sexta-feira, 10 de agosto de 2012

S. Lourenço, diácono, mártir

São Lourenço sofreu o martírio durante a perseguição de Valeriano, em 258. Era o primeiro dos sete diáconos da Igreja romana. A sua função era muito importante o que fazia com que, depois do papa, fosse o primeiro responsável pelas coisas da Igreja. Como diácono, São Lourenço tinha o encargo de assistir o papa nas celebrações; administrava os bens da Igreja, dirigia a construção dos cemitérios, olhava pelos necessitados, pelos órfãos e viúvas. Foi executado quatro dias depois da morte de Sisto II e de seus companheiros.
O seu culto remonta ao século IV.
Preso, foi intimado a comparecer diante do prefeito Cornelius Saecularis, a fim de prestar contas dos bens e das riquezas que a Igreja possuía. Pediu, então, um prazo para fazê-lo, dizendo que tudo entregaria. Confessou que a Igreja era muito rica e que a sua riqueza ultrapassava a do imperador. Foram-lhe concedidos três dias. São Lourenço reuniu os cegos, os coxos, os aleijados, toda sorte de enfermos, crianças e velhos. Anotou-lhes os nomes … Indignado, o governador concedeu-o a um suplício especialmente cruel: amarrado sobre uma grelha, foi assado vivo e lentamente. No meio dos tormentos mais atrozes, ele conservou o seu “bom humor cristão”. Dizia ao carrasco: “Vira-me, que deste lado já está bem assado … Agora está bom, está bem assado. Podes comer!…”
Roma cristã venera o hispano Lourenço com a mesmo veneração e respeito com que honra os primeiros apóstolos. Depois de São Pedro e São Paulo, a festa de São Lourenço foi a maior da antiga liturgia romana. O que foi Santo Estevão em Jerusalém, foi São Lourenço em Roma.

São Lourenço, rogai por nós!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O CURA D’ARS

O CURA D’ARS
Dom Fernando Arêas Rifan*

O mês de agosto é o mês dos sacerdotes e das vocações, porque nele se celebra o patrono de todos os padres, São João Maria Vianney, o Cura ou Pároco da cidadezinha francesa de Ars, “modelo sem par, para todos os países, do desempenho do ministério e da santidade do ministro”, no dizer do Beato João Paulo II, paradigma para a nova evangelização.
Nascido de
uma família de camponeses católicos e muito caridosos, João Maria tinha sete anos quando o Terror da Revolução Francesa reinava em Paris e os padres eram exilados ou mortos. Recebeu a primeira comunhão aos treze anos, durante o segundo Terror, quando a igreja de sua cidade foi fechada e as tropas revolucionárias atravessavam a paróquia. O governo revolucionário estabeleceu a constituição civil do clero e só os padres que faziam esse juramento cismático eram conservados nos cargos. Os outros padres, fiéis à Igreja e que não aceitavam aquele cisma, eram perseguidos, mas atendiam secretamente os fiéis nos paióis das fazendas. Foi a visão desses heróis da fé que fez surgir no jovem Vianney a sua vocação sacerdotal. Candidato, pois, ao heroísmo e à cruz no ministério.
Enfrentou dificuldades no Seminário, donde chegou a ser despedido por incapacidade nos estudos, teve problemas com o serviço militar, conseguiu, porém, aos vinte e nove anos, ser ordenado sacerdote, mas sem permissão para ouvir confissões. Após três anos, foi enviado a uma pequeníssima paróquia, Ars, onde permaneceu durante 42 anos, até o fim da sua vida.
“Há pouco amor de Deus nessa paróquia”, disse-lhe o Vigário Geral ao nomeá-lo, “Vossa Reverendíssima procurará colocá-lo lá”. De fato, Ars, nesse período pós Revolução Francesa, estava esquecida de Deus: pouca frequência às Missas, trabalho contínuo nos domingos, bailes, blasfêmias, etc. O Pe. Vianney começou com penitências e orações próprias. Pregação e catequese contínuas, visitas às famílias e caridade para com os pobres. A Igreja foi se enchendo. Ouvia confissões desde a madrugada até a noite. Peregrinos de toda a França acorriam a Ars, chegando a cem mil por ano. Suas pregações eram assistidas por bispos e cardeais. Seu catecismo era ouvido por grandes pregadores que ali vinham aprender com tanta sabedoria. Morreu aos 74 anos, esgotado pelas penitências e trabalhos apostólicos no ministério sacerdotal. Dizia esse herói da Fé: “É belo morrer depois de ter vivido na cruz”.

