas falaram de ecologia humana, estritamente ligada à ecologia ambiental. Nós estamos vivendo um momento de crises; vemos isso no ambiente, mas, sobretudo, no homem. A pessoa humana está em perigo: isto é certo, a pessoa humana hoje está em perigo, eis a urgência da ecologia humana! E o perigo é grave porque a causa do problema não é superficial, mas profunda: não é somente uma questão de economia, mas de ética e de antropologia. A Igreja destacou isso muitas vezes; e muitos dizem: sim, é certo, é verdade… mas o sistema continua como antes, porque aquilo que domina são as dinâmicas de uma economia e de uma finança carentes de ética. Aquilo que comanda hoje não é o homem, é o dinheiro, o dinheiro, o dinheiro comanda. E Deus nosso Pai deu a tarefa de cuidar da terra não ao dinheiro, mas a nós: aos homens e mulheres, nós temos esta tarefa! Em vez disso, homens e mulheres sacrificam-se aos ídolos do lucro e do consumo: é a “cultura do descartável”. Se um computador quebra é uma tragédia, mas a pobreza, as necessidades, os dramas de tantas pessoas acabam por entrar na normalidade. Se em uma noite de inverno, aqui próximo na rua Ottaviano, por exemplo, morre uma pessoa, isto não é notícia. Se em tantas partes do mundo há crianças que não têm o que comer, isto não é notícia, parece normal. Não pode ser assim! No entanto essas coisas entram na normalidade: que algumas pessoas sem teto morram de frio pelas ruas não é notícia. Ao contrário, a queda de dez pontos na bolsa de valores de uma cidade constitui uma tragédia. Um que morre não é uma notícia, mas se caem dez pontos na bolsa é uma tragédia! Assim as pessoas são descartadas, como se fossem resíduos.
Esta “cultura do descartável” tende a se transformar mentalidade comum, que contagia todos. A vida humana, a pessoa não são mais consideradas como valor primário a respeitar e cuidar, especialmente se é pobre ou deficiente, se não serve ainda – como o nascituro – ou não serve mais – como o idoso. Esta cultura do descartável nos tornou insensíveis também com relação ao lixo e ao desperdício de alimento, o que é ainda mais deplorável quando em cada parte do mundo, infelizmente, muitas pessoas e famílias sofrem fome e desnutrição. Um dia os nossos avós estiveram muito atentos para não jogar nada de comida fora. O consumismo nos induziu a acostumar-nos ao supérfluo e ao desperdício cotidiano de comida, ao qual às vezes não somos mais capazes de dar o justo valor, que vai muito além de meros parâmetros econômicos. Recordemos bem, porém, que a comida que se joga fora é como se estivesse sendo roubada da mesa de quem é pobre, de quem tem fome! Convido todos a refletir sobre o problema da perda e do desperdício de alimento para identificar vias que, abordando seriamente tal problemática, sejam veículo de solidariedade e de partilha com os mais necessitados.
Há poucos dias, na festa de Corpus Christi, lemos a passagem do milagre dos pães: Jesus dá de comer à multidão com cinco pães e dois peixes. E a conclusão do trecho é importante: “E todos os que comeram ficaram fartos. Do que sobrou recolheram ainda doze cestos de pedaços” (Lc 9, 17). Jesus pede aos discípulos que nada seja perdido: nada desperdiçado! E tem este fato das doze cestas: por que doze? O que significa? Doze é o número das tribos de Israel, representa simbolicamente todo o povo. E isto nos diz que quando a comida vem partilhada de modo igualitário, com solidariedade, ninguém é privado do necessário, cada comunidade pode satisfazer as necessidades dos mais pobres. Ecologia humana e ecologia ambiental caminham juntas.
Gostaria então que levássemos todos a sério o compromisso de respeitar e cuidar da criação, de estar atento a cada pessoa, de combater a cultura do lixo e do descartável, para promover uma cultura da solidariedade e do encontro. Obrigado.

Papa Francisco

O Papa pecador - Reflexão de Dom Fernando


Houve quem ficasse surpreso quando, na audiência geral de 29 de maio passado, o Papa Francisco declarou que era pecador: “A Igreja é a grande família dos filhos de Deus. Sem dúvida, ela também tem aspectos humanos; naqueles que a compõem, Pastores e fiéis, existem defeitos, imperfeições e pecados; até o Papa os tem, e tem tantos, mas é bom saber que quando nos damos conta que somos pecadores, encontramos a misericórdia de Deus, que perdoa sempre”.

O Papa Francisco quer nos ensinar a humildade, que começa com a confissão de que somos pecadores. Ele é o vigário de Jesus Cristo na terra. Jesus, sendo Deus santíssimo, tomou sobre si os nossos pecados:

“Aquele que não cometeu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nós nos tornássemos justiça de Deus (2 Cor 5, 21). Jesus, inocente e puro, quis passar por pecador. Foi assim que ele juntou-se ao povo para receber o batismo de penitência dado por João no rio Jordão. Nós, ao invés, sendo pecadores, queremos passar por santos. E ficamos indignados quando somos tratados como pecadores! “Se dissermos que não temos pecado, estamos enganando a nós mesmos, e a verdade não está em nós” (1Jo 1, 8).

Por isso a Igreja, mãe sábia, na sua sagrada Liturgia, nos ensina sempre a humildade: “Eu, pecador, me confesso... porque pequei muitas vezes..., por minha culpa, minha culpa, minha tão grande culpa”; com muitas súplicas ao perdão e à misericórdia de Deus: “não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima a vossa Igreja”.

Subliminarmente, o Papa também quer combater o carreirismo na própria Igreja, o gosto de aparecer, o desejo de nos substituirmos a Jesus Cristo, o querer, na Liturgia, por exemplo, se suplantar ao próprio Cristo, fazendo-nos os protagonistas da ação sagrada.

"Sede discípulos meus, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vós” (Mt 11, 29). A humildade é fonte de paz, de fraternidade e união. É o oposto da hipocrisia.  E para ser humilde é preciso ser forte, corajoso e valente. É a temática jesuítica, muito cara ao nosso Papa: “Acusar a si mesmo implica uma valentia pouco comum para abrir a porta a coisas desconhecidas e deixar que os outros vejam além de minha aparência. É renunciar à maquiagem, para que se manifeste a verdade. Na base do acusar a si mesmo, que é um meio, está a opção fundamental pelo anti-individualismo, pelo espírito de família e de Igreja que nos conduz a nos assumirmos, como bons filhos e bons irmãos, para mais tarde podermos vir a ser bons pais. Acusar a si mesmo implica uma postura basicamente comunitária...” E como ele falou na última audiência, o reconhecermo-nos pecadores atrai o perdão de Deus: “Quem acusa a si mesmo abre espaço para a misericórdia de Deus; é como o publicano que não ousa levantar seus olhos (cf. Lc 18, 13). Quem sabe acusar a si mesmo é um homem que sempre se aproximará bem dos outros, como o bom samaritano, e , nessa aproximação, o próprio Cristo realizará o acesso ao irmão" (Jorge Mario Bergoglio, S.J., Sobre a acusação de si mesmo).


Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney 


PS: Queridos leitores do blog, sei que estou em falta com vocês e peço desculpas pela falta de atualização. De volta a ativa!
Salve Maria!
Att. Sara Conceição Santiago Ferreira

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