Por que razão a Igreja escolheu este santo tão simples para patrono dos padres? Porque sua vida demonstra a nulidade humana e a grandeza do poder de Deus. Para que aprendamos que não são nossos dotes e qualidades humanas que salvam as almas: Deus é que é o protagonista de toda ação pastoral. Por isso também o escolhemos para patrono de nossa União Sacerdotal, transformada pela Santa Sé em Administração Apostólica.
Que todos os fiéis, os grandes interessados, rezem pelos nossos sacerdotes e seminaristas, para que eles imitem a humildade, pobreza, retidão, zelo e fidelidade desse grande herói do ministério sacerdotal, que tanto honrou o sacerdócio paroquial e a Igreja de Cristo.

Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney*

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

São João Maria Vianey - Padroeiro de nossa Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianey e dos Padres em geral

Hoje comemoramos São João Maria Vianey, padroeiro de nossa Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianey e dos padres em geral. Por esse motivo, hoje também e comemorado o dia do padre. Rezemos por todos os sacertodes do mundo, em especial pelos da nossa Administração Apostólica. Peçamos a Deus, por intercessão do santo Cura d'Ars, que Ele nos envie muitos santos sacerdotes. 

"Senhor dai-nos muitos santos sacerdotes!"

“O Sacerdote é o amor do Coração de Jesus. Quando virdes o padre, pensai em Nosso Senhor Jesus Cristo.”
 

Reflita e conheça a vida de São João Maria Vianey

São João Maria Vianney, padroeiro dos sacerdotes, nasceu em 08 de maio de 1786, na França, numa cidade perto de Lyon.
Desde sua infância, trazia em si um grande amor à Virgem Maria. Quando pequeno, ganhou de sua mãe uma imagem de Nossa Senhora da qual ele nunca se separava, onde quer que fosse, a levava consigo.
São João Maria Vianney tinha um amor preferencial pelos pobres, pelos abandonados, pelos excluídos. A todos que encontrava pelas ruas, pelos bosques, levava-os para casa. Seus pais, admirados da sua caridade, a todos acolhiam.
Aos 13 anos, fez sua primeira comunhão. Nesse dia em oração, disse a Deus e a si mesmo: Eu serei padre! Eu serei padre!
Trazia em si o desejo do sacerdócio, mas tinha muitas dificuldades com os estudos. Foi rejeitado três vezes no seminário, mas, com a ajuda do padre Balley, teve uma segunda chance. Com grande esforço, venceu todos os desafios e foi então ordenado. Após se tornar sacerdote, permaneceu como padre auxiliar ao lado do tão querido padre Balley, tempo onde pode rever a Teologia, e em seguida foi enviado como pároco para a cidade de Ars, onde ficou até sua morte.
A cidade de Ars, vivia uma grande indiferença referente à religião. São João Maria Vianney, ao perceber o combate espiritual, pôs-se em luta, suas armas foram a oração, a penitência e as homilias.
Fixou residência na matriz e sua primeira ocupação era rezar pela conversão dos seus paroquianos. Desde a manhã até a noite, com pequenas interrupções, ficava de joelhos diante do altar do Santíssimo Sacramento.
Em suas homilias, sempre denunciou o pecado e proclamou a salvação em Nosso Senhor Jesus; aos poucos, pôde ver a conversão dos habitantes de Ars.
São João Maria Vianney sofreu perseguição da parte dos homens e também um grande e árduo combate espiritual; este combate durou cerca de 35 anos. À noite, o santo sofria com pesadelos assustadores e até mesmo ataques diretos do demônio.
Sempre apoiado na graça divina e recorrendo à especial proteção da Virgem Maria, São João Maria Vianney saiu vitorioso de todos os assaltos do maligno.
A vida, a pregação, a humildade do santo pároco de Ars começaram a atrair fiéis de todas as partes da França e do mundo, que desejavam ouvir o santo pároco e se confessar. Por duas vezes, para poder se isolar um pouco e estar a sós com Deus, São João Maria Vianney tentou deixar a paróquia, mas os fiéis não permitiram indo o buscar e o levando de volta para a Igreja.
Em  agosto de 1859, faleceu. Foi beatificado por São Pio X em 5 de janeiro de 1905; e canonizado por Pio XI no dia 31 de maio de 1925.
Seu corpo repousa na Igreja dedicada à Santa Filomena, sua santa de devoção, na cidade de Ars.
A cidade é, hoje, um dos grandes lugares de peregrinação no mundo. 

São João Maria Vianney, rogai por nós!


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Transfiguração do Senhor

Hoje (06) a Igreja celebra a festa da Transfiguração do Senhor.

A Transfiguração do Senhor é a maravilhosa confirmação de que, em Jesus, a condição humana é gloriosa, mesmo que seja vulnerável ao sofrimento e à morte.

No alto da montanha, Cristo quis antecipar a Sua glória àqueles que Ele havia escolhido Pedro, Tiago e João. Também manifesta a sua identidade mais profunda, oculta sob o véu de sua humanidade. A luminosidade de suas vestes manifesta a sua divindade.

O aparecimento de Moisés e Elias conversando com Jesus, correspondem a uma representação da revelação de Deus. Moisés representa “a Lei” e Elias “os Profetas”, o conjunto dos ensinamentos divinos até então oferecidos por Deus a seu Povo. Cristo veio dar cumprimento à Lei e aos Profetas, Ele é a plenitude da revelação.

Pedro sugeriu a Jesus construir: uma tenda para Jesus, outra para Moisés e uma outra para Elias. Considerava-se que uma das características dos tempos messiânicos seria os justos morarem em tendas. No momento em que Pedro ainda estava falando formou-se uma nuvem que os cobriu com a sua sombra. A nuvem «é o sinal da presença de Deus mesmo, ashekináh. A nuvem sobre a tenda do encontro indicava a presença de Deus. Jesus é a tenda sagrada sobre a qual está a nuvem da presença de Deus e a qual cobre agora “com sua sombra” também a outros» (S.S. Bento XVI).

Desta nuvem saiu uma voz que dizia: «Este é o meu Filho muito amado. Escutai-o». É a voz de Deus, a voz do Pai que proclama Jesus Cristo como Filho dele e manda escutá-lo.

Depois de escutarem a voz vinda dos céus, os discípulos ficaram assustados e caíram com o rosto em terra. Jesus pediu aos discípulos que se levantassem e que não tivessem medo.

Ao desceram da montanha, Jesus fez um único pedido aos três discípulos: ‘Não conteis a ninguém esta visão até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos’.

Pela Transfiguração, Jesus preparou os discípulos para não se escandalizarem com a sua Paixão e morte e mostrou-lhes a sua glória e divindade.

A Liturgia da Palavra orienta que a Transfiguração do Senhor aponta para o nosso destino vitorioso. Após termos visto “ brilhar a glória do Senhor”, como os Apóstolos, devemos “descer do monte”, e assumir os desafios próprios de nossa missão, mesmo que implique sofrimento, como foi no caso do Senhor.

Quando passarmos por momentos duros e difíceis, não nos desesperemos: abracemos a Cruz do Senhor, rezemos intensamente e esperemos com paciência o novo nascimento do Sol, o triunfo do Senhor em nossas vidas.

LUZES PARA A VIDA CRISTÃ

Pedro, Tiago e João experimentam algo fascinante, maravilhoso: veem o Senhor transfigurar-se diante de seus olhos, veem-no em todo seu esplendor, percebem a intensa luz que irradia de todo o seu ser, sua Glória, e embora esta intensíssima e tremenda experiência os assuste, maior é a alegria extraordinária que inunda o coração dos apóstolos: «Mestre, bom é estarmos aqui; façamos três tendas.», é como dizer: “Fiquemos aqui para sempre! Queremos que esta felicidade intensa nunca passe!”

Às vezes acontece algo parecido em nosso próprio peregrinar de fé: Deus nos concede em um momento oportuno uma experiência espiritual intensa que gostaríamos que se prolongasse para sempre, que nunca acabasse. Entretanto, experiências como essas não duram para sempre, e às vezes duram só um instante. E assim, logo depois de “ver brilhar a glória do Senhor”, como os Apóstolos, devem “descer do monte”, voltar para a vida cotidiana, à luta às vezes tediosa, à rotina absorvente de cada dia, a suportar fadigas, tentações, dificuldades, provas, adversidades, etc.

Quantos, logo depois de experimentar momentos tão intensos se desalentam na batalha! Quantos pensam em abandonar a luta e jogar para longe de si a cruz que implica a vida cristã porque “já não sentem nada”, porque o caminho se faz encosta acima e “não pensei que me custaria tanto”, porque “já não posso mais”. E no meio destas reflexões e tentações, perdendo a resistência, não dispostos a assumir o esforço e pagar assim o preço necessário para conquistar a eternidade, desconfiando do Senhor e do poder de sua graça, abandonaram covardemente a luta dizendo-se a si mesmos: “Isto não é para mim! Eu não posso!” Mas não só abandonaram o caminho do bem: enganados e fascinados pelo brilho vão que o mundo lhes oferecia, retornaram ao Egito, ali onde “tudo era melhor”, ali onde tudo é mais fácil e mais cômodo, ali onde “há com o que saciar imediatamente a fome e a sede” de infinito que queima suas vísceras. Que ilusão e engano!

E onde ficaram aquelas experiências intensas que o Senhor lhes deu de presente? Foram acaso tão somente uma ilusão e fantasia de momento, uma auto-sugestão, quer dizer, uma mentira? Assim costumam autojustificar-se e enganar-se aqueles que abandonando a luta e apartando seus olhos da eternidade decidem “viver o momento”. Querem substituir com fugazes “experiências extremas”, repetidas uma e outra vez até o cansaço e a saciedade, a profunda e duradoura felicidade que só o Senhor lhes pode dar. Aos que deste modo fogem de seu interior e do Senhor certamente nada mais resta que lançar-se freneticamente a procura de saciar sua fome e sede de infinito com bebedeiras de todo tipo, com sensações fortes, intensas, através do prazer sensual, do poder, do ter, ou através do vício do trabalho, à ação superficial e ininterrupta. Assim, no dia a dia, são como pobres mendigos que procuram saciar-se com migalhas, ou pior ainda, com alimento para porcos, querendo sossegar o grito incontestável de seus corações que clama por um Pão Vivo que sacie sua fome de felicidade, de paz, de autêntica comunhão no amor.


Como é importante valorizar e entesourar aquelas experiências que Deus nos dá de presente em algum momento da vida, experiências às vezes muito intensas, outras muito suaves e singelas, para não sucumbir diante das provas e cruzes que encontraremos no caminho, para não nos deixarmos seduzir pelas miragens que em momentos de deserto espiritual nos convidam a abandonar o caminho do Senhor, o caminho que pela cruz conduz à glória, sugerido-nos “voltar para o Egito”, quer dizer, optar por uma vida mais fácil, mais cômoda e prazenteira, mais “light”, mais ajustada a nossa mediocridade!


Como a transfiguração para os Apóstolos, as experiências intensas que em um momento de nossa vida inundam nosso espírito de uma paz e uma alegria profundas são um presente de Deus para nosso peregrinar, uma tênue antecipação do que Deus nos promete se perseverarmos no caminho que Jesus nos ensina, um firme estímulo para lutar dia a dia pelo que gostamos brevemente mas que ainda nos falta conquistar, aquilo que «os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam.» (1Cor 2, 9). Esses momentos de luz têm que permanecer sempre em nossa cordial memória para nos alentar em todas as nossas lutas, para alimentar nossa esperança e nos sustentar dia a dia na fiel perseverança até o fim.

Assim, pois, nos momentos de prova, nos momentos em que o céu nos pareça nublado, quando a escuridão pareça cobri-lo totalmente e as espessas trevas da dor inundarem sua mente e coração, lembre-se dos momentos de luz, momentos em que o Senhor se mostrou em sua vida com suma claridade. Estas experiências são como o sol: não podemos duvidar de sua existência embora por momentos as nuvens densas o ocultem, e assim, embora não o vejamos por dias, semanas, meses, sabemos que está sempre ali, que está detrás das nuvens ou das tormentas que se interpõem momentaneamente. Quando você passar por esses momentos duros e difíceis, não se desespere: abrace a Cruz do Senhor, reze intensamente e espere com paciência o novo nascimento do Sol, o triunfo do Senhor em sua vida.

"Ó DEUS QUE NA GLORIOSA TRANSFIGURAÇÃO DE VOSSO FILHO CONFIRMASTES OS MISTÉRIOS DA FÉ,PELOS TESTEMUNHOS DE MOISÉS E ELIAS, E MANIFESTASTES DE MODO ADMIRÁVEL A NOSSA GLÓRIA DE FILHOS ADOTIVOS, CONCEDEI AO VOSSOS SERVOS E SERVAS OUVIR A VOZ DO VOSSO FILHO AMADO E COMPARTILHAR DE SUA HERANÇA."

sábado, 4 de agosto de 2012

São Domingos de Gusmão – O apóstolo do Rosário


Domingos nasceu em 24 de junho de 1170, na pequena vila de Caleruega, na Velha Castela, atual Espanha. Pertencia a uma ilustre e nobre família, muito católica e rica: seus pais eram Félix de Gusmão e Joana d'Aza e seus irmãos, Antonio e Manes. O primeiro tornou-se sacerdote e morreu com odor de santidade. O segundo, junto com a mãe, foi beatificado pela Igreja.
 
Nesse berço exemplar, o pequeno Domingos trilhou o mesmo caminho de servir a Deus. Até mesmo o seu nome foi escolhido para homenagear são Domingos de Silos, porque sua mãe, antes de Domingos nascer, fez uma novena no santuário do santo abade. E, como conta a tradição, no sétimo dia ele lhe teria aparecido para anunciar que seu futuro filho seria um santo para a Igreja Católica.
 
Domingos dedicou-se aos estudos, tornando-se uma pessoa muito culta. Mas nunca deixou a caridade de lado. Em Calência, cidade onde se diplomou, surpreendeu a todos ao vender os objetos de seu quarto, inclusive os pergaminhos caros usados nos estudos, para ter um pequeno "fundo" e com ele alimentar os pobres e doentes.
 
Aos vinte e quatro anos, sentindo o chamado, recebeu a ordenação sacerdotal. Foi enviado para a diocese de Osma, onde se distinguiu pela competência e inteligência. Logo foi convidado para auxiliar o rei Afonso VII nos trabalhos diplomáticos do seu governo e também para representar a Santa Sé, em algumas de suas difíceis missões.
 
Durante a Idade Média, período em que viveu, havia a heresia dos albigenses, ou cátaros, surgida no sul da França. O papa Inocêncio III enviou-o para lá, junto com Diego de Aceber, seu companheiro, a fim de combater os católicos reencarnacionistas. Mas, devido à morte repentina desse caro amigo, Domingos teve de enfrentar a missão francesa sozinho. E o fez com muita eficiência, usando apenas o seu exemplo de vida e a pregação da verdadeira Palavra de Deus.
 
Em 1207, em Santa Maria de Prouille, Domingos fundou o primeiro mosteiro da Ordem Segunda, das monjas, destinado às jovens que, devido à carestia, estavam condenadas à vida do pecado. Os biógrafos narram que foi na igreja desse convento que Nossa Senhora apareceu para Domingos e disse-lhe para difundir a devoção do rosário, como princípio da conversão dos hereges e para a salvação dos fiéis. Por isso os dominicanos são tidos como os guardiões do rosário, cujo culto difundem no mundo cristão através dos tempos.
 
A santidade de Domingos ganhava cada vez mais fama, atraindo as pessoas que desejavam seguir o seu modelo de apostolado. Foi assim que surgiu o pequeno grupo chamado "Irmãos Pregadores", do qual fazia parte o seu irmão de sangue, o bem-aventurado Manes.
 
Em 1215, a partir dessa irmandade, Domingos decidiu fundar uma Ordem, oferecendo uma nova proposta de evangelização cristã e vida apostólica. Ela foi apresentada ao papa Inocêncio III, que, no mesmo ano, durante o IV Concílio de Latrão, concedeu a primeira aprovação.
No ano seguinte, seu sucessor, o papa Honório III, emitiu a aprovação definitiva, dando-lhe o nome de Ordem dos Frades Predicadores, ou Dominicanos. Eles passaram a ser conhecidos como homens sábios, pobres e austeros, tendo como características essenciais a ciência, a piedade e a pregação.
 
Em 1217, para atrair a juventude acadêmica para dentro do clero, o fundador determinou que as Casas da Ordem fossem criadas nas principais cidades universitárias da Europa, que na época eram Bolonha e Paris. Ele se fixou na de Bolonha, na Itália, onde se dedicou ao esplêndido desenvolvimento da sua obra, presidindo, entre 1220 e 1221 os dois primeiros capítulos gerais, destinados à redação final da "carta magna" da Ordem.
 
São Domingos de Gusmão faleceu aos 51 anos de idade, em 1221, e foi canonizado por Gregório IX em 1234.
 
São Domingos de Gusmão foi sepultado na catedral de Bolonha, como Padroeiro Perpétuo e Defensor dessa cidade.

São Domingos de Gusmão, rogai por nós!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A relação com Deus se realiza falando com Ele

Na primeira audiência geral após a suspensão de julho, Bento XVI recordou os importantes ensinamentos de Santo Afonso sobre a oração

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 1 de agosto de 2012 - às 10h30 de hoje, na Praça da Liberdade em frente ao Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, o Santo Padre Bento XVI encontrou-se com os fiéis e os peregrinos reunidos para a Audiência Geral da quarta-feira, compromisso retomado hoje depois da suspensão de julho.

 Publicamos a seguir a catequese do Santo Padre na íntegra:
***

Queridos irmãos e irmãs!
Hoje é a memória litúrgica de Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo e Doutor da Igreja, fundador da Congregação do Santíssimo Redentor, os Redentoristas, padroeiro dos estudiosos de teologia moral e dos confessores. Santo Afonso é um dos santos mais populares do século XVIII, por causa do seu estilo simples e imediato e pela sua doutrina sobre o sacramento da Penitência: em um período de grande rigorismo, resultado da influência do jansenismo, ele recomendava aos confessores administrar este Sacramento manifestando o abraço alegre de Deus Pai, que na sua infinita misericórdia nunca deixa de acolher o filho arrependido.
A celebração de hoje nos dá a oportunidade de debruçar-nos sobre os ensinamentos de Santo Afonso sobre a oração, muito preciosos e cheios de inspiração espiritual. É do 1759, aproximadamente, o seu tratado Do grande meio da Oração, que ele considerava o mais útil entre todos os seus escritos. De fato, descreve a oração como “o meio necessário e seguro para obter a salvação e todas as graças que temos necessidade de alcançar”. (Introdução). Nesta frase é sintetizado o modo afonsiano de compreender a oração. Antes de mais nada, dizendo que é um meio, nos chama a atenção para o fim que queremos alcançar; mas esta meta, esta vida em plenitude, por causa do pecado, por assim dizer, distanciou-se – todos o sabemos – e somente a graça de Deus pode torná-la acessível.
Para explicar esta verdade básica e fazer entender imediatamente como seja real para o homem o risco de “perder-se”, santo Afonso tinha inventado uma máxima famosa, muito básica, que diz: "Quem reza se salva, quem não reza é condenado".
Comentando esta frase lapidária, acrescentava: "Salvar-se sem rezar é dificilíssimo, até mesmo impossível... mas rezando, a salvação é certa e facilíssima” (II, conclusão). E ainda diz: "Se não orarmos, não temos desculpas, porque a graça de rezar é dada a todos... se não nos salvarmos, a culpa será toda nossa, porque não teremos rezado” (ibid.).
Em seguida, dizendo que a oração é uma condição necessária, Santo Afonso queria dar a entender que em cada situação da vida não é possível fazer outra coisa a não ser rezar, especialmente no momento da prova e nas dificuldades. Sempre devemos bater com confiança na porta do Senhor, sabendo que em tudo Ele cuida dos seus filhos, de nós. Por isso, somos convidados a não termos medo de recorrer a Ele e apresentar-lhe com confiança as nossas petições, na certeza de obter as coisas que temos necessidade.
Queridos amigos, esta é a questão central: o que é realmente necessário em minha vida? Respondo com Santo Afonso: "A saúde e todas as graças que por ela necessitamos” (ibid.); naturalmente, ele entende não somente a saúde do corpo, mas antes de mais nada, também aquela da alma, que Jesus nos doa. Mais do que outra coisa temos necessidade da sua presença liberadora que nos faz plenamente humanos, e por isso cheios de alegria, o nosso existir. E somente através da oração podemos acolhê-la, a sua Graça, que, iluminando-nos em cada momento, nos faz discernir o verdadeiro bem e, fortificando-nos, faz eficaz também a nossa vontade, ou seja a faz capaz de executar o bem conhecido. Muitas vezes reconhecemos o bem, mas não somos capazes de fazê-lo. O discípulo do Senhor sabe que está sempre sendo exposto à tentação e nunca deixa de pedir ajuda a Deus na oração, para vencê-la. Santo Afonso dá o exemplo de São Filipe Neri – muito interessante -, o qual “desde o primeiro momento, quando acordava de manhã, dizia para Deus: "Senhor, mantenha as suas mãos sobre Filipe hoje, porque caso contrário, Filipe te trai” (III, 3) Grande realista! Ele pede a Deus para manter a mão sobre ele. Nós também, conscientes da nossa fraqueza, devemos pedir ajuda a Deus com humildade, confiando na riqueza da sua misericórdia. Em outra passagem, diz Santo Afonso que: "Nós somos pobres de tudo, mas se pedirmos não seremos mais pobres. Se nós somos pobres, Deus é rico” (II, 4).
E, seguindo a Santo Agostinho, convida cada cristão a não ter medo de pedir a Deus, com as orações, aquela força que não tem, e que é necessária para fazer o bem, na certeza de que o Senhor não nega a sua ajuda àqueles que oram com humildade (cf. III, 3). Caros amigos, Santo Afonso nos lembra que a relação com Deus é essencial em nossas vidas.
Sem o relacionamento com Deus falta a relação fundamental e a relação com Deus se realiza no falar com Deus, na oração pessoal cotidiana e com a participação nos Sacramentos, e assim esta relação pode crescer em nós, pode crescer em nós a presença divina que endireita o nosso caminho, o ilumina e o faz seguro e sereno, também em meio a dificuldades e perigos. Obrigado.


Fonte: (ZENIT.org) 


Agosto: Mês das Vocações

VOCAÇÃO: UM TESOURO QUE POUCOS DÃO VALOR

Deus, nosso Pai de Bondade, nos dá a graça de iniciar mais um mês. E este mês é todo especial para nós, católicos, pois dedicamos a rezar e pedir, com mais intensidade pelas vocações! 

O que é a vocação?
Vocação sacerdotal é, pois, uma chamado para ser padre. Portando, quando dizemos que tal rapaz ou tal criança tem vocação, estamos dizendo que esse jovem ou esse menino está chamado para o sacerdócio. Mas se ele está sendo chamado, alguém está chamando. Quem é que o chama para ser padre?

Quem dá a vocação?
É  Deus, Nosso Senhor. Tal jovem será padre, não porque ele escolheu esta vocação, mas porque Deus o chamou. Jesus nos diz no Evangelho: "Não fostes vós que Me escolhestes, Eu que vos escolhi."
A vocação é, portanto, um chamado de Deus para o sacerdócio. É uma escolha de Deus. Mas, aparece outra pergunta: A quem Deus chama? A quem Ele quer, a quem ele mais ama. É um mistério do amor de Deus. De tudo o que dissemos, podemos formular a seguinte afirmação:
A vocação sacerdotal, ou o chamado de Deus para ser padre é um ministério do Amor de Deus, é um dom do Coração de Jesus, é um tesouro, é algo precioso que Deus concede, não a todos, mas somente aos que Ele mais ama. Desprezar este dom de Deus seria desprezar o próprio Deus. Seria uma grande ingratidão.

Para que serve a vocação?
Para que haja entre nós sacerdotes que celebram a Santa Missa, que dá tanta glória a Deus e nos trás tantos benefícios; sacerdotes que batizem as crianças; sacerdotes que perdoem nossos pecados, pela confissão; sacerdotes que consigam de Deus todos os benefícios de que nós precisamos.
É pela vocação que vêm os padres. Portanto, se as vocações forem desprezadas, ficaremos sem padres. E ficando sem padres, ficaremos sem a santa Missa, sem os sacramentos, sem tantos auxílios de Deus.
Se nós rezarmos e fizermos penitência, e se os jovens seguirem estes conselhos, as vocações se multiplicarão e, então, o chamado de Deus deixará de ser este tesouro tão desprezado e se tornará aquele que, quem o encontra, deixa tudo para possuí-lo.

Pe. Gaspar Pelegrini 
 Reitor do Seminário da Imaculada Conceição - Ad. Apostólica Pessaol São João Maria Vianey

Dai Senhor à vossa Igreja: Sacerdotes Santos e Religiosos Fervorosos! 

Neste mês de agosto, a intenção geral de oração do Papa Bento XVI ao Apostolado de Oração é “para que os presos sejam tratados com justiça e seja respeitada a sua dignidade.”

Já a juventude está no centro da Intenção Missionária, que é “Para que os jovens, chamados ao seguimento de Cristo, se disponham a proclamar e testemunhar o Evangelho até aos confins da terra”.

Todos os meses, o Pontífice confia suas intenções ao Apostolado da Oração, uma iniciativa que é seguida por milhões de pessoas em todo mundo.
 
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